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sábado, 12 de março de 2011

Leishmaniose visceral – revisão de literatura


Leishmaniose visceral – revisão de literatura 
Brandão TGE, Montanha FP
Revista Científica Eletrônica de Medicina Veterinária 2011; 9 (16)


Protozoa of the genus Leishmania are the causal agents of visceral leishmaniasis. Leishmania (Leishmania) chagasi is the species found in Brazil. The disease affects humans and other animal species, but mainly dogs. The transmission between vertebrate hosts occurs through the bite of a phlebotomine. Clinical diagnosis of canine visceral leishmaniasis is difficult due to the variety of clinical manifestation that the disease may present. The clinical signs are not pathognomonic, bearing similarities to other infectious illnesses. Diagnosis confirmation is usually based on molecular, serological and parasitogical methods, once the limitations of each method are known. The current review attempts to approach the etiopathogenesis, the symptoms and the different diagnostic methods of the disease.
Text in Portuguese

http://www.revista.inf.br/veterinaria/revisao/RV08.pdf

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

BRASIL E REINO UNIDO ESTUDAM TERAPIAS PARA A LEISHMANIOSE



As pesquisas com foco em novas terapias para a leishmaniose foram identificadas como uma das possíveis áreas de interesse comum para cooperações entre cientistas do Brasil e do Reino Unido durante o UK-Brazil Tropical Medicine Workshop, encerrado nesta terça-feira (22/2) na capital paulista.

A partir de experiências de colaborações existentes nos estudos sobre a leishmaniose entre os dois países, alguns dos participantes do evento constataram que as cooperações científicas internacionais são mais proveitosas quando se baseiam em relacionamentos de longo prazo e na confiança mútua.

O evento de dois dias promovido pela FAPESP e pelo Consulado Britânico em São Paulo reuniu 30 cientistas do Brasil e do Reino Unido com o objetivo de incrementar as cooperações entre os dois países nas pesquisas sobre doenças tropicais. Iniciativa da Academia de Ciências Médicas (AMS, na sigla em inglês) do Reino Unido, o workshop integra a Parceria Brasil-Reino Unido em Ciência e Inovação.

Além de identificar áreas de interesse mútuo para pesquisa sobre doenças como leishmaniose, malária, esquistossomose e doença de Chagas, o evento também teve o objetivo de discutir os mecanismos de financiamento para as parcerias.

Durante o evento, Silvia Uliana, professora do Departamento de Parasitologia do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP), apresentou um trabalho de seu laboratório, ainda em andamento, relacionado a novas terapias para a leishmaniose.

O grupo de Silvia testou a aplicação do tamoxifeno, medicamento amplamente utilizado no tratamento de câncer de mama, para leishmaniose. A droga foi testada em diferentes modelos animais, em combinação com outras utilizadas contra a Leishmania e em várias vias de administração. Os resultados preliminares são promissores.

“A vantagem de adaptar o uso de um medicamento que já está no mercado é que ele possui um perfil de segurança conhecido. No tratamento de câncer, há efeitos colaterais, mas a administração é feita continuamente por cinco anos. No tratamento da leishmaniose, a proposta seria diferente, com aplicação por apenas algumas semanas”, disse Silvia à Agência FAPESP.

No entanto, os cientistas ainda não sabem se o tamoxifeno poderá ser utilizado em pacientes humanos. Embora os testes clínicos de fase 1 sejam dispensáveis, pois o medicamento já foi aprovado para uso em humanos para o câncer, ainda será preciso realizar os testes clínicos de fase 2. “Além disso, embora o medicamento tenha se mostrado eficiente para matar a Leishmania, ainda não sabemos como ele faz isso. É preciso estudar a fundo seu mecanismo de ação”, disse.

Conhecer o mecanismo de ação é fundamental, porque o tamoxifeno é um modulador do receptor de estrógeno e, por isso, existe possibilidade de que tenha limitações para o uso em crianças ou mulheres em idade fértil.

“A longo prazo, os estudos sobre o mecanismo de ação podem nos levar a entender como modificar a molécula do tamoxifeno para impedi-la de interagir com o receptor de estrógeno, mantendo seu efeito contra a Leishmania”, indicou a pesquisadora.

É nesse contexto que a colaboração com cientistas do Reino Unido pode trazer avanços importantes. “Ainda não temos uma cooperação nesse trabalho específico da quimioterapia com tamoxifeno, mas nosso laboratório tem vários outros projetos em andamento com participação com colegas britânicos”, disse Silvia.

A pesquisadora realizou seu pós-doutorado, em 1995 e 1996 no laboratório liderado por Deborah Smith – outra participante do workshop, também especialista em leishmaniose – no Imperial College of Science, Technology and Medicine, em Londres, com Bolsa da FAPESP. Desde então, as pesquisadoras desenvolvem interações científicas. Deborah atua hoje na Universidade de York, também no Reino Unido.

“O trabalho que será desenvolvido para compreender os mecanismos de ação do tamoxifeno sobre a Leishmania certamente terá colaboração desse grupo britânico. A infraestrutura de pesquisa deles será importante para determinadas técnicas que utilizaremos para o avanço dessa pesquisa”, disse Silvia. 

Trabalho a longo prazo e confiança mútua

De acordo com Deborah, as colaborações de longo prazo com cientistas brasileiros – em especial paulistas – têm sido fundamentais para o desenvolvimento de suas pesquisas.

“Nosso foco é o trabalho com leishmaniose, em ciência molecular e celular, visando ao desenvolvimento de novas terapias. Para fazer isso, é preciso colaborar com colegas em países endêmicos, onde haja acesso a novo conhecimento sobre muitas linhagens e especificidades que não temos no Reino Unido, onde não existe a leishmaniose”, disse Deborah à Agência FAPESP.

Segundo ela, a parceria com Silvia é um exemplo de sucesso para as futuras cooperações entre cientistas dos dois países. Desde que tiveram contato em 1995, as duas pesquisadoras já publicaram diversos artigos juntas.

“É especialmente importante ter bons contatos, de modo que possamos estabelecer relacionamentos de longo prazo e trabalhar juntos de maneira perene. No caso de Silvia, nos encontramos regularmente quando venho ao Brasil. No futuro, esse é o tipo de relacionamento que eu quero expandir”, afirmou Deborah.

Um aspecto central da parceria, segundo ela, é o intercâmbio de estudantes dos dois países, que têm diferentes necessidades de treinamento. “As portas do meu laboratório em York estão abertas para os estudantes brasileiros que precisam receber algum tipo específico de treinamento. Sei que meus estudantes também serão recebidos em São Paulo para realizar determinado tipo de trabalho, como testar seus projetos em situação de campo”, afirmou.

Outro exemplo de bom relacionamento de cooperação de pesquisa, segundo Deborah, é sua conexão com a equipe de outra participante do workshop: Angela Kaysel Cruz, professora do Departamento de Biologia Celular e Molecular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

Angela trabalha com a genética da Leishmania e coordena um Projeto Temático sobre o tema, com financiamento da FAPESP.

“Nós duas trabalhamos no desenvolvimento do projeto genoma da Leishmania. Entramos em contato pela primeira vez há muitos anos e em 1994 tivemos nosso primeiro encontro de planejamento, no Rio de Janeiro. Atualmente, trabalhamos em conjunto com encontros bastante regulares. Ao longo desse tempo, foi possível estabelecer uma relação de confiança mútua que é fundamental para o avanço científico nesse tipo de pesquisa”, disse Deborah. 


Fonte: Agência FAPESP


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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

CONSELHOS FEDERAL E REGIONAIS DE MEDICINA VETERINÁRIA DIVULGAM POSICIONAMENTO SOBRE A LEISHMANIOSE VISCERAL

CONSELHOS FEDERAL E REGIONAIS DE MEDICINA VETERINÁRIA DIVULGAM POSICIONAMENTO SOBRE A LEISHMANIOSE VISCERAL
CARTA DE BRASÍLIA

         A Leishmaniose Visceral (LV) é uma zoonose cujo agente etiológico no Brasil é o protozoário Leishmania chagasi. Constitui-se uma enfermidade de evolução crônica transmitida aos seus hospedeiros através da picada de fêmeas de flebotomíneos, Lutzomyia longipalpis Lutzomyia cruzi, conhecido como mosquito-palha, birigui, asa delta e cangalhinha.

         A LV acomete especialmente os cães, mas também raposas, gambás e secundariamente o homem. Associado a isso estudos vem apontando o risco de infecção também para felinos, roedores e equídeos. Entretanto, especificamente no ambiente doméstico de áreas urbanas e rurais, os cães são os principais reservatórios sendo considerado o principal elo da cadeia epidemiológica da doença. Tal afirmação se dá devido ao longo período de incubação da doença nos cães o que faz com que animais aparentemente sadios (assintomáticos) continuem mantendo ativa a cadeia de transmissão da doença. Por esta razão o tratamento dos cães não é permitido pelos órgãos públicos já que os fármacos atualmente empregados no tratamento da Leishmaniose visceral não eliminam o parasito do organismo do cão. Em razão disso e devido à íntima relação do cão com seus proprietários, manter um animal infectado em áreas receptivas para o vetor é um risco para a população - principalmente crianças, idosos e pessoas imunocomprometidas.

         Um outro ponto importante da profilaxia da doença são as vacinas contra LV canina atualmente em comercialização, entretanto, para renovação de registro seus fabricantes tiveram que executar os estudos de Fase III para análise junto ao Ministério da Agricultura (MAPA) e Ministério da Saúde (MS) e no momento se aguarda a definição dos dois ministérios sobre a conclusão dessa análise. É importante também enfatizar que os fabricantes das vacinas precisam produzir antígenos que não interfiram nos resultados laboratoriais de inquéritos sorológicos, pois nesse caso o impasse continuará, já que não poderemos diferenciar cães vacinados de infectados e nesse contexto. Em face dessas informações, observa-se que o poder público tem investido de maneira fragmentada e descontinuada na profilaxia da LV deixando de considerar a associação das estratégias.

         Assim, as questões relativas à LV devem ser tratadas pela transversalidade interinstitucional entre MAPA, MS, Ministério do Meio Ambiente, Ministério Público e Conselhos de Medicina Veterinária.

·        Revisão, interpretação e padronização dos testes diagnósticos, os quais devem ser licenciados pelo MAPA, em particular, a espécie a que se destine e purificação dos antígenos utilizados e a diluição padrão para determinar a positividade dos cães.

·        Reavaliação e normatização da metodologia preconizada pelo MS para os inquéritos amostrais e censitários canino.

·        Elaboração de protocolos e fomentar pesquisas referentes à biologia do vetor e o “possível” papel de outros flebotomíneos na cadeia de transmissão.

·        Previsão orçamentária para estímulo às pesquisas de validação das atuais medidas de diagnóstico e controle de tratamento do cão com LV.

·        Regularização do trânsito e comercialização de cães e gatos, pois como a capacidade de voo do vetor é restrita, a disseminação da doença se dá principalmente pela movimentação dos animais.

·        Necessidade de controle populacional e da infecção por Leishmania em cães errantes e semi-domiciliados, sendo obrigatória a identificação dos animais com microchip.

·        Adoção de estratégias para o combate da doença em novos reservatórios.

·        Cumprimento da notificação compulsória conforme determinação das normas vigentes.

·        Imediata liberação dos resultados finais das avaliações dos protocolos da Fase III das vacinas contra LV canina comercializadas no Brasil.

·        Reavaliação e normatização das ações de eutanásia dos CCZs (UVZs), incluindo correto destino dos cadáveres.

·        Aplicação do Código Sanitário Internacional.

Portanto, a elaboração de uma norma por si só não é capaz de mudar uma realidade, sendo necessário o aprimoramento de políticas públicas por meio diálogo entre os órgãos competentes envolvidos e integralização das ações em prol da Saúde Pública em todo seu contexto.

         Até que se encontre um fármaco eficaz no tratamento da LV canina, a eutanásia continuará sendo a medida de controle preconizada para o reservatório canino, desde que tenha sido aplicado exames que não deixem duvidas quanto a positividade identificada.


Brasília, 15 de dezembro de 2010


Sistema CFMV/CRMVs
Conselhos Federal e Regionais de Medicina Veterinária


Fonte: http://www.cfmv.org.br/portal/destaque.php?cod=419

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

CFMV: Forum de Leishmaniose Canina

IMPORTÂNCIA DE SE BUSCAR O CONSENSO
No primeiro dia do Fórum de Leishmaniose Visceral, promovido pelo CFMV, o representante da Organização Pan-Americana da Saúde Panaftosa (OMS/OPAS), Fernando Leanes (foto), apresentou os dados sobre a doença. Ele informou que no mundo a incidência de Leishmaniose Visceral é de 500.000 casos por ano, sendo que na Índia, 20% morrem sem o diagnóstico. No Brasil, um dos principais países que sofrem com a doença, ocorrem 3.500 casos por ano, sendo que 5,7% são fatais.
O representante da OMS/OPAS apresentou documentos e informações sobre reuniões e ressaltou a importância de se fazer alianças entre as organizações e deixar as incompatibilidades em benefício da sociedade. “É uma oportunidade para fazer concessões e procurar interesses em comum para fortalecer as lideranças”, afirmou. Ele reconhece que há muita intransigência e intolerância ao se tratar do tema. Leanes acredita que com este consenso será possível investir em mecanismos que efetivamente possam combater a Leishmaniose Visceral.
O Médico Veterinário e representante do Ministério da Saúde, Francisco Edílson Ferreira Júnior, reconheceu que entre os maiores desafios da Leishmaniose Visceral está a morbidade e letalidade de uma doença grave. No Sistema Único de Saúde, as maiores dificuldades encontradas são o diagnóstico tardio, toxicidade do medicamento, imunossupressão e alta letalidade.
Ele também afirmou que o Brasil tem todas as condições favoráveis para a doença se disseminar e acredita que é necessário buscar tecnologias e ferramentas que possam combatê-la. Como exemplo cita projeto de pesquisa do Ministério da Saúde para o próximo ano que avaliará a efetividade das coleiras impregnadas com deltametrina 4%. Ele também informou que será feita a construção de um painel sorológico canino para a validação dos testes atualmente utilizados na saúde pública; validação do teste rápido DPP (Plataforma de Duplo Percurso) e há uma proposta para validação dos demais kits registrados no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento. 

DEVE-SE INVESTIR NO COMBATE AO VETOR
Muitos dos palestrantes que participaram do Fórum de Leishmaniose Visceral promovido pelo CFMV enfatizaram a importância de se investir em várias medidas de controle de forma integrada para que se consiga combater a doença. Dentre elas, a mais citada, é o combate ao vetor, ou seja, o mosquito que transmite a doença – flebótomo Lutzomyia longipalpis. A responsabilidade de discorrer detalhadamente sobre o tema foi da MédicaVeterinária Sthenia dos Santos Albano Amóra (foto), da Comissão Nacional de Saúde Pública Veterinária do CFMV.
Ao apresentar as características do vetor, ela lembrou que este é pequeno e frágil e tem atividade noturna. O inseto precisa de matéria orgânica em todas as fases de seu desenvolvimento, encontrado-a em residências, principalmente onde há o abrigo de animais. Destacou ainda que a fêmea desse vetor precisa de sangue e transmite a doença ao picar os animais e humanos.
Ela apresentou resultados preliminares sobre o controle vetorial com o uso de plantas repelentes, bioinseticidas (nematóides e fungos) e coleiras com piretróides. Sthenia enfatizou a necessidade de mais estudos que comprovem a eficácia e aplicabilidade desses métodos alternativos.
Apesar do combate, a Médica Veterinária diz que a principal forma de promover o controle do vetor é com a educação em saúde e a prevenção a partir do manejo ambiental ou domiciliar. Deve-se conscientizar as bases para ações nos domicílios que reduzam a proliferação do vetor.

COMO SÃO REALIZADOS OS DIAGNÓSTICOS
O segundo dia de apresentações do Fórum de Leishmaniose foi dividido em palestras que discorreram sobre o diagnóstico, as vacinas e o tratamentos. Foi o dia com maior participação pela internet, com momentos em que se registrou a presença de 600 pessoas assistindo o evento diretamente de suas casas, consultórios clínicos, universidades entre outros.
Sobre etiopatias, resposta imune, diagnóstico e interpretação de diagnóstico, o Médico Veterinário Fabiano Borges Figueiredo, do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (IPEC/Fiocruz) explicou a realização do diagnóstico clínico e epidemiológico, como também a evidência do parasito, técnica molecular e provas imunológicas.
Em sua opinião, é de extrema importância que haja a notificação de casos mesmo em áreas não endêmicas, pois assim, pode-se identificar e investir em ações de controle da doença no início de sua ocorrência. “Depois de instalada fica muito complicado controlar o vetor”, alerta.
O Médico Veterinário Mauro Arruda (foto), da Coordenação Geral de Laboratórios de
Saúde Pública do Ministério das Saúde, detalhou o funcionamento dos laboratórios estaduais e federais. Ele exemplificou o trabalho feito pelas equipes de coleta e o controle de qualidade sobre a produção dos testes.  Ele informou que no próximo ano serão avaliados os conjuntos de diagnósticos de Leishmaniose Visceral Canina disponíveis no mercado para que em seguida seja feita uma recomendação por parte do Ministério da Saúde.

ESPERA-SE UMA RESPOSTA POSITIVA DAS VACINAS
Apesar da não confirmação anterior de um representante do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) para o Fórum, o chefe de divisão de Produtos Veterinários do Departamento de Fiscalização de Insumos Pecuários, Ricardo Pamplona (foto), compareceu ao evento para esclarecer algumas informações sobre a fase III de avaliação das duas vacinas contra a Leishmaniose Visceral Canina atualmente comercializadas no País.
Ele informou que a análise dos estudos da fase III executados por seus respectivos laboratórios e cujos relatórios foram enviados ao Mapa para avaliação, ainda estão em andamento e não há um parecer conclusivo. Pamplona espera, a partir dos indicadores existentes, que a vacina seja eficaz, porém, o impacto na redução da incidência da Leishmaniose Visceral Humana dependerá de pesquisas posteriores.
Sobre a vacina também se apresentaram as Médicas Veterinárias Ingrid Menz, pesquisadora e consultora sobre o tema e Ana Maria Tibúrcio, do Laboratório Hertape Calier. Elas mostraram detalhes sobre como ocorrem as etapas de validação. A vacina contra a Leishmaniose Visceral Canina de laboratórios registrados já foi aprovada pelo Mapa nas fases I e II.

EVENTO DEBATEU O TRATAMENTO
Com posições contrárias, os Médicos Veterinários Vitor Márcio Ribeiro, da Pontífice Universidade Católica de Minas Gerais e Cláudio Rossi, da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo apresentaram pesquisas científicas sobre os prós e contras para a realização do tratamento de cães infectados com a Leishmaniose Visceral.
Para Cláudio Rossi, ainda existem muitas dúvidas sobre o tratamento, pois em sua opinião, ele não promove a eliminação completa do parasitismo, além de ser ilegal. Na visão de Vitor Ribeiro existem comprovações científicas positivas para o tratamento e a recomendação da eutanásia deve ser feita apenas em casos especiais.

CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA VETERINÁRIA DIVULGARÁ SEU POSICIONAMENTO SOBRE A LEISHMANIOSE VISCERAL
Com o término do Fórum de Leishmaniose Visceral, em 22 e 23 de novembro, o Sistema de Conselhos Federal e Regionais de Medicina Veterinária (CFMV/CRMVs) elaborará um documento apresentando seu posicionamento sobre a Leishmaniose Visceral e os temas relacionados a esta. O Fórum foi acompanhado pelos Presidentes do Sistema CFMV/CRMVs e convidados, além dos que assistiram pela internet e também enviaram mensagens pelo Twitter.
Para o Presidente do CFMV, Benedito Fortes de Arruda, foram dois dias em que a Medicina Veterinária brasileira mostrou a sua força, a sua potencialidade, a sua jovialidade, o seu conhecimento, a sua profundidade e a sua responsabilidade. “Nós saberemos caminhar ouvindo todos os lados e todas as posições”, afirmou ao final do evento. Ele enfatizou a importância da participação das organizações convidadas que contribuíram para os esclarecimentos e apresentação de dados atualizados. 
O representante da Organização Pan-Americana da Saúde Panaftosa (OMS/OPAS), Fernando Leanes, comentou que o evento foi muito importante e se equipara às discussões que estão sendo realizadas em outros países. “É muito bom que seja o Conselho Federal de Medicina Veterinária que esteja liderando esta discussão. Por sua atuação com os Regionais ele tem grande potencial para apoiar o trabalho que o Estado precisa cumprir”. Ele enfatizou a necessidade de consenso entre as diferentes opiniões para que exista o avanço no combate à doença e avalia, ao final do Fórum, que existe “boa intenção” para isso.
Leanes também enfatiza a importância da conscientização e participação dos Médicos Veterinários privados no combate a doença. “Nós precisamos, principalmente, trabalhar o cão que não foi infectado, pois ele está em risco”, afirmou. Ele acredita que os profissionais privados e os Centros de Controle de Zoonoses são importantes para divulgação e esclarecimento, pois estão em contato direto com os proprietários de animais.
Para o Presidente da Associação Nacional de Clínicos de Pequenos Animais (Anclivepa Brasil), Paulo Carvalho de Castilho, o evento foi válido por ter apresentado os dois lados de ação contra a Leishmaniose Visceral. Castilho acredita que foi importante a apresentação de dados e avanços científicos.
O Fórum foi organizado pelo CFMV com apoio da Comissão Nacional de Saúde Pública Veterinária do CFMV.
Assessoria de Comunicação CFMV

O CFMV disponibilizará, em breve, em sua página na internet as apresentações realizadas no Fórum de Leishmaniose Visceral.

domingo, 7 de novembro de 2010

Cell homeostasis in a Leishmania major mutant overexpressing the spliced leader RNA is maintained by an increased proteolytic activity

Genética da leishmania
Um novo estudo realizado por um grupo de cientistas brasileiros, com colaboração de colegas de outros países, acaba de trazer um novo avanço para a compreensão dos mecanismos de controle da expressão gênica do parasita causador da leishmaniose.

A expressão gênica é o processo pelo qual a informação hereditária contida em um gene é transcrita no RNA, ou em proteínas, por exemplo. No novo estudo, o grupo investigou as alterações moleculares, bioquímicas e morfológicas observadas em um parasita mutante que teve sua virulência atenuada devido à superexpressão dos chamados miniéxons – ou spliced leader RNA –, curtas sequências de nucleotídeos que são adicionadas aos RNA mensageiros, tornando-os "maduros" e funcionais.

O trabalho foi publicado na edição de outubro do The International Journal of Biochemistry & Cell Biology e faz parte de um Projeto Temático apoiado pela FAPESP e coordenado por Angela Kaysel Cruz, professora do Departamento de Biologia Celular e Molecular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (BIOCEL-FMRP), da Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com Angela, o grupo envolvido com o Temático já havia demonstrado anteriormente que a presença de uma quantidade aumentada de transcritos dos miniéxons diminuía a virulência do parasita.

“Desta vez, investigamos como se dá o envolvimento dos miniéxons com a atenuação da virulência que foi observada. Verificamos que a superexpressão dos miniéxons não afeta a multiplicação de promastigotas –a forma infecciosa, flagelada, do parasita –, mas parece impossibilitar a multiplicação dos amastigotas, ou seja, o parasita em sua forma intracelular, que se estabelece no homem e em outros mamíferos”, disse.

A ineficácia do parasita mutante para se multiplicar na forma de amastigotas parece estar relacionada com um esforço do parasita para manter sua homeostase celular – a propriedade da célula de regular seu ambiente interno para manter uma condição estável, por meio de múltiplos ajustes controlados por mecanismos de regulação.

“O esforço do parasita para reverter esse desequilíbrio da homeostase celular parece impedir que os amastigotas se multipliquem como eles fariam naturalmente no interior da célula do hospedeiro vertebrado – isso parece causar a perda de virulência observada”, indicou Angela.

A descoberta é importante porque o mecanismo descrito pode contribuir para elucidar diferentes níveis de controle da expressão gênica dos parasitas. Além disso, a revelação das moléculas envolvidas na atenuação de virulência observada pode representar uma rota para identificação de novos alvos para o desenvolvimento de drogas contra a leishmania.

“O estudo representa mais um passo no caminho que leva à compreensão dos processos de controle de expressão gênica em leishmania. Outro aspecto importante é que a identificação de um ou mais genes diminuídos nesse superexpressor poderá nos ajudar a gerar mutantes que possam ter esses genes desligados. Com isso, talvez possamos gerar um parasita que é incapaz de se multiplicar no meio intracelular”, explicou Angela.

Futura vacina viva
Segundo a professora da FMRP-USP, as pesquisas se voltaram para a questão do desequilíbrio homeostático por essa ser considerada uma peça- chave no processo de expressão gênica.

“Quando a homeostase está desbalanceada, a célula do parasita precisa fazer uma série de processos para se estabelecer intracelularmente – livrando-se de certas proteínas, por exemplo – e não consegue se multiplicar”, disse.

Entender a ligação entre o desequilíbrio da homeostase celular e a atenuação da virulência é fundamental, segundo Angela, para verificar se a atenuação poderá ser utilizada, no futuro, como uma ferramenta para gerar uma vacina viva.

“Acredita-se que as vacinas vivas são a única forma para prevenir leishmaniose, pois as vacinas de subunidades – que usam somente os fragmentos antigênicos de um microrganismo que mais estimulam a resposta imune – não estão se mostrando eficientes”, disse Angela.

“Nada do que foi feito até agora está funcionando, mesmo as experiências mais interessantes com combinação de diversos determinantes antigênicos. Seria interessante se pudéssemos localizar um ou mais genes que atenuem a ação do parasita – impossibilitando que ele se multiplique no hospedeiro”, destacou.

Além de Angela, participaram da elaboração do artigo Juliano ToledoTiago Ferreira e Tânia Defina, também da FMRP-USP,Fernando Dossin, atualmente no Centro de Deonças Negligenciadas do Instituto Pasteur Coreia, em Bundang-gu(Coreia do Sul), Sergio Schenkman, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Kenneth Beattie e Douglas Lamont, da Faculdade de Ciências da Vida da Universidade de Dundee(Escócia), e Serge Cloutier e Barbara Papadopoulou, doCentro de Pesquisa em Infectologia da Universidade Laval, em Quebec (Canadá).

O artigo Cell homeostasis in a Leishmania major mutant overexpressing the spliced leader RNA is maintained by an increased proteolytic activity, de Angela Kaysel Cruz e outros, pode ser lido por assinantes da The International Journal of Biochemistry & Cell Biology

Fonte: Fábio de Castro / Agência FAPESP

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Sistema CFMV/CRMVs discutirá a Leishmaniose Visceral

Com o objetivo de incentivar a discussão entre os Presidentes do Sistema CFMV/CRMVs sobre os avanços científicos e as diferentes opiniões sobre a Leishmaniose Visceral, o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) promove um fórum sobre o tema. O evento será realizado nos dias 22 e 23 de novembro em Brasília, DF. A participação é restrita aos Presidentes de Conselhos do Sistema CFMV/CRMVs e convidados. Os interessados poderão acompanhar as discussões pela internet, em transmissão on line.
“Queremos discutir a situação atual da Leishmaniose Visceral com exemplos do Brasil e do mundo. As palestras irão apresentar diferentes pontos de vista sobre o tratamento, controle vetorial, diagnóstico entre outros para que o Sistema CFMV/CRMVs possa, ao final, discutir, com embasamento científico, seu posicionamento sobre esta doença e suas implicações”, afirmou o Presidente do CFMV, Benedito Fortes de Arruda sobre a motivação para organizar o Fórum.
Ele ressalta a importância da participação dos Presidentes de Conselhos Regionais de Medicina Veterinária para que tragam a realidade regional, como também dos convidados que representam o Ministério da Saúde, Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento, Organização Pan-Americana da Saúde, Anclivepa Brasil, Ministério Público, Polícia Federal, Anvisa entre outros. “Será de extrema importância que todas as organizações convidadas participem para que possamos juntos entender os novos resultados e discutir as ações para o controle da Leishmaniose Visceral Canina”, conclui Arruda.
Na programação estão previstas palestras para contextualização sobre a Leishmaniose Visceral nas Américas e Caribe e os desafios e expectativas do Brasil. Sobre temas técnicos serão apresentadas formas de manejo e controle do vetor e apresentação de casos sobre a difusão da doença. No segundo dia, serão discutidas informações sobre o diagnóstico, vacina, tratamento e aspectos legais nas ações de vigilância e controle do Programa de Leishmaniose Visceral Canina.
Assessoria de Comunicação CFMV

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

São Paulo implantará microchips para controlar leishmaniose


Getty Images
Cachorros que sofrem de leishmaniose podem ficar até dois anos sem apresentar quaisquer sintomas

Saiba mais sobre o projeto estadual e a doença, que pode ser transmitida a humanos

A Secretaria da Saúde paulista resolveu recorrer à tecnologia para combater a contaminação de cães - e, consequentemente, a transmissão para humanos - por leishmaniose.
A partir desta terça-feira (19), animais que vivem em dez cidades da região de Marília (interior de São Paulo) serão alvo do programa-piloto Legal para Cachorro, criado a partir da proposta de monitorar, pelos próximos dois anos, a população canina e os casos da doença. A participação é gratuita.

Cerca de 20 mil cães participarão do programa. Cada um receberá um implante com microchip, que armazenará informações como o endereço de seu proprietário e os resultados dos exames laboratoriais de sangue realizados ao longo da pesquisa. A meta é identificar casos especificamente de leishmaniose visceral americana. Segundo a secretaria, nos anos de 2008 e 2009 foram registrados 96 casos desta doença e também oito mortes entre humanos, na região. 

O protozoário Leishmania chagasi, causador da doença, é transmitido aos seres humanos por meio da picada de um mosquito que também pode infectar cães. Nas pessoas, os principais sintomas são alterações no fígado, nos rins, no baço e na medula óssea. O cachorro infectado pode ficar de seis meses a dois anos sem apresentar nenhum sintoma da doença. Por isso a prevenção nos animais é tão importante (leia mais).
 

As cidades participantes são Adamantina, Flórida Paulista, Inúbia Paulista, Lucélia, Mariápolis, Osvaldo Cruz, Pacaembu, Pracinha, Sagres e Salmorão. A ideia é expandir o projeto para outras regiões do Estado. 

Em Adamantina, os cães receberão também uma coleira com efeito repelente e inseticida, que ajudará a espantar e a matar o flebotomínio (inseto transmissor da doença). Os 4.000 cães do município servirão de controle para comprovar a eficácia da coleira. 

A secretaria investigará ainda os hábitos alimentares dos insetos. A partir de exames do conteúdo estomacal dos transmissores, será possível identificar o sangue de espécies de animais picados.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Proprietários não podem recusar eutanásia de cães com leishmaniose em Campo Grande

Animais diagnosticados com leishmaniose poderão ser submetidos à eutanásia em Campo Grande (MS), independente de consentimento dos proprietários. Mas a decisão, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), mantém vedado o ingresso de agentes do Centro de Controle de Zoonoses local em residências sem a concordância expressa do morador. 

A determinação é da Corte Especial, que confirmou decisão do presidente do STJ, ministro Ari Pargendler. O entendimento atende em parte pedido de suspensão de liminar apresentado pela União contra decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3). 

Segundo a União, a leishmaniose é doença com alto índice de letalidade, principalmente em crianças com menos de 1 ano e adultos acima de 50. Na capital sul-mato-grossense, entre 2006 e 2008 teria havido 32 mortes em quase 400 casos da doença. De acordo com o pedido, o tratamento do cão infectado não atende à saúde pública, por não reduzir o papel do animal de reservatório do parasita, apenas reduzindo os sinais clínicos. 

Por isso, o ente federativo afirmou não ser possível deixar à discricionariedade do dono do animal a realização do controle e combate à enfermidade grave em humanos. Nessa situação, a preservação do direito à propriedade violaria a supremacia do interesse público, ao colocar em risco a saúde pública, concluiu a União. 

Mas o presidente do STJ não concordou com a alegação em sua totalidade. Segundo seu entendimento, a inviolabilidade do domicílio decorre da Constituição. Dessa forma, a decisão que a preserva não poderia ser tida como ofensiva à ordem ou saúde públicas. 

Conforme o ministro presidente, por outro lado, manter a exigência de consentimento para a eutanásia e autorizar a recusa do sacrifício do animal doente pelo proprietário, mesmo mediante termo de responsabilidade ainda que condicionado à supervisão de veterinário, pode não evitar a transmissão da doença, o que gera potencial de grave lesão à saúde pública. 

A decisão conclui que, se o animal estiver em via pública, os agentes de controle de zoonoses podem proceder aos exames sanitários e às consequências necessárias. 

Coordenadoria de Editoria e Imprensa 
http://www.stj.jus.br/portal_stj/publicacao/engine.wsp?tmp.area=398&tmp.texto=99314

Enviado por Rodrigo Guimarães

sábado, 2 de outubro de 2010

Genética da leishmania


Genética da leishmania
Estudo amplia conhecimento sobre controle da expressão gênica do protozoário causador da leishmaniose. Parasita mutante não consegue se multiplicar em sua forma intracelular

1/10/2010
Por Fábio de Castro
Agência FAPESP – Um novo estudo realizado por um grupo de cientistas brasileiros, com colaboração de colegas de outros países, acaba de trazer um novo avanço para a compreensão dos mecanismos de controle da expressão gênica do parasita causador da leishmaniose.
A expressão gênica é o processo pelo qual a informação hereditária contida em um gene é transcrita no RNA, ou em proteínas, por exemplo. No novo estudo, o grupo investigou as alterações moleculares, bioquímicas e morfológicas observadas em um parasita mutante que teve sua virulência atenuada devido à superexpressão dos chamados miniéxons – ou spliced leader RNA –, curtas sequências de nucleotídeos que são adicionadas aos RNA mensageiros, tornando-os "maduros" e funcionais.
O trabalho foi publicado na edição de outubro do The International Journal of Biochemistry & Cell Biology e faz parte de um Projeto Temático apoiado pela FAPESP e coordenado por Angela Kaysel Cruz, professora do Departamento de Biologia Celular e Molecular da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da Universidade de São Paulo (USP).
De acordo com Angela, o grupo envolvido com o Temático já havia demonstrado anteriormente que a presença de uma quantidade aumentada de transcritos dos miniéxons diminuía a virulência do parasita.
“Desta vez, investigamos como se dá o envolvimento dos miniéxons com a atenuação da virulência que foi observada. Verificamos que a superexpressão dos miniéxons não afeta a multiplicação de promastigotas –a forma infecciosa, flagelada, do parasita –, mas parece impossibilitar a multiplicação dos amastigotas, ou seja, o parasita em sua forma intracelular, que se estabelece no homem e em outros mamíferos”, disse à Agência FAPESP.
A ineficácia do parasita mutante para se multiplicar na forma de amastigotas parece estar relacionada com um esforço do parasita para manter sua homeostase celular – a propriedade da célula de regular seu ambiente interno para manter uma condição estável, por meio de múltiplos ajustes controlados por mecanismos de regulação.
“O esforço do parasita para reverter esse desequilíbrio da homeostase celular parece impedir que os amastigotas se multipliquem como eles fariam naturalmente no interior da célula do hospedeiro vertebrado – isso parece causar a perda de virulência observada”, indicou Angela.
A descoberta é importante porque o mecanismo descrito pode contribuir para elucidar diferentes níveis de controle da expressão gênica dos parasitas. Além disso, a revelação das moléculas envolvidas na atenuação de virulência observada pode representar uma rota para identificação de novos alvos para o desenvolvimento de drogas contra a leishmania.
“O estudo representa mais um passo no caminho que leva à compreensão dos processos de controle de expressão gênica em leishmania. Outro aspecto importante é que a identificação de um ou mais genes diminuídos nesse superexpressor poderá nos ajudar a gerar mutantes que possam ter esses genes desligados. Com isso, talvez possamos gerar um parasita que é incapaz de se multiplicar no meio intracelular”, explicou Angela.
Futura vacina viva
Segundo a professora da FMRP-USP, as pesquisas se voltaram para a questão do desequilíbrio homeostático por essa ser considerada uma peça- chave no processo de expressão gênica.
“Quando a homeostase está desbalanceada, a célula do parasita precisa fazer uma série de processos para se estabelecer intracelularmente – livrando-se de certas proteínas, por exemplo – e não consegue se multiplicar”, disse.
Entender a ligação entre o desequilíbrio da homeostase celular e a atenuação da virulência é fundamental, segundo Angela, para verificar se a atenuação poderá ser utilizada, no futuro, como uma ferramenta para gerar uma vacina viva.
“Acredita-se que as vacinas vivas são a única forma para prevenir leishmaniose, pois as vacinas de subunidades – que usam somente os fragmentos antigênicos de um microrganismo que mais estimulam a resposta imune – não estão se mostrando eficientes”, disse Angela.
“Nada do que foi feito até agora está funcionando, mesmo as experiências mais interessantes com combinação de diversos determinantes antigênicos. Seria interessante se pudéssemos localizar um ou mais genes que atenuem a ação do parasita – impossibilitando que ele se multiplique no hospedeiro”, destacou.
Além de Angela, participaram da elaboração do artigo Juliano Toledo, Tiago Ferreira e Tânia Defina, também da FMRP-USP, Fernando Dossin, atualmente no Centro de Deonças Negligenciadas do Instituto Pasteur Coreia, em Bundang-gu (Coreia do Sul), Sergio Schenkman, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Kenneth Beattie e Douglas Lamont, da Faculdade de Ciências da Vida da Universidade de Dundee (Escócia), e Serge Cloutier e Barbara Papadopoulou, do Centro de Pesquisa em Infectologia da Universidade Laval, em Quebec (Canadá).
O artigo Cell homeostasis in a Leishmania major mutant overexpressing the spliced leader RNA is maintained by an increased proteolytic activity, de Angela Kaysel Cruz e outros, pode ser lido por assinantes da The International Journal of Biochemistry & Cell Biology em http://www.sciencedirect.com/science/journal/0020711X

Enviado por Marcio José Corrado

sábado, 25 de setembro de 2010

Videoconferência sobre Leishmaniose Visceral e Tegumentar

A Divisão de Doenças Transmitidas por Vetores e Zoonoses do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo tem o prazer de convidá-lo para participar da Videoconferência "Diagnóstico e tratamento de casos humanos de Leishmaniose Visceral Americana e Leishmaniose Tegumentar Americana" a ser realizada das 9 às 12 horas do dia 1° de outubro de 2010 conforme programação em anexo ou no site


PROGRAMAÇÃO
9h às 9h30 - Abertura
Tema: Situação epidemiológica da Leishmaniose no Estado de São Paulo.
Palestrante: Lisete Lage Cruz - médica da Divisão de Zoonoses do Centro de Vigilância Epidemiológica/CCD/SES-SP

Palestrantes:
Valdir Sabbaga Amato
médico infectologista do Hospital das Clínicas FMUSP e Instituto de Medicina Tropical da USP
José Angelo Lauletta Lindoso
médico infectologista do Instituto de Infectologia Emílio Ribas e Instituto Medicina Tropical da USP

9h30 às 10h Tema: Quando pensar em Leishmaniose Tegumentar Americana e Leishmaniose Visceral Americana?
10h às 10h30 Tema: Como diagnosticar? Que exames solicitar? Como tratar?
10h30 às 10h40 - Intervalo
10h40 às 11h30 Tema: Discussão de Casos Clínicos
11h30 às 12h Tema: Pontos críticos em Leishmaniose Visceral e Tegumentar

Realização: Divisão de Zoonoses do Centro de Vigilância Epidemiológica/CCD/SES-SP

Enviado por Milena Câmara

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

VI Encontro de Educação Continuada em Leishmanioses - RJ

O Laboratório de Vigilância em Leishmaniose e o Laboratório de Parasitologia do Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas (Ipec/FIOCRUZ) realizam no dia 24 de setembro, de 09h às17h, o VI Encontro de Educação Continuada em Leishmanioses. O encontro acontecerá na Tenda Ciência em Cena, no campus de Manguinhos, e se destina ao aprimoramento de profissionais de nível superior e médio egressos dos cursos de atualização oferecidos pelos laboratórios. Os interessados podem se inscrever no mesmo dia e local, entre 9h e 9h30.
 
Laboratório de Vigilância em Leishmanioses
Laboratório de Parasitologia
Instituto de Pesquisa Clínica Evandro Chagas
Fundação Oswaldo Cruz
Tel: 21- 38659541

sábado, 18 de setembro de 2010

Evento sobre Leishmaniose em Santa Catarina

CONVITE

O Instituto Ambiental Ecosul, a APRAP-Amigos e Protetores dos Animais de Palhoça e a WSPA-Sociedade Mundial de Proteção Animal convidam para o Seminário:

“Leishmaniose Visceral- da saúde pública ao bem-estar animal”
 
Florianópolis, 18 de setembro de 2010
Horário: das 8:00 às 13:00- das 14:15 às 20:00 horas
Auditório: OAB-Ordem dos Advogados do Brasil
Rua Paschoal Apóstolo Pitsica, 4.860-Agronômica Florianópolis/SC
(Beira Mar Norte ao lado da sede da Polícia Federal)

Face ao avanço da Leishmaniose Visceral (Doença de Calazar) no Brasil e a detecção dos primeiros casos em Santa Catarina, o Instituto Ambiental Ecosul, a APRAP-Amigos e Protetores dos Animais de Palhoça e a WSPA – Sociedade Mundial de Proteção Animal em parceria com o Movimento Catarinense de Bem-estar Animal e o CME-Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente do MPSC promovem o Seminário “Leishmaniose Visceral- da saúde pública ao bem-estar animal”.

Objetivos: Informar, apresentar programas e planejar ações humanitárias em regime de co-responsabilidade entre Poder Público, Organizações Não Governamentais, Classe Veterinária, Ministério Público e sociedade em geral, na prevenção, controle e tratamento da doença no estado de Santa Catarina.

Mais informações, clique aqui