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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Ministério confirma 2º caso de raiva humana em 2010

Agencia Estado

O Ministério da Saúde confirmou hoje o primeiro caso de raiva humana provocada por ataque de cão em 2010. Trata-se de um agricultor de 26 anos, residente em Carneiro, zona rural da cidade cearense de Chaval. O rapaz foi mordido há três meses por um cão da família. Este é o segundo caso de raiva humana registrado no País este ano. A primeira infecção, provocada por mordida de morcego, ocorreu no Rio Grande do Norte. O paciente morreu.

De acordo com informações da Secretaria Municipal de Saúde de Carneiro, apesar de ter sido informado sobre riscos, o agricultor recusou-se a tomar vacina contra a doença. Técnicos da vigilância sanitária entrevistaram familiares da vítima. Segundo as informações obtidas, quando atacou o agricultor, o cachorro apresentava ferimento na perna. Dias depois do acidente, o animal morreu. Até hoje à tarde o paciente permanecia internado, em estado grave.
No ano passado foram confirmados dois casos de raiva humana no País. A doença pode ser transmitida por meio da arranhadura, lambida ou mordida de um animal infectado. Os principais transmissores são cães, gatos, saguis e morcegos.
Vacina
Para Ministério da Saúde, a confirmação do caso humano reforça a necessidade de imunizar animais. A pasta mantém uma campanha de vacinação de cães e gatos no País desde a primeira semana de junho. No entanto, relatos de mortes provocadas por reações adversas da vacina preocuparam donos dos animais.
Em São Paulo, a vacinação foi suspensa depois de sete cães e gatos morrerem após serem imunizados. Em todo o Brasil, foram notificadas 79 reações adversas graves - um número que, de acordo com ministério, está em conformidade com o que é encontrado na literatura internacional. Até setembro, 1,3 milhão de animais foram imunizados. O ministério não informou se o número está dentro da margem esperada.

Enviado por e-mail por Sérgio Pereira
Fonte G1

sexta-feira, 23 de abril de 2010

RAIVA - Série: Situação Epidemiológica Das Zoonoses de Interesse para a Saúde Pública

Raiva – 2009


Introdução
A raiva no Brasil vem mudando seu perfil epidemiológico nas últimas décadas. Apesar dos avanços no controle da raiva canina, novos desafios vêm surgindo e reemergindo. Nos últimos anos, houve uma redução de casos em humanos, porém com um pico nos anos de 2004 e 2005 devido à ocorrência de surtos de raiva humana, transmitida por morcegos hematófagos, no Maranhão e no Pará (Figura 11).



Figura 11. Casos de raiva humana por espécie agressora no Brasil, 1986 a 2009. Fonte: Sinan/SVS/MS.

Raiva humana
Nos últimos dez anos, foram notificados 163 casos humanos, sendo que 47% (77/163) foram transmitidos por cães e 45% (73/163) por morcegos. Na década anterior foram registrados 412 casos, dos quais 72% (297/412) tiveram o cão como agressor e 12% (49/412), os morcegos. Isso demonstra a reemergência do ciclo silvestre e o controle do ciclo urbano no país.
No ano de 2009, os dois casos humanos registrados ocorreram em municípios maranhenses e ambos foram agredidos por cães (Figura 12). Destaca-se que os casos não receberam esquema profilático adequado e em tempo oportuno.


Figura 12. Distribuição de raiva humana transmitida por cão no Brasil, 2009. Fonte: Sinan/SVS/MS.

Profilaxia e tratamento da raiva humana
Em caso de agressão por animais, mesmo para ferimentos superficiais ou aparentemente sem importância, deve-se lavar imediatamente o local com água e sabão e procurar o posto de saúde para receber orientações quanto ao esquema de profilaxia da raiva humana (soro e vacina antirrábica). As agressões por morcegos, apesar de aparentemente serem consideradas sem gravidade pela população para a transmissão da raiva, são consideradas acidentes graves e necessitam receber esquema profilático completo de raiva, com indicação de vacina e soro antirrábico humano.
Sua importância resultou na pactuação do esquema profilático pós-exposição para raiva humana, em todas as pessoas que forem agredidas por morcegos, na Programação das Ações de Vigilância em Saúde (PAVS).
Os atendimentos antirrábicos humanos notificados têm aumentado nos últimos dez anos. Em 2000, foram registradas pelo menos 234 mil ocorrências e, no último ano, mais de 440 mil atendimentos. Em 2009, aproximadamente 84% (369.600/440 mil) dos atendimentos referiram exposição a cães domésticos, e 11% (48.400/440 mil), a gatos (Figura 13).



Figura 13. Número de atendimento antirrábico humano por espécie agressora no Brasil, 2000 a 2009.* Fonte: Sinan/SVS/MS.
*Dados parciais, sujeitos a alterações.

A perspectiva de tratamento de raiva humana surgiu em 2004, com a cura de uma paciente residente nos Estados Unidos, submetida ao Protocolo de Milwaukee. Em 2008, no Brasil, um jovem de 15 anos foi mordido por um morcego hematófago e contraiu a doença. Esse paciente teve o diagnóstico confirmado pela técnica de RT-PCR no folículo piloso. O rapaz foi submetido ao Protocolo de Milwaukee adapatado e evoluiu para a cura.
Em virtude desse acontecimento, o Ministério da Saúde reuniu médicos, enfermeiros, veterinários, epidemiologistas e laboratoristas e publicou o Protocolo de Tratamento de Raiva Humana, denominado Protocolo de Recife, disponibilzado na Revista Epidemiologia e Serviços de Saúde do SUS do Brasil, volume 18, nº 4, edição outubrodezembro de 2009 (http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/revista_vol18_n4.pdf).
Depois disso, outros dois pacientes também foram submetidos ao mesmo protocolo, aumentando-lhes a sobrevida. Porém, ambos evoluíram para óbito, reforçandose a tese de que a profilaxia da raiva, oportuna e adequada, ainda é a melhor alternativa.

Raiva animal
A raiva canina vem acompanhando o decréscimo da raiva humana. Segundo Schneider, em 1980 foram registrados 4.570 casos caninos; em 2009, apenas 26 casos em cães e dois em felinos foram notificados ao Ministério da Saúde.
Reforçando-se a emergência do ciclo silvestre, destaca-se que entre os 26 casos caninos notificados, três pertenciam à variante 3, compatível com Desmodus rotundus; um foi de variante não compatível; e um da variante 1 (variante introduzida no Mato Grosso do Sul, na fronteira com a Bolívia, em 2006).
Para garantir que não haja circulação do vírus da raiva em cães foi pactuado na PAVS o envio de 0,2% de amostras caninas, com suspeita de doença neurológica, para exame laboratorial da raiva. Outra estratégia adotada para o controle da raiva canina foi a substituição da vacina, produzida em tecido nervoso de camundongos, pela de cultivo celular.
Em 2009, para as áreas consideradas de risco (região Nordeste, Corumbá/MS e Marabá/PA) iniciou-se a substituição da vacina, finalizando-se o processo em 2010 para todo o país.
A cobertura vacinal canina de no mínimo 80% é outra pactuação feita na PAVS. No ano de 2009, foram vacinados 19.133.345 cães e 4.039.327 gatos, com cobertura vacinal canina de 81% (19.133.345/23.513.039) até o momento (dados parciais) (Figura 14).

Figura 14. Casos humanos transmitidos por cães, casos de raiva canina e cobertura vacinal antirrábica canina no Brasil, 2000 a 2009.* Fonte: SVS/MS.
*Dados parciais, sujeitos a alterações.

Devido ao controle que se vem obtendo no ciclo urbano e à melhoria da vigilância sobre espécies silvestres, os casos de raiva nesse ciclo vêm aumentando no país. Destaca-se o elevado número de episódios de raiva em morcegos nãohematófagos, identificados por meio da vigilância passiva de animais encontrados mortos ou em situações não habituais, como os localizados durante o dia ou caídos no chão.
Essa vigilância é importante para determinar o real perfil da doença no país, tal como vem sendo realizada nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Pernambuco, entre outros. Os resultados dessa vigilância são demonstrados no mapa a seguir, com notificação, no ano de 2009, de raiva em 158 morcegos nãohematófagos, 16 em morcegos hematófagos, 22 em canídeos silvestres, três em primatas não-humanos e um gato do mato (dados parciais) (Figura 15).


Figura 15. Casos de raiva silvestre no Brasil, 2009.* Fonte: SVS/MS.
*Dados parciais, sujeitos a alterações.

Além disso, a vigilância passiva em rodovias e estradas, por meio da busca de animais mortos ou atropelados, também está sendo implementada principalmente na região Nordeste, onde se registra o maior número de casos de raiva em espécies silvestres terrestres, como os canídeos silvestres e os primatas não-humanos.


Comentários
Em 2009, o Brasil registrou dois casos de raiva humana, ambos no estado do Maranhão, e 26 casos caninos
concentrados principalmente na região Nordeste, demonstrando ser esta a região de maior risco no país, onde as ações devem ser implementadas. Dessa forma, é imprescindível a realização dos bloqueios de foco (em até 72 horas), a manutenção de altas coberturas vacinais caninas, a captura e a eutanásia de cães em áreas de foco de raiva, a revisão da estimativa populacional canina, o monitoramento da circulação viral e a educação em saúde.
Em relação à profilaxia, destaca-se a necessidade de realizá-la em tempo oportuno e adequadamente, devendo a população considerar toda exposição a animal como grave, procurando a assistência, que indicará ou não o esquema de profilaxia de raiva humana. Apesar da ocorrência da cura de raiva humana registrada em 2008 e do estabelecimento do Protocolo para Tratamento de Raiva Humana em 2009, a SVS orienta que a profilaxia é a melhor maneira de prevenção, pois a chance de cura ainda é pequena e não se tem conhecimento suficiente sobre as sequelas que o paciente pode apresentar.
Para monitoramento da raiva em espécies silvestres destaca-se a importância da vigilância passiva, com o envio de animais mortos ou atropelados, e de morcegos encontrados em situação não habitual para diagnóstico laboratorial da raiva.

sábado, 3 de abril de 2010

Risk for Transmission of Pandemic (H1N1) 2009 Virus by Blood Transfusion


Chieko Matsumoto, Comments to Author Rieko Sobata, Shigeharu Uchida, Takao Hidaka, Syunya Momose, Satoru Hino, Masahiro Satake, and Kenji Tadokoro

Author affiliation: Japanese Red Cross Society Blood Service Headquarters, Tokyo, Japan
To the Editor: Influenza A pandemic (H1N1) 2009 virus emerged in early 2009 in Mexico and has since spread worldwide. In Japan, the first outbreak of the novel influenza was reported in May 2009 (1) and became pandemic in November. Although no cases of transfusion-transmitted influenza have been published, evidence exists of brief viremia before onset of symptoms (2,3). The possibility of transmission of this virus through transfusion of donated blood is of concern. The Japanese Red Cross Blood Centers have intercepted blood products with accompanying postdonation information indicating possible pandemic (H1N1) 2009 infection and attempted to identify the viral genome in those products by using nucleic acid amplification technology (NAT).
Figure
Figure.
Figure. Number of blood donations from persons for whom pandemic (H1N1) 2009 infection was diagnosed postdonation and time between donation and diagnosis, by donor age, Japan.
During June–November 2009, blood samples were collected from plasma and erythrocyte products that had been processed from donations; postdonation information indicated diagnosis of pandemic (H1N1) 2009 infection soon after donation. Viral RNA was extracted from plasma samples and erythrocyte fractions by using a QIAamp Virus Biorobot MDx kit (QIAGEN, Valencia, CA, USA) and a High Pure Viral Nucleic Acid Large Volume kit (Roche Diagnostics, Indianapolis, IN, USA), respectively. RNA samples were subjected to real-time reverse transcription–PCR (RT-PCR) of hemagglutinin (HA) and matrix (M) genes of influenza A by using PRISM 7900 (Applied Biosystems, Foster City, CA, USA). The RT-PCR of HA was specific for pandemic (H1N1) 2009 virus, whereas the RT-PCR of M was designed to detect both pandemic (H1N1) 2009 and seasonal influenza A viruses. The sequences of probes and primers were synthesized according to the protocols developed by the Japanese National Institute of Infectious Diseases (4). Either 200 μL of a plasma sample or 100 μL of packed erythrocytes was used for each test, and the test was performed 2× for each gene in each sample. Before the investigation using donated blood samples, the sensitivity of the NAT system was checked by spiking experiments. Viral particles of pandemic (H1N1) 2009 virus (A/California/04/2009 [H1N1]), donated by the National Institute of Infectious Diseases, were spiked into plasma and erythrocyte samples from healthy volunteers. Viral RNA was detected in the plasma samples spiked with viral particles corresponding to 300 genome equivalents/mL and in the packed erythrocyte samples spiked with viral particles corresponding to 3,000 genome equivalents/mL.
NAT was conducted by using 96 plasma and 67 erythrocyte samples obtained from 96 blood donors who had symptoms of influenza within 7 days postdonation. For 20 donors, pandemic (H1N1) 2009 was diagnosed within 1 day postdonation and, for another 20, within 2 days postdonation (Figure). Pandemic (H1N1) 2009 virus was not found in any of the samples tested, but it was consistently detected in the external positive control. These results suggest that the viremia with pandemic (H1N1) 2009 virus, if any, is very low and can be missed by current NAT or that the viremic period is too brief to identify viremia. Although the risk for transmission of pandemic influenza by transfusion seems to be low, further investigation is needed to elucidate this risk.

References

  1. Shimada T, Gu Y, Kamiya H, Komiya N, Odaira F, Sunagawa T, et al. Epidemiology of influenza A (H1N1)v virus infection in Japan, May–June 2009. Euro Surveill. 2009;14:pii:19244.
  2. Likos AM, Kelvin DJ, Cameron CM, Rowe T, Kuehnert MJ, Norris PJ. Influenza viremia and the potential for blood-borne transmission. Transfusion. 2007;47:1080–8. PubMed DOI
  3. Khakpour M, Saidai A, Naficy K. Proved viraemia in Asian influenza (Hong Kong variant) during incubation period. BMJ. 1969;4:208–9. PubMed DOI
  4. Kageyama T. H1N1 novel influenza. In: Pathogen detection manual (version 1) [in Japanese]. Tokyo: National Institute of Infectious Diseases; 2009.

Figure

Suggested Citation for this Article

Matsumoto C, Sobata R, Uchida S, Hidaka T, Momose S, Hino S, et al. Risk for transmission of pandemic (H1N1) 2009 virus by blood transfusion [letter]. Emerg Infect Dis [serial on the Internet]. 2010 Apr [date cited]. http://www.cdc.gov/EID/content/16/4/722.htm
DOI: 10.3201/eid1604.091795