Mostrando postagens com marcador Clima. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Clima. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Clima e doenças emergentes


Projeto Temático do Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais investiga relação entre transformações socioambientais na Amazônia e alterações na abrangência geográfica de doenças infecciosas (foto: Missouri Univ.)
13/06/2011
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – Relacionadas entre si, as mudanças climáticas globais e as mudanças do uso do solo podem alterar a abrangência geográfica de determinadas doenças infecciosas. Nesse contexto, um grupo de pesquisadores brasileiros está estudando as alterações do mapa epidemiológico de duas doenças infecciosas emergentes na Amazônia Ocidental.
O objetivo é desenvolver um sistema de alerta precoce para as doenças, viabilizando a adaptação aos impactos negativos das mudanças ambientais sobre a saúde humana.
Projeto Temático , financiado pelo Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG), é coordenado por Manuel João Cesário, professor do programa de mestrado em Promoção de Saúde da Universidade de Franca (Unifran). Em estágio inicial, os estudos serão concluídos no fim de 2014.
De acordo com Cesário, o projeto monitora as mudanças ocorridas no mapa epidemiológico da bartonelose e da leishmaniose cutânea na região da tríplice fronteira, entre Brasil, Bolívia e Peru. As duas doenças são transmitidas pelo mesmo vetor: os mosquitos flebotomíneos do gêneroLutzomyia.
A bartonelose, doença emergente originária dos Andes, é causada pela bactéria Bartonella bacilliformis e provoca fraqueza, anemia, febres e calafrios. A doença, também conhecida como “verruga peruana”, pode se apresentar na forma conhecida como “bartonelose verrucosa”, produzindo lesões que se assemelham a tumores de pele.
A leishmaniose, zoonose comum a humanos e cães, é causada por protozoários flagelados do gênero Leishmania e pode adquirir a forma visceral ou cutânea. Esta última, também conhecida como “úlcera de Bauru”, gera lesões na pele e pode se manifestar como lesões inflamatórias nas mucosas do nariz ou da boca.
“O objetivo do estudo é desenvolver um sistema de alerta precoce para essas doenças diante das profundas mudanças socioambientais que essa região está enfrentando. Além dos impactos das mudanças climáticas globais e do desmatamento, há impactos causados por mudanças sociais profundas em virtude de grandes projetos de desenvolvimento e intensos fluxos migratórios na região”, disse Cesário à Agência FAPESP.
A leishmaniose cutânea, abundante em regiões mais próximas da costa brasileira, ainda não chegou à região estudada, mas está avançando para o oeste. A bartonelose, por outro lado, é prevalente no Peru e, em tese, não existe no Brasil, nem na Bolívia. Mas está avançando para o leste.
“Houve um crescimento importante da bartonelose entre 2004 e 2005 e especula-se que isso teve relação com o fenômeno El Niño, que muda o regime de chuvas e de temperatura na região durante alguns meses do ano. Essa mudança pode ter algum impacto na reprodução dos vetores e, com mais mosquitos, a transmissão é facilitada e a doença aumenta. Entretanto, ainda não temos certeza se a doença avançou porque os vetores mudaram de lugar ou se apareceram novos vetores”, explicou.
No entanto, é improvável que as mudanças sejam causadas por um só fator, de acordo com Cesário. Um dos objetivos do projeto é investigar, nos próximos anos, quais são os fatores mais importantes para o avanço das doenças em novas áreas.
“A região que estudamos tem sofrido mudanças socioeconômicas consideráveis, com a construção das estradas BR 364 e BR 317 e a implantação de duas hidrelétricas, que levaram para Rondônia mais de 100 mil pessoas nos últimos três anos. Por conta dessas duas grandes obras, a população do município de Porto Velho, que era de 500 mil pessoas, subiu cerca de 20% nesse período”, disse Cesário.
A construção de estradas, por outro lado, afeta a cobertura do solo, segundo o professor. “Estudos mostram que 80% do desmatamento de florestas na Amazônia ocorre em áreas situadas a menos de 50 quilômetros de alguma estrada”, apontou.
Além da explosão demográfica ocasionada pelos projetos de infraestrutura, a região, segundo Cesário, também tem sofrido mudanças radicais na cobertura do solo, que influenciam diretamente as mudanças no clima da região, com reflexos na distribuição dos vetores das doenças.
“Por outro lado, as alterações no clima também influenciam as mudanças na cobertura do solo – porque a floresta fica mais suscetível ao fogo, por exemplo. É possível que tudo isso influencie diretamente na biologia desses vetores. Por isso, ao mesmo tempo em que investigamos as causas das mudanças, também investigamos suas consequências”, afirmou o cientista.
Sistema de alerta
Como as variáveis são muito complexas, o projeto exige uma equipe essencialmente multidisciplinar. O grupo reúne especialistas com experiência em áreas tão diferentes como epidemiologia, estatística e modelagem e mapeamento espaço-temporal de doenças.
“Não se trata apenas de aplicar métodos epidemiológicos, mas também de trabalhar com métodos de sistemas de informações geográficas – para conseguir fazer os mapeamentos – e métodos estatísticos, para conseguir levantar as áreas de risco e, consequentemente, fazer um mapeamento de risco das doenças. Se conseguirmos chegar a esse ponto, teremos métodos de modelagem para prever a abrangência das doenças no futuro, permitindo também traçar cenários e planejar a adaptação”, explicou Cesário.
Segundo ele, se o grupo conseguir desenvolver um sistema de alerta, baseado em métodos com grande abrangência de ferramentas e de capacidade diferenciada de tratar dados, os resultados do projeto poderão servir como referência metodológica para outros estudos e os métodos poderão ser adaptados para aplicação em outras regiões e outras doenças.
“Uma necessidade preliminar do projeto é ter acesso a dados climáticos da região, como temperatura, precipitação, umidade do solo e do ar e regime de ventos entre 2000 e 2012. Também estamos fazendo um levantamento dos dados de satélite relacionados a mudanças no uso do solo no mesmo período”, disse Cesário. 

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

As abelhas e o clima


Atualmente, o tema "mudanças climáticas" tem gerado calorosas discussões em todo o mundo. Os pesquisadores buscam compreender e encontrar soluções para mitigar o processo de aquecimento global que poderá, num futuro próximo, atingir diversos organismos presentes em ambientes naturais ou mantidos pelo homem. Em relação às abelhas, este interesse não é menor, já que esses insetos, por serem sensíveis às mudanças ambientais, podem ser bons indicadores para o processo de Aquecimento Global.




As abelhas, que já vem sofrendo forte pressão de diversos fatores como os desmatamentos, que destroem tanto as suas fontes de alimento como de abrigo, o uso indiscriminado de pesticidas nas lavouras e os surtos de pragas e doenças, encontram no processo de Aquecimento Global mais uma importante barreira para seu sucesso. E não é à toa que, nos últimos anos, tem sido grande a preocupação com os casos de desaparecimento de populações desses insetos em vários países, principalmente em virtude de seu importante papel como agente polinizador de culturas agrícolas e de ambientes naturais.



Apesar da capacidade de adaptação das abelhas a diferentes ambientes, as colônias desses insetos podem sofrer grandes prejuízos com as variações das condições climáticas. Embora as abelhas adultas sejam relativamente tolerantes às variações térmicas, suas crias são sensíveis a pequenas variações da temperatura do ninho. Para o bom desenvolvimento das formas jovens, a área de cria do ninho deve ser mantida a temperaturas entre 30 a 35°C, já que as temperaturas acima desta faixa podem prejudicar o desenvolvimento larval, principalmente a metamorfose. Além disso, em temperaturas acima de 40°C, os favos de cera cheios de mel podem amolecer e quebrar.



Uma temperatura elevada no interior da colônia pode por em risco tanto o desenvolvimento populacional como o armazenamento de alimento; com isso, as abelhas tomam uma série de medidas para evitar o superaquecimento. Inicialmente, as abelhas adultas se dispersam pelo ninho e começam a promover a ventilação, pelo batimento das asas, de forma a criar correntes de ar que favorecem a saída do ar quente e entrada de ar fresco. Adicionalmente, as operárias podem promover a evaporação de pequenas gotas de água, espalhadas nos favos ou expostas nas suas próprias línguas. Por isso, é grande a importância da manutenção de fontes de água nas proximidades da colônia. Também visando a diminuição da temperatura, parte das abelhas pode sair da colméia, formando aglomerados do lado de fora para reduzir a produção de calor e facilitar a ventilação. Entretanto, tudo isso gera um gasto energético extra para a colônia, que emprega tempo e recursos para o controle da temperatura, deixando de realizar outras atividades como coleta de néctar e pólen para o armazenamento de alimento.



Apesar destes mecanismos de termorregulação permitirem a sobrevivência das abelhas em situações de estresse térmico, existem determinadas condições que dificultam estas medidas; por exemplo, quando ocorre a escassez de água ou quando a colônia se encontra enfraquecida, com população pequena, o que dificulta o controle da temperatura. Nesses casos, pode ocorrer o que se chama "enxame abandono", quando toda a colônia deixa aquele local devido as condições desfavoráveis, e o enxame sai à procura de um outro lugar para o estabelecimento do ninho.



Esta situação é indesejável para os apicultores, que terão que recapturar ou comprar novos enxames para repor os que foram perdidos, o que pode comprometer a produtividade. Além disso, as colônias que enfrentam esta situação têm sua capacidade produtiva comprometida, visto que estão ocupadas na manutenção da temperatura e não na coleta de néctar e pólen.



Outros elementos climáticos como umidade relativa do ar, radiação solar, precipitação, velocidade do vento e pressão atmosférica têm um efeito determinante em relação ao estabelecimento e desenvolvimento de colônias de abelhas. Dessa forma, considera-se importante o monitoramento dessas variáveis e a avaliação de sua influência nas colônias de abelhas, visando o estudo dos impactos que as mudanças climáticas podem provocar sobre esses organismos e possíveis ações que possam minimizar esses efeitos.



AUTORIA



Pesquisadora da Embrapa Meio-Norte


Links referenciados


buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visual
izacv.jsp?id=K4792053P6



mteresa@cpamn.embrapa.br



www.cpamn.embrapa.br