segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Capivaras e papagaios viram 'pragas' por causa da ação do homem


JULIANA COISSI

DE RIBEIRÃO PRETO
A revoada de papagaios coloridos no céu em um fim de tarde e capivaras com filhotes na beira de córregos são ima­gens que encantam o morado­r de grandes cidades.
Mas por trás da beleza há um desequilíbrio que já afeta o ser humano. Por culpa do homem e da falta de predadores, alguns bichos chegam a provocar mortes. Por isso, agora carregam o peso de "pragas urbanas".
Edson Silva/Folhapress
A capivara é hospedeira de um carrapato que transmite a febre maculosa
Maior roedor do mundo, a capivara migrou da zona rural; ela é hospedeira de um carrapato que transmite a febre maculosa
Em Valinhos, no interior paulista, o construtor Valdir Barbizan, 70, sofreu por três dias seguidos uma febre alta que não cedia, diz a mulher, Ângela Zanluchi, 68. Então o marido contou: "Tirei um car­rapatinho da virilha".
Valdir trabalhava perto de terre­nos por onde circulavam capivaras, hospedeiras do carrapato-estrela. Em junho de 2011, dois dias após achar o ácaro, ele morreu. O diagnósti­co: febre maculosa, transmi­tida pelo carrapato.
As capivaras afetam ainda o trânsito em ci­dades paulistas, como São José do Rio Preto, Campinas e até os campi da USP em Ribeirão Preto e Piracicaba.
Elas se multiplicaram nas cidades principalmente pela ação do homem, segundo a professora da USP Katia Fer­raz, especialista no animal.
Ela diz que ao fazer condo­mínios na área rural e expan­dir o plantio de cana e mi­lho, o homem acabou atraindo bandos, que se adaptaram.
Nas cidades, elas não têm predadores naturais, como onças e sucuris. "Temos capivaras na cidade toda. É hoje uma praga urbana", diz a coordenadora-técnica de zoonoses em Campinas, a veterinária Andrea Vonzuben.
Campinas é a cidade do país com mais casos de fe­bre maculosa, diz o Ministério da Saúde. Foram 67 casos de 2000 a 2011, com três mortes no ano passado. A doença mata até 35% dos pacientes.
Em um parque infectado, o Ibama autorizou, em 2011, a morte de 14 capivaras.
NO CÉU
Thiago Rabelo/Ibama
Vinda da África, a garça-vaqueira transmite a bactéria salmonela que causa infecção intestinal
A garça-vaqueira chegou a Fernando de Noronha; transmite a bactéria salmonela que causa infecção intestinal no homem
Papa­gaios-verdadeiros passaram a se concentrar em Porto Alegre -são centenas, segun­do o Ibama.
Raríssimos no Sul, suspeita-se que tenham sido levados por traficantes de aves. Seu habitat na­tural é o Norte e o Nordeste do país.
O Ibama identificou ao menos 40 pontos onde há bandos dessa ave em Porto Alegre. O órgão vai começar em 2013 a capturá-las para estudar as consequências. Uma das hipóteses é que elas transmitam a psitacose, doença respiratória.
E é também do céu e es­trangeira outra ameaça, des­ta vez no arquipélago de Fernando de Noronha (PE): a garça-vaqueira, uma ave migrató­ria vinda da África.
O voo da garça, de asas com envergadura de até 70 cm, encanta. Sem achar um predador, ela se multiplicou.
O ser humano ajudou: ela come bichos da terra revolvida pe­lo gado e do roçado.
A garça tem expulsado outras aves. No aeroporto, traz risco aos voos. Gaviões treinados são usados para capturá-las -depois elas são mortas com injeção letal.

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