segunda-feira, 14 de abril de 2014

Salmonella em aves selvagens: um risco para o suíno?

As aves selvagens são hospedeiros naturais de Salmonella spp. pelo que são considerados possíveis fontes de salmonelose para as pessoas e outros animais. Podem ser infectados com este agente patogénico a partir de ambientes contaminados e transmiti-lo ás pessoas (Figura 1)
Posibles vías de transmisión de Salmonella spp. de las aves silvestres al hombre
Figura 1. Possíveis vias de transmissão de Salmonella spp. das aves selvagens para o homem.
Há evidências do importância do papel das aves selvagens na contaminação de rações e em surtos de salmonelose no gado, mas poucos estudos  testaram a relação entre a salmonelose aviária e a suína. O papel que estas aves possam ter na infecção dos suínos diferirá de região para região, dependendo da situação epidemiológica existente.
Posible fuentes de contaminación del pienso por Salmonella spp. a través de aves silvestres
Imagem 1. Possível fonte de contaminação da ração Salmonella spp. através de aves selvagens.
Qual o papel das aves selvagens na salmonelose suína num país de alta prevalência como a Espanha?

Salmonelose subclínica em aves selvagens
A prevalência da salmonelose nas aves selvagens é geralmente baixa mas certos factores influirão sobre ela (Tabela 1).
Tabela 1. Factores potencialmente associados com a prevalência de Salmonella spp. em aves selvagens.
FactorMaior riscoMenor risco
Estação do anoInvernoResto do ano
Tipo de alimentaçãoAves de rapina
Insectívoras
Aves não predadoras
Granívoras
Hábitos alimentaresNo soloEm comedouros pendentes
Hábitos migratóriosCurtas distânciasLongas distâncias
Meio envolventeUrbanos
Pecuários
Naturais
Recentemente foi estudada a importância que o factor “meio pecuário” poderia ter na distribuição da salmonelose nas aves selvagens. Para tal, ao longo de 2 anos, foram analisadas amostras fecais de 1502 aves de mais de 50 espécies diferentes (maioritariamente passeriformes-pardais, estorninhos, andorinhas, toutinegras, maçaricos, etc. e columbiformes  - pombos) capturadas nas imediações de explorações suínas e em meios naturais afastados das mesmas (Tabela 2).
Tabela 2. Prevalência de Salmonella spp. em amostras fecais de aves selvagens.
Origem avesNº de amostras analisadas (nº aves)Nº amostras +Prevalência (%)
Meio natural431 (581)20,46
Imediações exploração suína 379 (921)133,46
TOTAL810 (1.502)151,85
Foi isolada Salmonella spp. em 1,85% (15) das amostras analisadas. A priori poderíamos afirmar que o risco de salmonelose associado com as aves selvegens é bastante limitado. No entanto, quando se tem em conta a origem das aves analisadas, a proporção das amostras positivas a Salmonella spp. foi significativamente maior quando estas procediam de aves capturadas nas proximidades de explorações suínas.
Após ajustar pelos factores indicados na Tabela 1 e o número de aves que compunham cada amostra fecal, a probabilidade de encontrar uma amostra contaminada com Salmonella spp. foi 16,5 vezes superior (Intervalo de confiança de 95%= 5,2-52,6) se procedia de aves capturadas nas proximidades das explorações suínas, comparado com as procedentes de aves capturadas em zonas afastadas das mesmas. Atendendo ao intervalo de confiança, esta probabilidade poderia chegar inclusive a ser até mais de 50 vezes superior.  

Relação entre as estirpes isoladas em aves selvagens e em gado suíno
Em 9 (21,4%) das 42 explorações suínas nas que foram capturadas aves, foi isolada Salmonella spp. das amostras destas. Um pouco mais de metade dessas explorações foram também positivas aSalmonella spp. em amostras de fezes de suíno.
Em 44% das explorações nas que foi isolada Salmonella spp., tanto de amostras fecais suínas como de aves selvagens, foi observada uma clara relação filogenética entre as estirpes procedentes de suíno e as das aves, confirmando a transmissão de Salmonella spp. entre aves e gado. O serótipo de Salmonellamais frequente em aves foi Typhimurium, semelhante ao ocorrido em suíno.
Em algumas das explorações foram identificadas diversas espécies de aves infectadas (pardais, estorninhos e andorinhas) por Salmonella spp., sendo o padrão genético das diferentes estirpes isoladas exactamente o mesmo e coincidindo, pela sua vez, com o observado em porcos. Esta relação aconteceu, principalmente, em explorações onde foi observada uma grande densidade de aves ou estas entravam com facilidade nos pavilhões (imagens 2, 3 e 4).
Presencia de una gran densidad de aves en una explotación porcina
Imagem 2. Presença de uma grande densidade de aves numa exploração suína.
Muros con abundancia de heces de pájaros, evidencia clara de la entrada constante de aves en la nave. Detalle de suelo de cebadero contaminado con heces de aves silvestres tras su limpieza y desinfección.
Imagen 3. Esq.. Muros com abundância de fezes de pássaros, evidência clara da entrada constante de aves no pavilhão. Dir. Detalhe de pavimento contaminado com fezes de aves selvagens após a sua limpeza e desinfecção.
Mallas pajareras deterioradas, un fallo muy común de las medidas de bioseguridad en las explotaciones.
Imagem 4. Redes de protecção deterioradas, uma falha muito comum das medidas de biossegurança nas explorações.

As aves: vítimas ou responsáveis pela infecção nas explorações suínas?
Para tratar de responder a esta questão foram analisados os perfis de resistência aos antimicrobianos (RA) de todas as estirpes de Salmonella spp. isoladas. Era de esperar que, se as estirpes proviessem originalmente das aves selvagens ou estas não apresentassem padrões de resistência, pelo menos não coincidissem com os observados em suíno, onde se estima que 80% das estirpes isoladas apresentem RA.  
A grande maioria (94,4%) das estirpes de Salmonella spp. isoladas a partir de fezes de suíno apresentaram algum tipo RA (Tabela 2). Pelo contrário, as estirpes procedentes de aves selvagens foram maioritariamente sensíveis aos antibióticos (74%), e quando apresentaram RA, o padrão geralmente coincidia com o observado nas estirpes de Salmonella isoladas a partir de amostras de porcos da exploração correspondente.
Tabela 2. Prevalência de resistência aos antimicrobianos em isolados de Salmonella spp. procedentes de aves e porcos.
 Amostras+Resistentes (%)Multirresistência* (%)
Suíno5451 (94,4)50 (92,6)
Aves277 (26)6 (22,2)
*A mais em relação aos antibióticos
Apenas em duas explorações todas as estirpes de Salmonella spp. isoladas de porcos foram realmente sensíveis a todos os antibióticos analisados. Nestas duas explorações, os isolados obtidos das aves também foram sensíveis a todos os antibióticos testados.

Conclusões
  1. As explorações suínas podem actuar como facilitadoras da transmissão da salmonelose entre as aves selvagens, independentemente da origem primária da infecção (aves ou suíno).
  2. O grau de concentração das aves nas explorações pode ter muito a ver na transmissão da infecção já que a relação genética observada entre isolados de diferentes espécies de aves foi só observada em explorações onde as aves eram muito abundantes.
  3. A observação da mesma estirpes de Salmonella em porcos e aves selvagens capturadas nessas explorações põe em evidência a necessidade de incrementar as medidas de biossegurança nas explorações, que impeçam o contacto directo entre aves e porcos.
  4. O papel que as aves selvagens possam ter na difusão desta infecção não pode ser menosprezado.
http://www.3tres3.com.pt/os-peritos-opinam/salmonella-em-aves-selvagens-um-risco-para-o-suino_6821/

sábado, 12 de abril de 2014

Plataforma de Gestão Agropecuária, a nova ferramenta de transparência e credibilidade da pecuária brasileira

Por Decio Coutinho, Ronei Correa, Juliano Hoffmann, Diego Costa, André Bastos, Eduardo Lima e Tania Lyra
A Plataforma de Gestão Agropecuária (PGA) é uma ferramenta informatizada, de integração de sistemas com a formação de uma Base de Dados Única (BDU) nacional, de utilização pública, contendo as informações que existem nos 27 Órgãos Executores de Sanidade Agropecuária (OESA) das unidades da federação e da base de dados corporativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).
O objetivo da PGA é melhorar a qualidade, confiabilidade e agilidade no acesso às informações para toda a cadeia produtiva agropecuária, fortalecendo o processo de gestão, com maior transparência e menor burocracia. É resultado de uma parceria público-privada entre o MAPA e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que possibilita aos elos da cadeia agropecuária obter em tempo real, informações em quantidade e qualidade suficientes para o atendimento dos padrões mais exigentes do controle da movimentação animal no país, rastreabilidade, inspeção e fiscalização.
A PGA é composta por três módulos que utilizam as informações da BDU, para viabilizar as seguintes conquistas: (1) ser o banco oficial das ações praticadas pelos atores envolvidos no processo, sejam eles: produtores, estabelecimentos de produtos de origem animal, fabricantes de elementos de identificação animal, OESA estaduais e MAPA; (2) registro, processamento e relatório da movimentação dos animais, possibilitando a universalização da emissão da Guia de Trânsito Animal eletrônica (e-GTA) para todas as unidades da federação; (3) uso do Módulo de Rastreabilidade, com adesão voluntária, fácil e sem burocracia ao novo Sisbov, que passará a ser o sistema oficial brasileiro de identificação individual de bovinos e búfalos, sem regras ou penalidades, permitindo que qualquer produtor rural possa utilizar o sistema oficial em seus animais; e (4) gestão das informações do Serviço de Inspeção Federal, por meio do Módulo do Sistema de Informações Gerenciais do Serviço de Inspeção Federal (SIGSIF), alimentado pelos servidores que trabalham na inspeção federal e pelas empresas registradas no Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (DIPOA), registrando as atividades de inspeção e fiscalização, com retorno das informações aos produtores rurais e OESAs.
Quando em pleno funcionamento, a PGA será a maior plataforma do gênero, aumentando ainda mais a confiabilidade dos produtos de origem animal, diminuindo embargos e aumentando as nossas exportações.
Histórico e desenvolvimento da PGA
Em 2002, visando atender as exigências para a exportação de carne bovina, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) empregou esforços no desenvolvimento de um sistema de rastreabilidade, denominado de Serviço de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos (Sisbov). O Sisbov adotou a obrigatoriedade da identificação individual em 100% dos animais das propriedades até 2007, controle sobre os insumos utilizados no processo de produção e atendimento de requisitos mínimos em termos de manejos sanitário e nutricional.
Em 2005, diante da dificuldade de aceitação, o MAPA revogou a obrigatoriedade da identificação e em 2006, publicou a Instrução Normativa nº 17, que torna a adesão ao Sisbov voluntária. Em 2007, uma missão da União Europeia (UE) ao Brasil detectou falhas nos controles públicos e privados da pecuária brasileira em relação às exigências para exportação ao bloco, principalmente no sistema de rastreabilidade, por divergências entre a base de dados do MAPA e dos órgãos executores de sanidade agropecuária (OESA) dos estados, com o verificado na propriedade, além de identificar distorções na comprovação da origem e destino dos animais.
Diante deste cenário, em 2008 a UE interrompeu as importações e impôs novas condições para habilitar propriedades a exportar para o bloco: (a) animais ao menos 90 dias em área habilitada pela UE, (b) animais ao menos 40 dias na última propriedade e (c) 100% dos animais identificados individualmente.
Uma das respostas do Governo Brasileiro diante desta situação foi a publicação da Lei nº 12.097/2009, que estabelece os seguintes instrumentos para a rastreabilidade da cadeia produtiva das carnes de bovinos e búfalos: I – Marca a fogo; II – Guia de Trânsito Animal (GTA); III – Nota fiscal; IV – Registros oficiais dos serviços de inspeção federal, estadual ou municipal; e V – Registros de animais e produtos do setor privado.
Segundo esta mesma lei, poderão ser instituídos sistemas de rastreabilidade de adesão voluntária que adotem instrumentos adicionais aos citados acima, entenda-se identificação individual dos animais, sendo que suas regras deverão ser acordadas entre as partes: produtores rurais, frigoríficos e mercado consumidor. Também em 2009, como uma resposta a situação imposta pela UE, o MAPA e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) firmaram um acordo de cooperação e plano de trabalho com o objetivo de desenvolver, aperfeiçoar e manter um sistema de informações da pecuária bovina, que obrigatoriamente incluirá o cadastro de propriedades rurais em um banco de dados único (BDU), controle do trânsito de animais (Guia de Trânsito Animal eletrônica, e-GTA) e serviço de rastreabilidade da cadeia produtiva de bovinos e bubalinos (Sisbov), com toda a compatibilização necessária ao funcionamento integrado com o Sistema de Informações Gerenciais do Serviço de Inspeção Federal (SIGSIF).
O MAPA ficou responsável por definir o escopo de cada módulo, garantir à CNA o acesso aos dados e outros recursos necessários, mas principalmente, auditar, fiscalizar ou inspecionar, o desenvolvimento do sistema, garantindo a segurança e o sigilo dos dados enviados pelos OESAs dos estados. Assim nasceu a Plataforma de Gestão Agropecuária (PGA), um sistema informatizado resultado de uma parceria público-privada (MAPA-CNA) de sucesso. O Sistema CNA, que engloba também o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) e o Instituto CNA (ICNA), conta com vinte e sete federações e mais de dois mil sindicatos rurais associados, representando aproximadamente dois milhões de produtores rurais e tendo como principal missão, defender os interesses e os direitos dos produtores rurais brasileiros, além de promover o desenvolvimento social, econômico e ambiental do setor agropecuário.
A PGA é uma ferramenta pública de integração de bancos de dados e sistemas, com o objetivo de melhorar a qualidade e o acesso às informações para todo setor agropecuário, fortalecendo o processo de gestão operacional, com mais clareza, menos burocracia e responsabilidades compartilhadas. Permitirá aos membros da cadeia produtiva – produtores, indústria, OESAs estaduais e MAPA – falarem a mesma linguagem e possuírem acesso aos mesmos dados.
Quanto aos benefícios e facilidades da PGA, podemos citar:
• Padronização e unificação das bases de dados da produção agropecuária;
• Universalização e integração da Guia de Trânsito Animal de forma eletrônica;
• Segurança, agilidade e credibilidade no gerenciamento da rastreabilidade;
• Produtores com acesso e responsabilidade sobre seus dados;
• Possibilidade de implantar sistemas de rastreabilidade de adesão voluntária que adotem instrumentos adicionais, conforme trata a Lei nº 12.097/2009;
• Fortalecimento do sistema de defesa agropecuário brasileiro;
• Modernização do setor e melhor posicionamento frente ao mercado internacional;
• Simplificação de procedimentos: adesão ao Sisbov, registro de animais identificados;
• Redução de custos com auditorias: dados facilmente visualizados, sem deslocamento.
Com a interligação entre os diversos seguimentos do setor, o OESA da unidade federada de destino saberá previamente o número de animais que estão chegando ao seu estado e, para qual estabelecimento rural ou frigorífico eles estão direcionados. Já para o OESA da unidade federada de origem, a emissão da e-GTA só é permitida se verificada a existência do destino na BDU.
Outro aspecto importante é a otimização de recursos humanos, pois com a automação dos processos, os profissionais do serviço oficial poderão ser direcionados às atividades externas, atuando nas áreas de maior risco. A implantação da PGA foi definida em seis etapas, sendo elas:
1) Base de Dados Única (BDU);
2) Módulo de Gestão do Trânsito Animal;
3) Módulo de Gestão da Rastreabilidade Animal;
4) Módulo do Sistema de Informações do Serviço de Inspeção Federal (SIGSIF);
5) Monitoramento dos dados; e
6) Módulo de integração com os sistemas já existentes no MAPA.
Sua implementação teve início em janeiro de 2010, após discussão entre as equipes técnicas do MAPA e da CNA, para o desenvolvimento e levantamento dos requisitos para construção da BDU, que serve de suporte para os demais módulos, pois é nela que serão armazenados os dados dos estados, do MAPA e da própria PGA.
A BDU e os demais módulos da PGA são de exclusiva operacionalização e gerenciamento pela Secretaria de Defesa Agropecuária do MAPA. O acordo de cooperação com o MAPA e o Decreto 7.623/2011 estabelecem que a CNA fique responsável pela operacionalização e gerenciamento do que a Lei nº 12.097/2009 chamou de sistemas de rastreabilidade de adesão voluntária que adotem instrumentos adicionais, os denominados protocolos comerciais, parte do Módulo de Gestão da Rastreabilidade.
Os módulos da PGA e o conteúdo de cada um são:
1.Base de Dados Única
Integração das bases de dados dos estados (cadastros dos produtores, propriedades, rebanhos, vacinações, eventos agropecuários, revenda de produtos veterinários, entre outros), com a base de dados corporativa do MAPA (servidores, estabelecimentos POA, fábricas de elementos de identificação animal, laboratórios, entre outros). Registro das ações praticadas pelos atores envolvidos no processo sejam eles: produtores, frigoríficos, fábricas de elementos de identificação animal, OESAs e MAPA. Todas as regras utilizadas na formação da BDU foram discutidas com os estados e estão nos Manuais de Padronização e Integração WS PGA.
2. Gestão de Trânsito Animal
Disponibilização do módulo de emissão da e-GTA para os estados que não possuem sistema informatizado, bem como o controle da movimentação dos animais, visando cumprir um dos itens legais da rastreabilidade do rebanho brasileiro. Torna possível o bloqueio da emissão e-GTA para regiões afetadas por eventos sanitários, evitando a disseminação de doenças. O módulo permite ainda, o monitoramento do trânsito diário a nível nacional, com identificação da origem e destino, controle da emissão e recebimento da e-GTA, impressão e verificação da autenticidade por meio do código de barras gerado em agricultura.gov.br/e-gta
3. Gestão da Rastreabilidade
Este módulo permite a gestão dos protocolos comerciais de rastreabilidade de bovinos e búfalos pela CNA, conforme descrito no Art. 7º do Decreto 7.623/2011 e na Instrução Normativa nº 6/2014, com o objetivo principal de simplificar as regras e permitir acesso de todos os produtores rurais, sem intermediários, à rastreabilidade exigida pelos melhores mercados compradores das carnes de bovinos e búfalos mais exigentes. Cada mercado poderá determinar suas exigências para a importação de produtos e subprodutos de origem animal, bem como a necessidade ou não da identificação individual dos bovinos ou búfalos, desmistificando que rastreabilidade é somente brinco na orelha do animal.
Integrando este módulo, está o novo conceito do Sisbov, que passará a ser o sistema oficial brasileiro de identificação individual de bovinos e búfalos, sem regras ou penalidades, permitindo que qualquer produtor rural possa solicitar elementos de identificação animal diretamente aos fabricantes, com numeração única controlada pelo MAPA, para aplicar na orelha dos seus animais. No próprio módulo, haverá uma planilha de controle dos animais identificados, o que permitirá vinculá-los em uma e-GTA e rastrear o trânsito.
4. Sistema de Informações Gerenciais do Serviço de Inspeção Federal (SIGSIF)
É uma evolução do atual SIGSIF, com melhoria na gestão das informações de abate, processamento dos produtos, análises laboratoriais e controle sanitário dos estabelecimentos sob inspeção federal (SIF). Prevê também a informatização e automatização dos processos e retorno instantâneo das informações sobre os achados de inspeção, aos produtores e aos OESAs.
Tornará possível a obtenção de relatório completo do volume processado pelos estabelecimentos de produtos de origem animal registrados no MAPA, mantendo assim a rastreabilidade na indústria. Estão previstos ainda, os seguintes controles: cadastro e manutenção de laboratórios, pedido e resultado de análises laboratoriais e a emissão de certificado sanitário nacional e internacional.
Atualmente, 74% (20/27) dos OESAs brasileiros já enviaram as suas informações para a BDU: BA, ES, GO, MG, MS, MT, PA, PB, PE, PI, PR, RJ, RN, RO, RS, SC, SE, SP, TO e AM, nos quais está localizado, aproximadamente, 93% do rebanho bovino e bubalino brasileiro (MAPA, 2012). A CNA já entregou ao MAPA para homologação, os Módulos de Gestão de Trânsito Animal e de Rastreabilidade, incluindo o novo Sisbov. Em breve será entregue o Módulo do SIGSIF, que quando estiver em pleno funcionamento, fará da PGA a maior plataforma do gênero no mundo, aumentando ainda mais a confiabilidade dos produtos de origem animal brasileiros, permitindo acesso aos mercados compradores mais exigentes, diminuindo embargos aos produtos do agronegócio brasileiro e aumentando as nossas exportações. A PGA demonstra o sucesso de uma parceria público-privada como hoje é preconizado pelos organismos internacionais de referência.
Confira apresentação do projeto:
http://www.slideshare.net/BeefPoint/apres-pga-resumidabeef-point-abr2014
Por Decio Coutinho, Ronei Correa, Juliano Hoffmann, Diego Costa, André Bastos, Eduardo Lima e Tania Lyra
http://www.beefpoint.com.br/cadeia-produtiva/espaco-aberto/plataforma-de-gestao-agropecuaria-a-nova-ferramenta-de-transparencia-e-credibilidade-da-pecuaria-brasileira/?&utm_campaign=diario&utm_source=newsletter&utm_medium=email

Ministério da Agricultura reforça medidas sanitárias

Ações visam garantir que enfermidades não entrem no país
Garantir a sanidade no Brasil está entre as principais atribuições da Defesa Agropecuária oficial. Por isso, as medidas para prevenção de doenças são rigorosas, tanto para animais nascidos no país quanto aos que vêm de fora. Com surtos no exterior de enfermidades como a Diarreia Epidêmica Suína (PED, em inglês), as ações visando à segurança sanitária são reforçadas. A responsabilidade pelas medidas de fiscalização é do Departamento de Saúde Animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (DSA/Mapa).
Para aumentar a segurança nas importações dos Estados Unidos (aonde há ocorrências da PED desde maio do ano passado) e de todos os países que exportam suínos vivos de alta genética, material genético suídeo e insumos para ração, foram adotados procedimentos técnicos como o aumento do rigor dos requisitos sanitários para essas transações.
Está prevista, também, uma viagem de fiscais federais agropecuários do Mapa aos Estados Unidos para averiguar in loco o cumprimento das condições sanitárias exigidas pelo governo brasileiro.
Além disso, todas as importações de suínos para o Brasil somente ocorrem após exames no país de origem e quarentena de no mínimo 30 dias em uma ilha de biosseguranca máxima em Cananéia (SP), o que afasta a possibilidade da entrada de doenças como a PED, entre outras, em território nacional.
Outra ação adotada diz respeito às Superintendências Federais de Agricultura (SFAs) dos estados. O DSA/Mapa determinou que todas as solicitações de importação devem ser remetidas para análise e aprovação exclusivamente do Departamento, em Brasília.
“Para esclarecer o setor privado nacional, o governo tem promovido reuniões técnicas sobre a doença no intuito de reduzir os boatos e especulações a respeito, ainda mais quando existe uma lacuna de informações oficiais por parte dos organismos internacionais competentes ”, explica o diretor da DSA, Guilherme Marques, acrescentando que nunca houve o ingresso de uma enfermidade de suínos no Brasil via importação oficial.
Fonte:
http://www.brasil.gov.br/economia-e-emprego/2014/04/ministerio-da-agricultura-reforca-medidas-sanitarias

GREENPEACE DEFENDE MUDANÇAS NO AGRONEGÓCIO

Kumi Naidoo, ativista sul-africano que lutou pelo fim do apartheid e há cinco anos é o diretor-executivo do Greenpeace International, espera que o próximo relatório do IPCC (o braço científico das Nações Unidas), que está em discussão esta semana em Berlim, na Alemanha, "tire da letargia as negociações internacionais de clima". O sumário para tomadores de decisão do IPCC, que será divulgado domingo, versa sobre a mitigação dos gases-estufa no mundo. "Vamos ser honestos: o IPCC é fundamentalmente uma organização conservadora", disse. "Os cenários que colocam sobre a mesa não são os piores possíveis. Ou seja, qualquer coisa que o IPCC disser é preciso multiplicar por quatro para se ter um quadro genuíno das ameaças climáticas."
Naidoo esteve em São Paulo há poucos dias para falar no Global Agribusiness Forum, megaevento promovido por entidades do agronegócio. Colocou sua perspectiva da mudança do clima sobre a agricultura e produziu, segundo ele, reações hostis na plateia.
Disse que as grandes fazendas industriais são menos resistentes aos impactos do clima que as pequenas culturas ecológicas, que grandes terras tomadas por monoculturas e dependentes de fertilizantes e agrotóxicos não são sustentáveis e que é preciso mudanças urgentes e radicais. "A natureza está nos dando fortes sinais de que estamos correndo contra o tempo e que já ultrapassamos vários limites planetários." A seguir, trechos da entrevista:
Valor: O sr. faz distinção entre a produção de commodities e a de alimentos. Pode explicar?
Kumi Naidoo: O agronegócio costuma dizer ao mundo 'somos importantes, porque somos fundamentais para a segurança alimentar'. Mas o que acontece, e no Brasil também, é que a maior parte da comida é produzida por pequenas fazendas familiares. A abordagem do setor costuma ser o da monocultura voltada ao mercado de commodities e ao consumo animal. Fomos a essa conferência para dizer que os combustíveis fósseis - e não estou falando do transporte, mas dos fertilizantes e agrotóxicos - contaminam o solo, os recursos hídricos e os oceanos. Essa forma de agricultura é disruptiva.
Valor: Mas, por enquanto, não é possível desistir dos combustíveis fósseis, não é?
Naidoo: Não podemos migrar para energias renováveis num piscar de olhos, há que haver uma fase de transição. Assim como a co-existência das grandes fazendas industriais com os pequenos fazendeiros ecológicos, que estão aumentando no mundo, inclusive no Brasil. O que o setor não entende é a própria vulnerabilidade, tanto ambiental como financeira. Na Europa, a consciência está aumentando em relação a essa forma de produção e na China as pessoas começam a reclamar dos pesticidas nos rios. As grandes fazendas industriais são mais vulneráveis aos impactos da mudança do clima do que as pequenas.
Valor: Por quê?
Naidoo: O tipo de semente usado para se ter safras mais produtivas é dependente de climas específicos e estáveis. Se o clima vira inadvertidamente, agricultores observam o tempo e buscam uma opção de cultura que se adapte, mas as grandes fazendas industriais não trabalham com diversidade de plantio. Isso não faz nem sentido econômico. Eu disse que a maioria dos nossos líderes está sofrendo de uma doença cognitiva - todos os fatos estão aí, mas estamos nos atrasando nas ações urgentes que precisamos tomar.
Valor: O que quer dizer?
Naidoo: Não precisamos do IPCC para nos dizer que o clima está mudando. Nos últimos dez anos foi o que todo mundo viu, tivemos 100% a mais de eventos extremos em todas as partes, secas intensas na Austrália, invernos rigorosos nos EUA. São Paulo está ficando sem água, há fortes secas no Brasil. Se não houvesse Copa do Mundo e eleições, talvez os governos fossem mais abertos com a situação atual.
Valor: O que o agronegócio deveria fazer?
Naidoo: É uma escolha. Os grandes atores do agronegócio têm o poder de mudar o modo de produzir e investir seriamente em uma forma ecológica. Agricultura ecológica significa produzir com diversidade. Também há que ver a questão da escala. Tudo isso exige uma mudança de mentalidade.
Valor: Como a plateia reagiu a esses pontos que o sr. levantou?
Naidoo: Sabíamos que seria como entrar na caverna dos leões, que seria duro. O Greenpeace foi convidado e decidimos ir, queríamos apresentar a nossa visão. Os organizadores me disseram que, a despeito do clima hostil, minha presença tinha sido importante e que o setor tem que lidar com essa perspectiva, que é preciso gerar esse debate no agronegócio.
Valor: E os mais jovens?
Naidoo: A audiência parecia dividida, foi muito interessante. Os mais jovens, que estão chegando ao agronegócio agora, parecem mais abertos a fazer essa transição.
Valor: Qual era o teor da crítica que o sr. recebeu?
Naidoo: Foram críticas duras, do tipo 'não precisamos de estrangeiros nos dizendo o que fazer'. O que estamos dizendo é do interesse de quem quer ter a longo prazo um negócio sustentável. É o mesmo que discutimos com as grandes empresas que se engajam nas campanhas de pesca sustentável. Em 40 anos, por causa da exploração predatória, a poluição dos oceanos, a acidificação das águas, haverá mares com imensas zonas mortas. Mas há formas de pescar que não causarão zonas mortas no futuro. É preciso pensar no longo prazo, e é o mesmo com a agricultura. Esse modelo industrial é o da agricultura fácil: uma única cultura, uma grande safra. Parece muito conveniente e faz muito dinheiro no curto prazo. Nós entendemos que a economia brasileira é muito dependente das receitas agrícolas.
Valor: Vocês são contra o lucro?
Naidoo: O que estamos dizendo é que é preciso trabalhar com o padrão natural e ecológico de produção agrícola. Há vantagens na agricultura ecológica, como o manejo natural das pragas, por exemplo. Quando há diversos cultivos crescendo, você tem 67% mais biodiversidade. Há mais abelhas, mais insetos e os danos das pragas são mais controlados. Se você tem uma única cultura, a biodiversidade se foi e não há a proteção natural da biodiversidade, os riscos são muito maiores. A produção ecológica é mais capaz de resiliência quando há ameaças fora do padrão.
Valor: Essas mudanças são urgentes?
Naidoo: Se queremos ser sérios diante da mudança do clima e tomar medidas solidárias com as gerações futuras, a coisa certa a fazer é desenvolver um plano de transição agressivo da monocultura industrial e dependente de fertilizantes e agrotóxicos para uma agricultura ecológica.
Valor: E a resistência a abandonar os combustíveis fósseis?
Naidoo: Os lucros que as companhias de combustíveis fósseis estão fazendo hoje as tornam resistentes à realidade que está sendo apresentada pela comunidade científica, de que nosso tempo para agir está acabando. O IPCC irá provavelmente dizer que precisamos deixar entre 60% e 80% das reservas conhecidas de combustíveis fósseis sem explorar, se quisermos ter a chance de evitar mudança climática catastrófica. E mesmo se a ciência não fosse tão clara assim, a natureza está nos dando fortes sinais de que estamos correndo contra o tempo e que ultrapassamos vários limites planetários.
Valor: Quais limites?
Naidoo: Muitos. Chegamos a 400 ppm [partes por milhão] de concentração de carbono na atmosfera em 2013, registrou-se o menor nível de gelo marinho no verão do Ártico em 2012 e tivemos um aumento de 100% no número de eventos climáticos extremos na última década. Se olharmos para a resposta de quem está no poder, nos governos e nas empresas, infelizmente, há uma negação da urgência e as coisas continuam como sempre foram. Se esta tendência continuar, temo que a previsão feita por Paul Gilding, ex-diretor do Greenpeace, em seu livro "A Grande Ruptura", se confirme. Ele diz que só vamos agir de acordo com o que a ciência recomenda quando estivermos completamente contra a parede e só depois de grandes impactos como os que já estamos vendo agora, em todos os continentes.
Valor: Como o tufão das Filipinas em 2013?
Naidoo: Nas negociações internacionais de clima todos concordaram, em Copenhague, que temos que limitar o aumento da temperatura a 2° C do período pré-industrial, quando começamos a queimar petróleo, carvão e gás até o fim do século. E onde estamos agora? A temperatura já aumentou 0,8° C e com isso já tivemos eventos extremos, como o tufão das Filipinas. Falando como um africano, a África está nesse momento pagando o pior preço dos impactos climáticos. Mas as pessoas não se dão conta.
Valor: Por que não?
Naidoo: Porque não se trata de eventos como os tufões, que arrasam tudo em um segundo. Seca, como a africana, é uma tragédia que vai se desenvolvendo aos poucos, silenciosamente. Não é visual até o final, quando há animais mortos e gente faminta. Em janeiro, Ban Ki Moon [secretário-geral da ONU] falou para 10 chefes de Estado e 12 ministros do ambiente. 'Gente, nosso tempo está acabando, temos que agir', disse. Haverá essa reunião especial em setembro, em Nova York, que ele convocou. Ban Ki Moon dizia: 'Temos que conseguir ali erguer as chances de um acordo em 2015'.
Valor: Quais são suas expectativas para esse evento?
Naidoo: Em setembro, no encontro climático de Nova York? Duas coisas. Seria patético se, pelo menos, não conseguíssemos um acordo para banir a produção de HFCs, um gás estufa pior que o CO2 e que vai para refrigeradores. São pequenos volumes, mas é importante.
Valor: China e EUA estiveram falando sobre isso em 2013?
Naidoo: Houve conversas interessantes entre os dois, mas nada na prática. O Greenpeace pressionou para que todas as grandes empresas concordassem com o fim da produção desses gases em 2020, mas há países resistentes, como Índia e Arábia Saudita.
Valor: E o outro ponto?
Naidoo: É ter na COP [a conferência do clima deste ano] do Peru uma base do texto do acordo de 2015, assim teremos um ano para negociar. Se não tivermos um texto no Peru, não teremos nada para negociar em Paris [quando deve ser fechado o novo acordo climático]. No Peru, temos que ter o rascunho do acordo e aí teremos um ano para que tudo fique pronto. Se isso não acontecer, teremos chances mínimas de ter algo em Paris. Tem gente dizendo que nunca teremos um acordo em Paris. Se olharmos as posições de negociação iniciais dos países dominantes, parece que nada vai acontecer. Precisamos de uma mudança radical e urgente, e é isso que os relatórios do IPCC estão repetindo. E a consciência do público dobrou agora.
Valor: Cresceu?
Naidoo: Cresceu muito desde a conferência do clima de Copenhague, em 2009, principalmente entre os jovens. Fiquei empolgado no evento do agronegócio vendo que havia divisão de opiniões na plateia. Os mais jovens, que estão chegando ao setor, começam a contestar a ortodoxia das gerações anteriores.
Valor: E sobre o Ártico? É verdade que 25% das reservas de petróleo globais estão ali?
Naidoo: É o que dizem. Mesmo depois da prisão dos nossos ativistas na Rússia, a Gazprom está começando a extrair o petróleo no Ártico e o primeiro lote está para ser transportado. Iremos fazer campanhas para dizer que aquele petróleo é do Ártico e tentar convencer os consumidores a não comprarem. Até pelo ponto de vista de negócios há riscos. Estive no Fórum Econômico Mundial, em Davos, e havia várias discussões sobre 'stranded carbon assets'. É sobre o que vai acontecer quando as empresas que pagaram pelos direitos de explorar campos de petróleo, gás ou carvão, ficarem com ativos encalhados, quando os políticos recuarem e disserem que não se pode fazer nada com aquilo, porque o petróleo terá que ficar em terra.
Valor: O que espera do relatório do IPCC?
Naidoo: Espero que tire da letargia as negociações internacionais de clima. Depende de quão forte será. Vamos ser honestos: o IPCC é uma organização conservadora. Todos os governos estão envolvidos, é um processo complicado de negociação. Os cenários que eles colocam sobre a mesa não são os piores possíveis. Ou seja, qualquer coisa que o IPCC disser é preciso multiplicar por quatro para se ter um quadro genuíno das ameaças.
Valor: Por que o Ártico é importante para quem vive no Brasil?
Naidoo: O Ártico funciona como um ar-condicionado do planeta. Este ano, durante os eventos extremos nos Estados Unidos, em dezembro e em janeiro, pela primeira vez vi jornalistas falando do vórtex polar. As pessoas começam a entender que todo esse sistema está relacionado. Há uma possibilidade de, ainda nesta década, no verão, o Ártico ficar totalmente sem gelo. Esperemos que não, mas as piores projeções sugerem isso.
Valor: O sr. falou sobre isso no evento do agronegócio?
Naidoo: Sim, porque vai ter impacto no clima. O Ártico também é importante porque tem uma biodiversidade única. No Golfo do México, com um esforço enorme ainda não se conseguiu limpar todo o derramamento de petróleo, imagine se isso acontece no Ártico. Quando estivemos lá, em 2012, levou três dias para um navio russo chegar onde estávamos. Um derramamento de petróleo no Ártico no fim do verão, quando o oceano começa a congelar de novo, pode deixar aquele petróleo preso por seis ou oito meses, provocando quem sabe qual dano. Por várias razões o Ártico é importante. Ele é fundamental na luta contra o aquecimento global.
Valor: E há o metano na tundra, não é?
Naidoo: Exatamente. Há a ameaça da liberação de gás metano da tundra. O fato de o Ártico ficar muito longe da maioria das pessoas não justifica que os líderes políticos e de negócios não entendam o que está em jogo. Não precisam ler um livro inteiro, basta que leiam um simples estudo.
Valor: O sr. acha que os líderes estão mudando no discurso sobre mudança do clima?
Naidoo: Apenas nas palavras. Não estão mudando na ação para responder ao desafio. É muito frustrante quando vou a eventos com chefes de Estado. Porque não há nenhum desacordo sobre como é sério esse problema. Claro, estamos preocupados, eles dizem. Depois, tudo continua como sempre.
Valor: Como acha que os países emergentes deveriam encarar o novo tratado?
Naidoo: Brasil, Índia e China sozinhos produzem a maioria dos alimentos do mundo e também a consomem. A economia global depende deles, os três estão na lista das dez economias mais importantes do mundo. Nossos governos têm uma escolha agora, e também os dos países emergentes: ou continuam a gastar dinheiro em armas, corrida espacial e outras coisas não fundamentais para a sociedade ou veem com seriedade como podem ganhar a corrida verde. As empresas e os países bem-sucedidos do futuro têm que dirigir seus investimentos para isso agora. É o que estamos vendo em alguns países europeus, como a Dinamarca e a Alemanha, que até 2050 pode ter 100% de energia renovável. O que me surpreende no Brasil é o governo não investir em energia solar. Há tanto potencial. Deus deu o Sol para este país e o presente não é aberto.
Valor: Sabe que no Brasil há o plano de se fazer quatro ou cinco usinas nucleares?
Naidoo: Isso foi decidido? Há quatro razões para que esse passo não tenha sentido. É muito caro, muito perigoso e não há nenhuma solução para o lixo nuclear que leva entre 200 e mil anos antes de deixar de ser perigoso. E por fim, depois de Fukushima, você pensa que cidadãos irão tolerar, sem brigar, usinas nucleares no quintal?
Valor: Mas sem combustíveis fósseis e sem nucleares é possível...?
Naidoo: Há estudos que mostram isso. O que é preciso é só vontade política, que não está aí porque as nossas economias são controladas pelos setores de combustíveis fósseis, militar e nuclear. O nuclear não pode ser pensado como solução para a mudança do clima, porque será muito pouco e muito tarde. Leva 20 anos para construir uma usina nuclear e nós não temos 20 anos. Há 1,6 bilhão de pessoas no mundo sem acesso à eletricidade. Estão em pequenas comunidades remotas. Você acha que quando fizerem usinas nucleares vão levar eletricidade a essas pessoas? Não. Se é verdade que se quer tirar 1,6 bilhão de pessoas do escuro, o jeito é descentralizar o fornecimento de energia. Como os governos dizem que vão lutar contra a pobreza e falam em justiça social, e escolhem opções energéticas que não servem para a maioria das pessoas?

http://www.zoonews.com.br/noticiax.php?idnoticia=240711&a=view

Fraude em Pescados: MAPA e PF deflagram Operação Poseidon

MAPA e PF deflagram Operação Poseidon

Objetivo é autuar empresas que vendem peixes de menor valor, como se fossem produtos nobres
Para coibir ações criminosas em estabelecimentos de pescado, a Polícia Federal de Itajaí (SC), com em parceria com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA, Brasília/DF), deflagrou a Operação Poseidon nesta quinta-feira (10). 
A operação começou a ser desencadeada durante a realização de ações conjuntas entre o MAPA e o Ministério Público do Estado de Santa Catarina nos meses de junho e julho de 2013. No período, foram constatadas diversas irregularidades, entre elas, a ocorrência de fraudes por substituições de espécies de pescado nos produtos comercializados por empresas do Estado sob inspeção federal.
Fiscais do Ministério da Agricultura iniciaram a partir de então um trabalho conjunto com a Delegacia de Polícia Federal no município de Itajaí, coletando amostras de produtos suspeitos e as encaminhado à PF para a realização de análises de DNA no laboratório pericial em Brasília.
“Na maioria das vezes, a motivação da fraude é de ordem econômica, ou seja, o estabelecimento que processa o pescado rotula seus produtos com a falsa denominação de espécies nobres, como o linguado, o congrio e o bacalhau, mas acaba embalando espécies de valor comercial muito inferior e às vezes de procedência duvidosa”, afirma o chefe da Divisão de Inspeção de Pescado do MAPA, Sidney Liberati.
Segundo Liberati, os resultados das análises comprovaram não somente a ocorrência da comercialização de pescado de baixo valor comercial, como também a comprovação da venda de peixes cuja captura é proibida pelo Ministério do Meio Ambiente, por estarem ameaçadas de extinção.
Devido à situação averiguada, foi deflagrada a Operação Poseidon, que conta com o apoio de fiscais federais agropecuários deslocados de vários Estados brasileiros, sob a coordenação do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Dipoa), e estão auxiliando no cumprimento de mandados de busca e de apreensão expedidos pelo judiciário.
As empresas que estão sendo autuadas pelo Mapa e a PF por suspeita de fraude são: Vitalmar (SIF 327), JMS Indústria e Comércio de Pescados S/A (SIF 3520), Costa Sul Pescados S/A (SIF 3104), Pescados Quatro Mares LTDA (SIF 2731), Indústria e Comércio de Pescados Dona Rose LTDA (SIF 3791), Leardini Pescados LTDA (SIF 2535) e M.S. Luzitania (SIF 4404). Todas elas devem entrar em Regime Especial de Fiscalização (REF), que inclui análises de todos os lotes que saírem desses estabelecimentos.
Análises. As fraudes só foram comprovadas após exames de DNA realizados no laboratório de perícia da Polícia Federal de Brasília, feitas por fiscais treinados para a identificação visual dos produtos durante a realização de busca de estoques nas câmaras de congelamento das empresas.
“O objetivo deste tipo de ação articulada é coibir de forma exemplar a ocorrência deste sério crime contra o consumidor. Não podemos permitir esse tipo de irregularidade, que mancha a imagem dos produtos e das empresas brasileiras junto à população”, afirma o diretor do Dipoa, Leandro Feijó. Ele acrescenta que a intervenção conjunta é necessária porque os fiscais do Ministério não possuem poder de polícia e não podem iniciar investigações criminais.
Antes do início das operações, em junho do ano passado, as análises obrigatórias em estabelecimento sob inspeção federal eram para averiguar parâmetros microbiológicos (presença de salmonela, coliformes fecais, entre outros), a quantidade de cobertura de água no produto, o PH (acidez) e outros, sendo que nenhum deles envolvia a diferenciação de espécies.
Dentro das novas diretrizes do Dipoa para aperfeiçoar os processos de inspeção em produto de origem animal, o Ministério da Agricultura adquiriu equipamentos para a implantação da técnica de DNA em pescado, que devem entrar em pleno funcionamento a partir do segundo semestre deste ano.
“Saliento que a fraude por substituição de espécies vem sendo p ercebida de forma mais intensa nos últimos tempos em virtude do grande volume de importações de pescado da China e Vietnã a baixíssimos custos. Assim, pessoas inescrupulosas reembalam e rotulam estes pescados com nomes de peixes que são tradicionalmente conhecidos e bem aceitos pela população brasileira”, finaliza Liberati.
Fonte: MAPA, adaptado pela equipe feed&food.
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Estação Quarentenária de Cananéia inaugura novas instalações para receber suínos importados

Estação Quarentenária de Cananéia inaugura novas instalações para receber suínos importados

O primeiro lote de 95 suínos importados a usar as instalações tem previsão de chegada já no próximo dia 24 de abril.

Ontem (09.04), a Estação Quarentenária de Cananéia (EQC) realizou a inauguração das suas novas instalações que estão prontas para receber suínos importados para quarentena. O programa deverá reforçar o controle sanitário sobre esses animais e estudar doenças que ainda não chegaram ao país, como a diarreia epidêmica viral.

No evento estavam presentes a representante do Ministro da Agricultura (MAPA) e diretora substituta do Departamento de Saúde Animal Denise Euclydes, o Prefeito da Estância de Cananéia Pedro Ferreira Dias Filho, representando o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Genética de Suínos (ABEGS) Daniel Bruxel, o presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Suínos (ABCS) Marcelo Lopes e o Diretor da EQC Odemilson Donizete Mossero.


Estação Quarentenária de Cananéia inaugura novas instalações para receber suínos importados


A construção e a recuperação do setor de suínos da EQC foi viabilizada por meio de uma eficiente parceria entre o MAPA, a ABCS e a ABEGS. No total, apenas na área de suínos, foram investidos R$ 2 milhões para uma capacidade de até 500 animais simultaneamente. O primeiro lote de 95 suínos importados a usar as instalações tem previsão de chegada já no próximo dia 24 de abril.


Estação Quarentenária de Cananéia inaugura novas instalações para receber suínos importados


“A Estação Quarentenária de Cananéia é a única estação quarentenária oficial do Brasil e tem padrões de controle de biosseguridade para importação de animais entre os melhores do planeta. Aqui nós isolamos os animais importados e fazemos os testes para ter controle sanitário de alto rigor e, assim, evitar a transmissão de doenças internamente no país”, explicou o diretor Odemilson Mossero.


Estação Quarentenária de Cananéia inaugura novas instalações para receber suínos importados


Porque em Cananéia? A EQC ocupa uma área isolada de 1,5 mil hectares no sul da Ilha de Cananeia dos quais 12 hectares são ocupados com as instalações e os demais, com vegetação preservada, servem de barreira natural. Cananéia é considerada o habitat natural em perfeita preservação e ponto estratégico de isolamento, o que possibilita o maior controle dos animais e exames para evitar a introdução de doençasexóticas ao plantel nacional.


Bárbara de Aquino
Assessoria de Comunicação


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Uma das principais preocupações de qualquer entidade responsável pela saúde animal de um país é evitar a introdução, no território sob sua jurisdição, de doenças exóticas e de doenças de controle oficial. No Brasil, a Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) é o órgão responsável pela a prevenção e o combate de doenças de animais que possam ameaçar a preservação do patrimônio pecuário nacional.
Dentre as medidas de prevenção de introdução de patógenos, destaca-se o controle das importações de animais, seus produtos, subprodutos e material genético. Para tal, os processos de importação são sempre precedidos por análise do Departamento de Saúde Animal (DSA/SDA/MAPA), que define os requisitos a serem cumpridos para a entrada da mercadoria no país. Nesse contexto, leva-se em conta o tipo de mercadoria a ser importada - incluindo a espécie animal envolvida -, a situação sanitária do país de origem em relação aos perigos identificados, o destino e a finalidade do objeto da importação e as medidas gerais e específicas de gestão do risco, adotadas ainda no país de origem e após a sua chegada ao país. Entre as medidas associadas à gestão do risco, a realização de quarentenas e de testes diagnósticos em animais vivos constitui parte importante da maioria dos procedimentos de importação. Tais procedimentos são sempre levados a cabo em estações quarentenárias oficiais ou previamente credenciadas pelo MAPA. Em ambos os casos, os locais utilizados para isolamento dos animais devem cumprir as exigências estabelecidas em legislação, que variam conforme a espécie animal e podem incluir questões ligadas à estrutura física, isolamento da área, controle da água e alimento oferecidos aos animais e tratamento de efluentes, entre outros.
Atualmente, o Brasil conta com várias propriedades credenciadas à realização de quarentena de animais em todo território nacional, além de um estabelecimento oficial – a Estação Quarentenária de Cananéia (EQC). Esta última está apta a manter bovinos, bubalinos, suínos e aves de companhia em suas instalações, e se constitui em um dos baluartes que garantem a preservação da sanidade dos animais e do material genético que ingressam no Brasil.
A Estação Quarentenária de Cananéia tem subordinação hierárquica administrativa à Superintendência Federal de Agricultura no Estado de São Paulo (SFA/SP).
Relaciona-se, por força de suas atividades, ao Departamento de Saúde Animal (DSA/SDA/MAPA) e a outros órgãos, tais como laboratórios oficiais, laboratórios autônomos credenciados pelo MAPA, Secretarias de Estado e prefeituras municipais.
4. A estação
4.1. Missão e objetivos
A missão da EQC é a proteção e preservação do patrimônio pecuário brasileiro. Essa missão se ampara nos seguintes objetivos:
1. Possibilitar na QUARENTENA DE ANIMAIS um ambiente oficialmente controlado, em complemento às medidas de defesa sanitária animal aplicáveis aos processos de importação, de exportação e do trânsito nacional;
2. Promover atividades de CAPACITAÇÃO E TREINAMENTO em áreas de interesse do Departamento de Saúde Animal, em consonância com as diretrizes e normas emanadas da Coordenação – Geral de Desenvolvimento de Pessoas da Secretaria Executiva do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento;
3. Apoiar a realização de AÇÕES DE INTERESSE DE OUTRAS UNIDADES ORGANIZACIONAIS do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento ou de outras Instituições, sem prejuízo das atividades precípuas realizadas na Estação Quarentenária de Cananéia.
4.2. Localização
A EQC encontra-se edificada na Ilha de Cananéia, litoral sul do estado de São Paulo, que dista da capital 261 km, pela Rodovia BR 116 – Regis Bittencourt, com acesso 17 km após a cidade de Registro, no sentido São Paulo-Curitiba. A EQC foi construída em área isolada no sul da Ilha, distando aproximadamente 6 km da cidade de Cananéia. As edificações existentes somam uma área construída de cerca de 6,5 mil metros quadrados, dividida entre prédios administrativos, alojamentos, oficinas, estábulos, lavanderia, estação de tratamento de efluentes e outros.
4.3. Histórico
A Estação Quarentenária de Cananéia foi criada pelo Decreto Presidencial nº 69.522, de 9 de novembro de 1971, com a finalidade de construção de um lazareto animal, para a realização de quarentenas de animais para exportação. Durante longo tempo, ela cumpriu esse objetivo, recebendo diversas espécies destinadas a países como Venezuela, Colômbia e Estados Unidos da América. Posteriormente, a EQC passou também a realizar quarentenas de importação, recebendo animais dos Estados Unidos, Canadá e países da América do Sul.
Adicionalmente, a EQC se prestou a campo de testes para a realização de ensaios biológicos, como testes de vacinas e passagem de vírus rábico. Entre 1975 e 2002, diversas quarentenas e ensaios biológicos foram ali realizados, conforme descrito nas tabelas constantes no item “5”. Em 2005, um novo projeto de reestruturação da EQC foi elaborado, e a estação foi submetida a reformas e melhorias, que culminaram com a reativação das quarentenas a partir de 2009. Nessa nova concepção, a EQC foi preparada para alojar outras espécies animais, tais como suínos e aves ornamentais importados.
Além das quarentenas, a estação foi preparada para ser um importante centro brasileiro para a realização de cursos e treinamentos em defesa sanitária animal de interesse do próprio MAPA, de Secretarias de Estado da Agricultura, de universidades e outros.  Para isso, procedeu-se à construção de auditórios, alojamentos e demais instalações para a adequada recepção de participantes e instrutores.
4.4. Caracterização de Cananéia
Cananéia, fundada em 1531, é um município do sul do Estado de São Paulo, localizado na região denominada de Vale do Ribeira, distante cerca de 70 km de Registro (município mais desenvolvido da região), 261 km da capital paulista e 246 km de Curitiba/PR, servido pela Rodovia Regis Bittencourt (BR 116).  Sua altitude média é de 8 metros, e localiza-se a uma latitude de 25º00'53" sul e a uma longitude de 47º55'36" oeste. Sua população gira em torno de 14.000 habitantes. É a ilha mais meridional do estado, e está circundada pelo litoral paulista e por mais duas ilhas: a ilha do Cardoso e a ilha Comprida.
A economia básica de Cananéia se sustenta no turismo, exploração de pescado marinho e pequena agricultura.
4.5. Caracterização da EQC
A Estação Quarentenária de Cananéia – EQC –  é Próprio Nacional do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, localizada no município de Cananéia, no vale do Ribeira, Estado de São Paulo. 
A área da EQC é de 625 alqueires, servido por estrada única de acesso, distante cerca de 6 km da cidade. Possui área útil de 6 alqueires, isolada por densa mata nativa, cercada por um canal marítimo em grande parte de sua extensão.
Como estrutura física, a EQC possui instalações de guarita de vigilantes, administração, dois ambientes para a realização de cursos e treinamentos, alojamento para pessoal operacional, alojamento para técnicos participantes de cursos e treinamentos, refeitório com cozinha industrial, oficina mecânica, marcenaria, almoxarifado, tanques e bomba de combustíveis, reservatórios de água, lavanderia, vestiários, farmácia, quarentenário de aves ornamentais de companhia, quarentenário de suínos, sala de necropsia, câmara fria, tronco de contenção, currais e estábulos para bovinos, laboratório de embriões, laboratório de manipulação de amostras, depósito de rações e outros insumos, estação de tratamento de efluentes, píer e garagem náutica.
A EQC é dividida em quatro zonas, de níveis crescentes de biossegurança. A primeira zona, de recepção, estende-se ao longo da estrada de acesso ao quarentenário, desde o primeiro portão de ingresso até uma guarita protegida por seguranças da estação. A segunda, administrativa, avança até a entrada dos primeiros vestiários e compreende o escritório central, os alojamentos dos tratadores e dos técnicos, cozinha, refeitório, auditórios e lavanderia. A terceira área funciona como uma zona de proteção, que conduz à entrada do setor onde os animais estão propriamente alojados – também conhecido como área técnica ou zona 4. Nessa última zona, isolada das demais por uma densa vegetação e por cercas duplas, encontram-se localizados o segundo vestiário, área de banho, sala de necropsias, piquetes para bovinos, galpões para o alojamento de suínos, tronco e embarcadouro, laboratório para a manipulação de embriões e o quarentenário de aves. Este último conta com um sistema especial de filtração e controle do fluxo de ar que garante um elevado padrão de biossegurança.
Cabe ressaltar que a EQC foi alvo complementar de uma missão americana, que esteve no Brasil em 27/10/2009 com o intuito de avaliar risco sanitário com vistas à importação de carnes de aves brasileiras. No relatório encaminhado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos da America – USDA, ao Diretor do Departamento de Saúde Animal, em Brasília, a referência que se faz à Estação Quarentenária de Cananéia tem a seguinte descrição:
“The APHIS team also was impressed with activities in the Cananeia quarantine station and the Campinas airport. The quarantine station was a new state-of-the-art facility with excellent infraestructure to house different species”.
(“A equipe do APHIS também se impressionou com as atividades da Estação Quarentenária de Cananéia e do aeroporto de Campinas. A Estação Quarentenária é um estabelecimento de vanguarda, com excelente infra-estrutura para manter diferentes espécies”).
5. Atividades realizadas
A EQC se dedica às atividades de quarentena de diversas espécies animais, como bovinos, aves e suínos, podendo ser utilizada tanto com fins de importação quanto de exportação. As técnicas e procedimentos utilizados durante as quarentenas estão sob constante desenvolvimento e melhoria, de acordo com o avanço do conhecimento técnico e científico da área e com as recomendações da Organização Mundial de Saúde Animal – OIE. As diretrizes das ações da EQC são elaboradas pelo Departamento de Saúde Animal – DSA, órgão ao qual a Estação é tecnicamente subordinada. O DSA, por sua vez, é assessorado pelo Grupo Técnico de Quarentena Animal, GTQA – comitê estabelecido pelo MAPA para discutir e propor normas para questões relacionadas à quarentena animal. O GTQA retransmite ao DSA e à EQC recomendações sobre procedimentos, biosseguridade, provas diagnósticas, duração mínima da quarentena, estrutura física da Estação e outros temas relacionados à área.
Também são realizados na EQC cursos de capacitação técnica e encontros científicos, inclusive internacionais. Por contar com instalações adequadas (alojamentos, refeitório, auditórios) e ter uma localização privilegiada (aproximadamente a meio caminho entre São Paulo e Curitiba), a EQC desempenha hoje um papel estratégico dentro dos programas de capacitação do DSA, servindo como o principal centro de treinamentos na área de saúde animal.

Veja outros links sobre a EQC:
http://g1.globo.com/sp/santos-regiao/noticia/2014/04/cananeia-inaugura-novas-instalacoes-para-receber-suinos-importados.html

http://www.suinoculturaindustrial.com.br/noticia/eqc-eleva-biosseguridade-na-importacao-de-suinos-vivos/20140410172726_J_591
http://www.opresenterural.com.br/arquivos/noticia-detalhes.php?id=2219&id_categoria=3&id_subcategoria=3

http://www.portalvaledoribeira.com.br/2014/04/11/estacao-quarentenaria-de-cananeia-inaugura-novas-instalacoes/

http://revistagloborural.globo.com/Noticias/Criacao/Suinos/noticia/2014/04/governo-inaugura-instalacao-para-suinos-importados.html

http://revistagloborural.globo.com/Revista/Common/0,,ERT324187-18530,00.html

http://www.oriobranco.net/mundo/37403-estacao-deve-reforcar-seguranca-sanitaria-de-rebanho-suino-brasileiro.html
http://www.biosafebrasil.com.br/galeria-de-fotos/cananeia.htm
http://ww3.panaftosa.org.br/Comp/MAPA/5621218.pdf
http://www.omelhordoribeira.com.br/noticias.php?cid=Cananeia&news=Esta%E7%E3o+Quarenten%E1ria+de+Canan%E9ia+anuncia+sua+reativa%E7%E3o&cod=85
https://www.flickr.com/photos/minagricultura/sets/72157628209773447/detail/