Mostrando postagens com marcador Saúde Pública. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Saúde Pública. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Porcos são flagrados em praia em Niterói





Segunda-feira, 14/06/2010

Os quatro animais caminhavam livremente pelas areias da praia de Charitas. Depois, eles atravessaram a rua em frente aos carros. Semana passada, porcos foram vistos no bairro Cubango.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Kit de ordenha manual pode diminuir 98% das bactérias do leite

Materiais podem ser comprados em lojas agropecuárias e supermercados, por R$ 150, e não precisam ser trocados todo mês

14/06/2010 - Juliana Royo

Melhorar a qualidade do leite e reduzir a contagem bacteriana e a possibilidade de doenças são os principais objetivos do Kit Embrapa de Ordenha Manual. Inicialmente, o kit foi desenvolvido pela Embrapa Gado de Leite para bovinos leiteiros, mas, com o sucesso de resultados, a Embrapa Caprinos e Ovinos fez algumas adaptações e está lançando o kit para ser usado na ordenha de cabras também. Por possibilitar uma ordenha mais higiênica e correta, o kit consegue diminuir em até 98% a quantidade de bactérias encontradas no leite de cabra, evitando doenças e contaminação dos produtos derivados como queijos e doces.

— Ele é um jeito eficiente de controlar a qualidade do leite na fazenda de uma forma simples, com materiais fáceis de serem encontrados e com custo baixo. Provou-se nos bovinos leiteiros que o kit diminui a contagem bacteriana total no leite que provoca uma série de doenças que podem até ser transmitidas para o consumidor, podem diminuir o rendimento da indústria láctea porque algumas bactérias prejudicam a produção de queijo e o kit também pode diminuir a contagem de células somáticas, que são as células da glândula mamária. Quando o animal está com o peito inflamado, a chamada mastite, estas células somáticas aumentam. Se for feita uma higiene de forma correta, o produtor tem uma diminuição bem significativa na contagem de células somáticas e na contagem bacteriana total. Na experiência que já tivemos na Paraíba, houve propriedades em que o kit diminuiu 98% das bactérias no leite — explica Léa Chapaval, pesquisadora na área de qualidade do leite da Embrapa Caprinos e Ovinos.

O kit foi desenvolvido para a agricultura familiar com custo estimado em R$ 150 no total. As peças devem ser repostas entre três e seis meses, o que faz o kit custar cerca de R$ 30 por mês durante o ano. Os materiais podem ser encontrados em lojas agropecuárias e supermercados com facilidade pela maioria dos produtores, sendo que os 90 produtores que estão participando dos testes em campo nos Estados da Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará ganharam o kit inicial. Além da vantagem principal, que é a melhora significativa da qualidade do leite, fazendo com que ele seja valorizado no mercado na hora da venda e diminua os riscos de contaminação dos produtos derivados para não afetar a saúde humana, o volume do leite também é maior. A produtividade consegue ser aumentada porque, na ausência de bactérias e doenças como a mastite, não há nenhum impedimento ou inflamação na glândula mamária fazendo com que as cabras produzam na sua capacidade ideal, sem restrições.

O Kit Embrapa de Ordenha Manual para leite de cabra é composto por um caneco de inox de dois litros, uma caneca de fundo escuro para o exame da mastite clínica (em que a inflamação da glândula mamária é visível ao olho nu com pus e sangue e provoca alteração no leite), um balde plástico simples de oito litros que tem um furo no final para encaixar os adaptadores onde vai ser armazenada a água clorada. Além disso, é preciso uma mangueira para jardim de cerca de cinco metros, de preferência transparente, um adaptador de caixa d'água, um adaptador de pressão, um registro de cera, um esguicho de jardim, um filtro para coar o leite ao final da ordenha, uma siringa de 20 mililitros para dosar o cloro, um copo graduado para medir o detergente, o detergente alcalino em pó, o cloro comercial, o papel toalha descartável, uma escova ou uma bucha natural para lavagem dos equipamentos e um par de luvas de borracha para a manipulação do detergente alcalino em pó.

Fonte: Portal Dia de Campo 

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Doença de Chagas

Descoberta há mais de um século, doença de Chagas ainda afeta 2 milhões de brasileiros


A incidência vem caindo, de acordo com estatísticas oficiais. O Ministério da Saúde aponta dois milhões de pessoas infectadas no país. Cientistas do setor estimam que o número chega a três milhões. E a infecção já não pode ser considerada apenas rural. Um trabalho subscrito por sete especialistas e divulgado em Pernambuco alerta para a urbanização da doença. Cerca de um milhão de contagiados reside na periferia de metrópoles como Recife, São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, o que levaria a uma epidemia urbana.
É o que revela o coordenador do estudo, Wilson de Oliveira Júnior, responsável pelo ambulatório de doença de Chagas e insuficiência cardíaca do Pronto Socorro do Coração/Hospital Oswaldo Cruz, entidades vinculadas à Universidade de Pernambuco (UPE), que acompanha 1.200 pacientes. Cerca de cinco mil pessoas morrem por ano devido a complicações cardíacas provocadas pela enfermidade.
Há 35 anos, o mesmo remédio
De acordo com o Ministério da Saúde, o certificado da OMS concedido em 2006 deveu-se a um trabalho de controle do barbeiro realizado desde a década de 1970. Foram colhidas cem mil amostras de sangue em crianças na zona rural, entre os anos de 2001 e 2008. Números preliminares indicam prevalência de 0,01%, conforme o boletim de abril do Ministério da Saúde.
- O percentual é positivo. Inquéritos da década de 1980 indicaram o problema, quando o Brasil tomou conhecimento de que 4,2% da população tinham a doença. Entre as crianças, a prevalência era maior, 18% - lembra o médico, professor de cardiologia da Faculdade de Ciências Médicas da UPE.
Ele lembra que, com o certificado internacional, fica a falsa impressão de que o Brasil livrou-se do mal de Chagas, incluído entre as chamadas doenças negligenciadas, que não despertam interesse dos laboratórios. O remédio contra a doença é o mesmo há 35 anos: o Benidazol, que tem efeitos colaterais grandes. Ele ataca o Tripanossoma cruzi, protozoário transmitido pelo barbeiro, mas não desperta interesse no setor farmacêutico: a multinacional que o produzia cedeu a patente para o Laboratório Farmacêutico de Pernambuco, hoje único a fornecer a droga para o mundo.
O presidente da Associação de Portadores de Doença de Chagas de Pernambuco, Manoel Mariano do Nascimento, de 63 anos, denuncia a falta de remédios auxiliares aos pacientes que têm o coração comprometido.
- O Benidazol, tem. Mas não precisamos só dele para ficarmos vivos - diz Nascimento.
O custo dos remédios para o coração chega a R$ 200 mensais. Sem os remédios, os pacientes terminam precisando de transplantes e marcapassos
- com sofrimento maior para o doente e custo adicional ao SUS.
Em Recife, internada no Hospital Oswaldo Cruz, Maria Vicente dos Santos, de 52 anos, perdeu três parentes para a doença. Só ela, contaminada, sobreviveu. Pernambuco ocupa o segundo lugar em número de portadores de doença de Chagas no país. Na região canavieira, a 70 quilômetros de Recife, Severina Maria da Silva, de 56 anos, perdeu o pai e o marido para a enfermidade. O filho, Luiz Carlos, de 26, tem a doença. Ela mesma relata cansa$ço e falta de ar, sintomas de insuficiência cardíaca que aparecem na fase crônica do mal. Mas reluta em fazer exames.
Sua casa tem chão de terra batida e paredes de barro com orifícios por toda parte, onde o barbeiro se esconde:
- Já vi potós (barbeiros) nas paredes, nas portas. Basta tocar nele, que está furando a gente, no quintal, no milho. Fui picada várias vezes.
No centro de Nazaré da Mata, Waldecir Vicente de Melo, de 48 anos, é portador da doença há 13. Com o coração frágil, desmaia, mas não quer se operar:
- Tenho medo de morrer na mesa de operação. Fico com meus remédios. Assim tenho mais três anos de vida.
 

Bahia testa tratamento com células-tronco para a Doença de Chagas


Na primeira fase das pesquisas (capitaneada pelo Hospital Particular Santa Izabel, em Salvador, e pela unidade local da Fundação Oswaldo Cruz) foram feitos experimentos com 30 pacientes. De posse dos resultados, o Ministério da Saúde financiou a segunda fase do projeto. A terceira fase dos estudos deve começar em 2011.
A Bahia não registra casos da doença de Chagas há quatro anos, mas a situação no estado não é tranquila. Novos tipos de barbeiro, o besouro transmissor da doença, estão sendo encontrados até na Avenida Paralela, via expressa movimentada da capital baiana. A região tem área remanescente de mata atlântica, e a ocupação desordenada acabou levando o inseto para a área urbana.
Segundo a coordenadora de Agravos da Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Saúde do estado, Isabel Xavier, houve redução de casos graças ao trabalho de melhora das casas de risco. Em 2006, quando foram notificados 13 casos da doença com duas mortes, constatou-se que os moradores mais atingidos moravam em casas de barro - onde o inseto encontra espaços para se abrigar.

Leishmaniose: inseto transmissor está mais perto do homem

Chico Otávio, O Globo

PORTO VELHO - A presença de flebotomíneos nas bordas de cidades em expansão, na fronteira agrícola de Rondônia, acendeu o sinal de alerta no Centro de Medicina Tropical do estado (Cemetron). Esses pequenos insetos, que voam curto, quase em saltos, são responsáveis pela transmissão de algumas doenças aos humanos e animais. A principal delas é a leishmaniose. Com o avanço humano sobre áreas silvestres, o inseto se adaptou, trocando a picada em capivaras e alguns roedores pelo sangue de cães e outros animais domésticos.
Os infectologistas ainda não somaram todas as notificações, mas a procura crescente de pessoas contaminadas aos ambulatórios e enfermarias do interior não deixa dúvidas.
- A reemergência da leishmaniose no Brasil está associada às áreas de ocupação recente, onde o homem passou a ficar exposto ao inseto - explica o infectologista Alex Miranda Rodrigues, do Cemetron.
Quem transmite a doença é o inseto fêmea, que nasce saudável e só se contamina após a primeira picada em $que carregam o parasita (Leishmania) . Elas transmitem a leishmaniose na segunda picada, quando injetam os protozoários na corrente sanguínea da vítima.
- Ao se adaptarem aos canídeos, os flebotomíneos conseguiram fechar o ciclo em áreas que chamamos peridomicílios. O homem não chega a ser a principal fonte de alimentação, mas a exposição dessas populações ao inseto é inevitável - afirma a infectologista Andréa Barbieri.
Como o tratamento, na primeira contaminação, dura 20 dias, os médicos lamentam o alto índice de abandono, pela impossibilidade de internação de pacientes que chegam de lugares distantes e não têm onde ficar. Embora Rondônia não seja afetada pela forma mais mortal, a visceral, mas pela forma tegumentar, Rodrigues e Andréa lembram que esse tipo, quando não tratado, pode provocar deformidades graves.
Os serviços de saúde combatem a doença com glucantime, chamada "droga medieval": está em uso desde os anos 1940. Rodrigues destaca que os grandes laboratórios não se interessam em produzir drogas para uma doença tropical que atinge populações empobrecidas.
 

Nordeste é área endêmica de leishmaniose

O Globo
  • DIA: 0,0
RECIFE - Segundo o médico Kelsen Eulálio, professor de doenças infecto-contagiosas do curso de medicina da Universidade Federal do Piauí (UFPI) e do Instituto de Doenças Tropicais Nathan Portella, o Nordeste é área endêmica da leishmaniose visceral. Piauí, Ceará e Bahia são os estados com mais casos.
De acordo com Ana Nilce Maia Elkhoury, do Programa de Doenças Transmitidas por Vetores e Antropozoonose do Ministério da Saúde, os tipos da doença são diferentes e as formas de contenção também. O Ministério da Saúde diz que tem feito esforço no diagnóstico precoce e na difusão de informações sobre a doença, pois a população não reconhece os sintomas.
Nilce afirma que, no caso da leishmaniose tegumentar, a prioridade são as ações preventivas. Ela diz que não há como erradicar a doença, uma vez que ela é essencialmente silvestre. Sobre a forma visceral, diz que há necessidade de ações mais complexas, com identificação das áreas prioritárias. Trabalha-se para reduzir o contato do homem com o vetor, seja pelo esclarecimento da população seja pelo controle químico, com borrifamento de inseticida.

Leishmaniose é registrada em 20 estados brasileiros

Éfrem Ribeiro, Letícia Lins, Natanael Damasceno, O Globo

José Ribamar, vítima da leishmaniose/ Foto Efrem Ribeiro
TERESINA, RECIFE, RIO - O agricultor José Ribamar Madeira de Albuquerque, de 52 anos, começou a sentir fraqueza e febre há seis meses. Percebia que os pés estavam inchando. Procurou o hospital da cidade onde mora, Miguel Alves, a 120 km ao norte da capital do Piauí, Teresina. Os médicos prescreveram medicamentos, mas os sintomas voltaram. Ele buscou outros hospitais públicos em Teresina, fez exames, mas não conseguia o diagnóstico sobre o que o afligia. Só depois de recorrer a um laboratório particular é que soube ser um dos quatro mil brasileiros que, a cada ano, contraem o tipo mais comum de leishmaniose, também chamada de calazar.
A quinta reportagem da série "Doenças da Negligência" mostra que a leishmaniose, incluída entre as chamadas doenças negligenciadas - que prevalecem em condições de pobreza, contribuem para a manutenção da desigualdade e são ignoradas pelos grandes laboratórios farmacêuticos por falta de interesse comercial - é um problema de saúde pública no país e no mundo.
Segundo estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS), chega a dois milhões os novos casos registrados no mundo, a cada ano, dos dois tipos da infecção - a visceral, mais comum e que tem se urbanizado, e a tegumentar, frequente em áreas silvestres. O Brasil responde por 90% dos casos de leishmaniose visceral notificados na América Latina. A doença vem se tornando emergente entre os portadores do HIV, segundo o último boletim da Secretaria Nacional em Vigilância em Saúde (SNVS). Além disso, o mal vem se expandindo no país.
Em 2000, 88% dos casos de leishmaniose registrados no Bra$estavam no Nordeste. Em 2008, porém, a região passou a ter 48% do total do país, enquanto, no mesmo período, os números evoluíram de 17% para 48% nas regiões Norte, Sudeste e Centro-Oeste. Já quanto ao tipo tegumentar, entre 2000 e 2008 foram notificados 238.749 casos no país. A incidência atual chega a 26.528 novos registros por ano, de acordo com o Ministério da Saúde. Entre 2000 e 2008 a prevalência da doença caiu 41%, de 20,3 casos por cem mil habitantes para 10,5 por cem mil.
Apesar do avanço do parasita que causa a doença, os medicamentos para tratá-la não mudam: a droga contra a leishmaniose é a mesma desde os anos 1940, e é muito tóxica. Não está disponível nas farmácias, pois as pessoas carentes não têm como comprá-la. Mas, segundo pesquisadores da Fiocruz, pelo menos ela não faltaria no serviço público, estando sempre disponível nos hospitais de referência.
Tida como doença rural, a leishmaniose visceral vem se urbanizando e já se espalhou pelo país, diz o pesquisador Sinval Pinto Brandão Filho, do Centro de Pesquisas Ageu Magalhães, órgão da Fiocruz em Recife. Ele acompanhou a doença por uma década em Pernambuco - onde, a cada ano, 1,2 mil pessoas são contaminadas, e onde Brandão Filho observou que, em dez anos, a proporção de municípios com o tipo visceral no estado passou de 15,2% para 78,3%:
- A forma visceral vem se espalhando pelo país e já foi detectada até mesmo em bairros de classe média de cidades importantes como Belo Horizonte, onde muitos cães morreram (no cão, que funciona como o reser$ório do inseto que transmite a infecção para o homem, a doença não tem cura).
O alerta de Brandão Filho sobre o avanço da enfermidade faz sentido. O próprio Ministério da Saúde reconhece que a doença vem se expandindo gradativamente. Em 2008, foram registrados casos autóctones (contraídos no próprio local) em 20 estados.
Em Teresina, o agricultor José Ribamar Madeira foi internado com leishmaniose visceral durante um mês, em um hospital especializado, o Instituto de Doenças Tropicais Nathan Portella, do governo do Piauí. Com a doença, seu peso foi de 60 kg para 40 kg. Após um mês de tratamento, o lavrador, ainda muito pálido, está com 50 kg. Com duas filhas, não conseguiu voltar ao trabalho, e diz que só sobrevive porque, viúvo, recebe pensão deixada pela mulher.
Embora letal nos caninos, a enfermidade pode ser tratada no homem. Caso contrário, resulta em morte. Provoca anemia, fraqueza, aumento do baço e do fígado, e se agrava muito em casos de pacientes desnutridos. O Ministério da Saúde registra que a letalidade da doença vem subindo: de 3,2% para 5,6%, entre 2000 e 2008, registrando- se maior morbidade na faixa etária a partir dos 50 anos, embora a doença seja mais comum entre crianças de até 10 anos, nas quais a letalidade chega a 10%, segundo o pesquisador.
Em 2008, foram feitas 2.996 internações pela visceral, com permanência média de 14 dias nos hospitais públicos. Recentemente, as autoridades sanitárias descobriram mais um motivo para preocupação: a coinfecção Leishmaniose/ HIV (o vírus da Aids), resultado da urbanização da visceral e da ruralização da Aids. Dos 3.852 pacientes confirmados da doença, 136 tinham o HIV, sendo 73,5% homens, com idade entre 20 e 49 anos.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Consumo de leite cru é condenado pelo Conselho Nacional de Mastite dos EUA


A venda direta para o consumidor final de leite cru ou de algum derivado lácteo produzido com leite cru é terminantemente proibido no Brasil desde a década de 1970. No entanto, dois fatores contribuem para a necessidade de abordar esse tema visando esclarecer o consumidor final dos potenciais riscos associados.

O primeiro fator é que uma parcela significativa do leite produzido é comercializada via mercado informal, o que indica que os consumidores não têm garantias de inocuidade destes alimentos. O segundo fator é a tendência de um grupo de consumidores que são sensíveis ao apelo do consumo de alimentos naturais, sem nenhum tipo de processamento industrial e com compra direta do produtor. Em ambos os casos, muitos destes consumidores são desinformados sobre os riscos do consumo de leite cru.

Considerando a importância do assunto, disponibilizamos a tradução na íntegra de um documento recentemente publicado pelo Conselho Nacional de Mastite dos EUA (NMC), que aborda os riscos do consumo do leite cru.

"O crescimento atual da demanda pelo consumo de leite cru reflete um mercado em constante expansão dentro de um cenário de produção local, natural e de alimentos não transformados. Para atender a essa demanda crescente, os produtores de leite estão se tornando mais envolvidos na venda e/ou distribuição do leite cru. O leite cru é o leite de vacas, ovelhas, cabras e outros animais, que não tenha sido pasteurizado.

A pasteurização do leite cru foi introduzida há vários anos para evitar a propagação de doenças zoonóticas transmitidas pelo leite, especialmente a tuberculose e brucelose. As qualidades nutricionais, o melhor sabor e os benefícios para a saúde têm sido defendidos como razões para consumir o leite cru. No entanto, há uma falta de dados com base científica para substanciar essas afirmações. Por outro lado, diversos riscos à saúde têm sido associados com o consumo de leite cru.

Um grande número de focos da doença foi notificado em pessoas após o consumo do leite cru. Por exemplo, 12 surtos documentados associados ao consumo de leite cru ocorreram nos EUA entre 2000 e 2008. A partir desses surtos, 435 pessoas foram diagnosticadas com infecções bacterianas transmitidas pelo consumo de produtos lácteos crus, com mais de 60 pessoas hospitalizadas e cinco mortes, incluindo natimortos devido à listeriose.

Durante este mesmo período, havia apenas dois surtos documentados associados com o consumo de produtos lácteos pasteurizados: um deles envolvia Listeria monocytogenes, e o outro, Salmonella typhimurium. A contaminação pós-pasteurização foi implicado em ambos os focos, embora o modo específico de contaminação não foi identificado.

Apesar de numerosos estudos demonstrarem que os riscos associados ao consumo de leite cru, muitas pessoas continuam a consumir leite cru. Baseado em histórico de doenças recentes associadas ao consumo de leite cru, de várias organizações, agência e associações incluindo U. S. Food and Drug Administration, U. S. Centers for Disease Control and Prevention, American Medical Association, American Academy of Pediatrics, American Public Health Association, American Veterinary Medical Association, U. S. Animal Health Association, U. S. Department of Agriculture, National Environmental Health Association, International Association for Food Protection, Health Canada, European Food Safety Authority, Food Standards Australia New Zealand, e a Organização Mundial da Saúde (OMS), todos têm declarações formais sobre os riscos associados com consumo de leite cru e defendem o consumo do leite pasteurizado.

Nos EUA, é uma violação da lei federal vender o leite cru para uso doméstico entre estados, sendo a venda intraestadual de leite cru ilegal em cerca de 20 estados. Entre os estados que permitem o comércio interestadual de leite cru destinado ao consumo humano, os regulamentos e as normas variam consideravelmente. Em alguns países como o Canadá, o leite cru não pode ser vendido.

Quando o leite cru é vendido legalmente, são necessárias estratégias para reduzir riscos à saúde humana, padrões mínimos adequados de regulação devem ser criados para assegurar que a rotulagem, higiene durante a ordenha e os níveis de contaminação microbiana sejam efetivamente monitorados e mantidos. A educação dos consumidores para alertar os riscos potenciais transmissão de doenças de origem alimentar pelo leite cru (e outros produtos lácteos) também é necessária.

Os regulamentos que exigem que os produtos lácteos não pasteurizados atendam as normas específicas de higiene e padrões microbiológicos têm funcionado efetivamente em outros países. O desenvolvimento de padrões microbiológicos para o leite cru parece ter mérito, mas exigem métodos que podem detectar uma variedade de patógenos diferentes e provavelmente teria um custo proibitivo. Além disso, os testes para o leite cru não podem ser usados como uma alternativa eficaz à pasteurização, uma vez que a incapacidade de um método para detectar um patógeno não indica sua ausência.

A exigência de advertências de saúde a ser adicionado visivelmente nos rótulos do leite cru pode ser um mecanismo útil para alertar os consumidores dos riscos inerentes ao seu consumo. Em alguns estados dos EUA há a exigência de rotulagem de advertência. No entanto, programas intensivos de educação são necessários para assegurar que as populações vulneráveis (idosos, gestantes, pessoas imunodeprimidas e as crianças) compreendam verdadeiramente os riscos que estão associados ao consumo destes produtos. Do ponto de vista da redução dos riscos ao nível da fazenda, o desenvolvimento de medidas de controle pré e pós-ordenha para minimizar a contaminação fecal do leite são fundamentais para o controle de patógenos.

Alguns agentes patogênicos alimentares dos seres humanos são endêmicos e comensais no gado leiteiro, sendo que os esforços de investigação de fatores de risco dentro da produção primária relacionada com a contaminação do leite cru são necessários. É provável que a contaminação bacteriana possa ser reduzida melhorando a higiene durante a ordenha, embora a eliminação completa destes riscos não seja factível.

De primordial importância é a necessidade de fornecer programas educativos e materiais visando aumentar a consciência dos riscos de contaminação microbiana para os produtores de leite, os funcionários de laticínios e consumidores.

Os produtores de leite que fornecem leite cru devem ser bem informados dos riscos e responsabilidades associadas com a venda de leite cru, assim como as empresas e seguradoras envolvidas na atividade. O aumento dos esforços educativos junto aos consumidores é essencial para protegê-los contra os riscos potenciais associados com o consumo de leite cru. Os esforços para educar e informar os políticos, reguladores e legisladores também são necessários para que as legislações sejam adequadas e os padrões microbiológicos do leite cru a ser vendidos para consumo humano possam ser estabelecidos.

O NMC (Nacional Mastitis Council dos EUA), juntamente com várias outras organizações de saúde pública, agências e associações recomendam o consumo de leite pasteurizado e desestimulam a venda e o consumo de leite cru. Nos estados (dentro dos EUA) onde o leite cru é vendido legalmente, o NMC estimula estratégias para reduzir riscos à saúde humana que são inerentes ao consumo destes produtos.

Tais estratégias incluem a elaboração de regulamentos de uniformes e normas de segurança, e a educação dos consumidores e produtores sobre a produção, venda e consumo de leite cru. Os programas educacionais são necessários para assegurar que as populações vulneráveis (idosos, gestantes, pessoas imunodeprimidas e as crianças) compreendam verdadeiramente os riscos que estão associados ao consumo destes produtos.

Embora estes esforços possam ser capazes de reduzir os riscos associados ao consumo de leite cru, a única forma segura de evitar doenças de origem alimentar associada ao leite cru é o consumo de leite que foi pasteurizado."

Fonte: tradução livre de Marcos Veiga dos Santos.

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Malária no pulmão


Por Fábio de Castro

Malária no pulmão
Estudo realizado por pesquisadora da Unifesp desvenda mecanismo fundamental para o desenvolvimento da síndrome respiratória aguda associada à malária, que atinge principalmente crianças e mulheres grávidas

Agência FAPESP – As lesões respiratórias agudas estão entre os vários problemas de saúde causados pela malária. Esse comprometimento pulmonar atinge, com frequência, crianças de até 3 anos de idade e mulheres grávidas e pode gerar um quadro de insuficiência respiratória que leva à morte. Os mecanismos que desencadeiam essas lesões, no entanto, eram até agora desconhecidos.
Uma nova pesquisa desvendou um dos mecanismos fundamentais para o desenvolvimento da síndrome respiratória aguda associada à malária. Os resultados do estudo serão publicados na edição de 20 de maio da revista PLoS Pathogens.
De acordo com a autora principal do estudo, Sabrina Epiphanio – professora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em Diadema (SP) –, o tema começou a ser estudado durante seu pós-doutorado, realizado entre 2003 e 2008 no Instituto de Medicina Molecular da Universidade de Lisboa e no Instituto Gulbenkian de Ciência, ambos em Portugal e foi finalizado no Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP).
De volta ao Brasil, Sabrina, que atualmente é professora do Departamento de Ciências Biológicas da Unifesp, retomou o trabalho que deu origem ao artigo e à sua linha de pesquisa atual, que trata da identificação e caracterização da síndrome respiratória associada à malária em modelos animais. Para o projeto de pesquisa, conta com apoio do Programa Jovens Pesquisadores em Centros Emergentes da FAPESP.
     “Muitos relatos de casos envolvendo malária pulmonar têm sido descritos na região amazônica, além de em regiões africanas e asiáticas. Pela primeira vez conseguimos desvendar um importante mecanismo envolvido na injúria respiratória aguda associada à doença”, disse à Agência FAPESP.
Alguns dos experimentos envolvidos no trabalho, de acordo com Sabrina, foram desenvolvidos em parceria com Claudio Marinho, professor do Departamento de Parasitologia do ICB-USP, que estuda – também com apoio do Programa Jovens Pesquisadores – os mecanismos imunopatológicos envolvidos na malária durante a gravidez.
     “A síndrome respiratória não é muito frequente, mas quando ocorre muitas vezes leva à morte. Além de acometer muitas crianças e mulheres grávidas, o problema também atinge amplamente os pacientes logo após o tratamento antimalárico. Ainda não sabemos por que isso ocorre”, explicou.
Segundo Sabrina, além de descobrir que um importante mediador inflamatório conhecido como VEGF está diretamente envolvido no desenvolvimento das lesões pulmonares, o trabalho propõe um novo modelo para futuros estudos das afecções respiratórias associadas à malária.
“Começamos trabalhando com outro enfoque, testando parasitas da malária em diferentes linhagens de camundongo. Mas observamos que determinada linhagem desenvolvia a síndrome respiratória aguda. Isso nos motivou a começar os estudos, já que não havia um modelo animal definido para isso. Desenvolvemos o modelo e começamos a montar um verdadeiro quebra-cabeça para descobrir os mecanismos que desencadeiam a síndrome”, disse Sabrina.

Monóxido de carbono

     O VEGF (sigla em inglês para fator de crescimento endotelial vascular) é uma molécula responsável pelo aumento da permeabilidade dos vasos sanguíneos. Os pesquisadores observaram que sua presença promovia o aumento da permeabilidade vascular no pulmão, gerando edemas e hemorragias característicos de uma injúria pulmonar aguda.
     “Utilizamos várias técnicas para desvendar os mecanismos. Observamos, por exemplo, que havia aumento do VEGF no soro dos animais que desenvolviam a síndrome respiratória. Depois utilizamos adenovírus que bloqueavam os receptores solúveis de VEGF e observamos que, com isso, o mediador inflamatório voltava aos níveis basais e o animal não desenvolvia o problema pulmonar”, explicou.
     Os cientistas utilizaram também o monóxido de carbono – que é uma molécula anti-inflamatória – para tratar os animais, conseguindo uma reversão do processo de injúria respiratória aguda. “O monóxido de carbono tem uma potente ação anti-inflamatória, antiapoptótica e antiproliferativa. Com ele, revertemos o quadro clínico dos animais, que não chegaram a desenvolver a síndrome”, disse Sabrina.
     Depois de desvendar o mecanismo crucial para o desenvolvimento da lesão respiratória associada à malária, os cientistas agora querem entender melhor a síndrome em relação a outros fatores inflamatórios. “O principal objetivo é avançar nos estudos com esse modelo que desenvolvemos e também gerar outros modelos, de forma a compreender cada passo do processo”, afirmou.
Segundo Sabrina, na década de1970 havia sido proposto um modelo animal com outra linhagem de camundongos, mas sua eficiência foi criticada e sua aplicação não evoluiu. “Consideramos que conseguimos desenvolver o primeiro modelo realmente eficiente”, disse.

domingo, 2 de maio de 2010

Pandemic (H1N1) 2009 - update 98


Weekly update

30 April 2010 -- As of 25th of April, worldwide more than 214 countries and overseas territories or communities have reported laboratory confirmed cases of pandemic influenza H1N1 2009, including over 17919 deaths.
WHO is actively monitoring the progress of the pandemic through frequent consultations with the WHO Regional Offices and Member States and through monitoring of multiple sources of information.

Situation update:

The current situation is largely unchanged since the last update. The most active areas of transmission of pandemic influenza H1N1 virus continue to be parts of West and Central Africa with some focal areas of activity in South and Southeast Asia. Pandemic influenza activity H1N1 remains low in much of the temperate areas of both the northern and southern hemispheres. Seasonal influenza type B virus is the predominant influenza virus, though also at low levels of circulation, across East Asia, Northern and Eastern Europe. Influenza type B viruses have also been detected in Central Africa and this week in West Africa. Seasonal influenza H3N2 viruses have continued to be detected in South and Southeast Asia, as well as sporadically in some countries of West and Central Africa, and Eastern Europe.
In Sub-Saharan Africa, data from a limited number of countries suggests that active transmission of pandemic influenza H1N1 virus is declining across West and West-central Africa. Ghana is reporting moderate amounts of pandemic virus (16 % of all clinical specimens tested were positive for pandemic influenza) but smaller numbers of cases continue to be detected in Senegal, Niger and Cameroon. In East Africa, influenza activity has returned to low levels. Only Rwanda has detected small numbers of pandemic virus in the past week. In addition, a few seasonal influenza H3N2 viruses are seen in Ghana. Influenza type B has been increasingly detected in the area, notably in Ghana and Cameroon.
In East Asia, pandemic influenza H1N1 virus circulation is now sporadic. In China, Mongolia, and Republic of Korea most influenza like illness cases continued to be primarily due to seasonal influenza type B viruses. In China and Mongolia influenza detections have continued to decline compared to previous recent weeks. The Republic of Korea reported increasing levels of respiratory disease activity associated with increasing detections of seasonal influenza type B in respiratory specimens over five consecutive weeks. Of note, small numbers of pandemic influenza H1N1, seasonal H3N2 and H1N1 viruses continued to be sporadically detected in some countries of the region.
In Southeast Asia, overall levels of influenza activity were low. Although the predominant influenza virus circulating was still pandemic influenza H1N1, there was co-circulation of seasonal influenza type B and, to a lesser extent, H3N2 viruses in several countries including Singapore, Cambodia, Indonesia and Thailand. Malaysia has reported increasing levels of respiratory diseases activity associated with pandemic influenza H1N1 laboratory confirmed cases. Media sources have also reported school closures in the country. In Singapore, influenza-like-illness levels are still below the seasonal epidemic threshold but have increased compared to previous week.
In South Asia, Bangladesh reported an increase in respiratory diseases activity associated with increasing numbers of pandemic influenza H1N1 laboratory confirmed cases since beginning of April. India reported pandemic influenza activity in the states of Maharashtra and recently Karnataka. Levels of respiratory diseases activity in both of these countries appear much less intense than in the initial wave of transmission which occurred late 2009. Although pandemic influenza is the predominant virus circulating in the region, seasonal influenza type B viruses continued to be detected in Iran and Bangladesh.
In the tropical zone of the Americas, limited data suggested that pandemic influenza H1N1 activity remains low but with a few localized areas of transmission. Jamaica, Panama and Guatemala, reported increasing trends in respiratory disease activity. In Cuba, all provinces reported an increase in numbers of acute respiratory diseases cases in the last two weeks, mainly from the city of Havana. In Peru, the number of pneumonia cases in children under 5 years of age in Lima has been increasing since six consecutive weeks and remained above the epidemic threshold. However, the extent to which these pneumonia cases have been due to pandemic influenza H1N1 virus is not known. Notably, respiratory syncitial virus (RSV) has been reported to be circulating in the area.
In the temperate zone of the Northern Hemisphere, overall pandemic influenza H1N1 activity remained low. In United States, the proportion of outpatient visits for influenza-like illness was below the national baseline. No influenza B is reported by countries of North America. In Europe, pandemic influenza activity is at very low intensity in all countries. The overall proportion of sentinel respiratory samples testing positive for influenza remained stable at about 4.5%. For the current week, the total number of sentinel influenza B detections continued to exceed that of influenza A, mainly due to viral detections from Eastern Europe: Central, Siberian, Far Eastern regions of the Russian Federation and Kazakhstan.
In the temperate countries of the Southern Hemisphere, influenza-like illness activity remained low and at the levels experienced at the same time in previous years. Australia has continued to report sporadic detections of pandemic influenza H1N1, seasonal influenza B and H3N2 viruses in low numbers in recent weeks.
The Global Influenza Surveillance Network (GISN) continues monitoring the global circulation of influenza viruses, including pandemic, seasonal and other influenza viruses infecting, or with the potential to infect, humans including seasonal influenza. For more information on virological surveillance and antiviral resistance please see the weekly virology update (Virological surveillance data, below).
The cumulative total for reports of antiviral resistant isolates of pandemic (H1N1) 2009 virus remains at 285. There have been no new cases reported since the situation update on 16 April 2010. 

28 April 2010 -- For this reporting week (15-28 April 2010), no additional cases of oseltamivir resistant pandemic influenza A (H1N1) 2009 viruses have been reported. The cumulative total remains at 285 so far. All but one of these have the H275Y substitution and are assumed to remain sensitive to zanamivir.

*Countries in temperate regions are defined as those north of the Tropic of Cancer or south of the Tropic of Capricorn, while countries in tropical regions are defined as those between these two latitudes. 

**Abbreviations: influenza-like-illness (ILI), acute respiratory infection (ARI), and severe acute respiratory infection (SARI)



MAP OF INFLUENZA ACTIVITY AND VIRUS SUBTYPES (WEEK 15: 11 APRIL - 17 APRIL 2010)



Description: Displayed data reflect the most recent data reported to Flunet (www.who.int/FluNet), WHO regional offices or on Ministry of health websites in the last 2 weeks. The percent of specimens tested positive for influenza includes all specimens tested positive for seasonal or pandemic influenza. The pie charts show the distribution of virus subtypes among all specimens that were tested positive for influenza. The available country data were joined in larger geographical areas with similar influenza transmission patterns to be able to give an overview (http://www.who.int/csr/disease/swineflu/transmission_zones/en)

Qualitative indicators (Week 29 to Week 15: 13 July 2009 - 17 April 2010)

The qualitative indicators monitor: the global geographic spread of influenza, trends in acute respiratory diseases, the intensity of respiratory disease activity, and the impact of the pandemic on health-care services.

The maps below display information on the qualitative indicators reported. Information is available for approximately 60 countries each week. Implementation of this monitoring system is ongoing and completeness of reporting is expected to increase over time.

Geographic spread of influenza activity

Trend of respiratory diseases activity compared to the previous week

Intensity of acute respiratory diseases in the population

Impact on health care services

Laboratory-confirmed cases of pandemic (H1N1) 2009 as officially reported to WHO by States Parties to the IHR (2005) as of 25th of April 2010



The countries and overseas territories/communities that have newly reported their first pandemic (H1N1) 2009 confirmed cases since the last web update (No. 97): none.
The countries and overseas territories/communities that have newly reported their first deaths among pandemic (H1N1) 2009 confirmed cases since the last web update (No. 97): none.
Region
Deaths*


WHO Regional Office for Africa (AFRO)
168
WHO Regional Office for the Americas (AMRO)
At least 8316
WHO Regional Office for the Eastern Mediterranean (EMRO) **
1019
WHO Regional Office for Europe (EURO)
At least 4835
WHO Regional Office for South-East Asia (SEARO)
1773
WHO Regional Office for the Western Pacific (WPRO)
1808


Total*
At least 17919
*The reported number of fatal cases is an under representation of the actual numbers as many deaths are never tested or recognized as influenza related.
**No update since 7 March 2010

sábado, 24 de abril de 2010

LEISHMANIOSE TEGUMENTAR AMERICANA - Série: Situação Epidemiológica Das Zoonoses de Interesse para a Saúde Pública

Leishmaniose Tegumentar Americana – 2008
http://portal. saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/boletim_eletronico_02_ano10.pdf


Introdução
     A Leishmaniose Tegumentar Americana (LTA) é uma zoonose amplamente distribuída no continente americano, estendendo-se do sul dos Estados Unidos ao norte da Argentina. É considerada uma das doenças infecciosas de maior relevância nas Américas. No Brasil a doença está amplamente distribuída, com casos autóctones em todas as regiões e unidades federadas.
     Estudos epidemiológicos da LTA sugerem mudanças no comportamento da doença, com a coexistência de um duplo perfil epidemiológico, sendo um deles proveniente de casos originários de focos antigos ou de áreas próximas a eles, e o outro, de surtos epidêmicos associados ao desenvolvimento de atividades econômicas, realizadas em condições ambientais altamente favoráveis à transmissão da doença, como garimpos, expansão de fronteiras agrícolas e extrativismo, entre outras.

Situação epidemiológica 
     De 2000 a 2008 foram registrados 238.749 casos de LTA no país, com média anual de 26.528 casos novos. No entanto, observa-se uma redução de 41% dos casos em 2008, quando comparado a 2000.
     O coeficiente de detecção passou de 20,3 casos por 100 mil habitantes no primeiro ano, para 10,5 casos por 100 mil habitantes no último ano do período analisado (Figura 23).


Figura 23. Casos e coeficiente de detecção de LTA. Brasil, 2000 a 2008.Fonte: Sinan/SVS/MS.

     As regiões Norte e Nordeste vêm contribuindo, ao longo dos anos, com os maiores percentuais de casos do país, de modo que, do total confirmado no período de 2000 a 2008, 39,4% (94.169/238.749) ocorreram na região Norte; 31,7% (75.657/238.749), na região Nordeste; 15,9% (37.853/238.749), na região Centro-Oeste; 9,6% (22.903/238.749), no Sudeste; e 2,6% (6.161/238.749), na região Sul (Figura 24).


Figura 24. Casos de LTA e percentual, segundo região de residência. Brasil, 2000 a 2008.

Em 2008 foram registrados 19.992 casos novos de LTA no país, cujas características estão descritas na Tabela 5.

Tabela 5. Características demográficas e clínicas dos casos de LTA. Brasil, 2008. Fonte: Sinan/SVS/MS.

     Considerando a importância da coinfecção Leishmania- HIV no país, a partir de 2007 foi inserida na ficha de LTA uma variável específica para conhecer o perfil da coinfecção entre os casos desse tipo de leishmaniose, de modo que, do total de registros desta endemia em 2008, 1,3% (267/19.992) eram HIV positivo.
     Análises parciais, realizadas considerando-se o indicador de densidade de casos, no período de 2005 a 2007, mostram que existem 25 circuitos ativos de produção de LTA de importância epidemiológica no Brasil. Verifica-se que aproximadamente 47% dos casos registrados em 2008 estão inseridos nos circuitos de produção da doença, distribuídos em 463 municípios (Figura 25).


Figura 25. Densidade de casos e circuitos de produção de LTA por município. Brasil, 2005 a 2007, e casos em 2008. Fonte: Sinan/SVS/MS.

Considerações Finais
     A LTA é uma endemia de grande complexidade, pois envolve diferentes espécies de vetores, reservatórios e agentes etiológicos que, em conjunto com a ação do homem sobre o meio ambiente, dificultam as ações de controle.
      As ações recomendadas são específicas para cada área, segundo a situação epidemiológica e estão centradas no diagnóstico precoce, no tratamento adequado dos casos humanos – além da identificação do agente etiológico circulante e do vetor predominante – e na redução do contato homem-vetor, através da adoção de medidas de proteção individuais e coletivas específicas.