segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Peste Suína Clássica: OIE muda regra e Brasil pode perder espaço no mercado internacional

A partir de 2015 a peste suína clássica (PSC) passa a fazer parte da lista de doenças de reconhecimento oficial da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE), juntamente com febre aftosa, peste bovina, pleuropneumonia contagiosa dos bovinos, encefalopatia espongiforme bovina (doença da vaca louca), peste dos pequenos ruminantes e peste equina. A partir de então o reconhecimento de país ou área livre da doença será dado através de certificação da agência internacional. 
A mudança na regra, oficializada pela resolução 29 da OIE e aprovada pelos países membros em maio de 2013, altera a condição da peste suína clássica de doença de autodeclaração para doença de reconhecimento oficial. Na situação anterior, cada país membro poderia declarar seu território ou parte dele como livre da doença. No caso do Brasil, a Instrução Normativa 52/2013 do Ministério da Agricultura declara como livres de peste suína clássica os estados do Acre, Bahia, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Rondônia, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Tocantins, o Distrito Federal e alguns municípios do estado do Amazonas. 
Com a nova regra os países membros solicitam a certificação internacional à Organização Mundial de Saúde Animal, e o que vem causando discussão é que o Ministério da Agricultura vai encaminhar o pedido de certificação de área livre apenas para os estados de Rio Grande do Sul e Santa Catarina, deixando de fora estados importantes na produção e exportação de carne suína. Pelo menos dois estados, Paraná e Goiás, já se mostraram insatisfeitos com o relatório que será encaminhado para OIE agora em setembro, e ameaçaram até mesmo entrar na justiça para fazerem valer seu status de área livre. Fica claro que a atual situação da área autodeclarada livre de peste suína clássica não suportará uma auditoria internacional.
No curto prazo, pelo menos até meados de 2015, nada muda em relação às exportações de carne suína, já que até lá todos os países membros estão fazendo o mesmo que o Brasil, e solicitando à OIE o reconhecimento de seus estados nacionais ou de parte deles como livres da doença. A partir daí há risco de perda de espaço brasileiro no comércio internacional, seja pela redução do número de estados certificados como livres, seja pela possibilidade de retaliação do Brasil por países que sejam reconhecidos como livres pela OIE. A utilização do conceito de equivalência previsto pelo acordo de medidas sanitárias e fitossanitárias (SPS) da Organização Mundial do Comércio (OMC) poderá ser utilizado para impor restrições ao Brasil, no todo ou em partes.
O acordo SPS tem como objetivo o estabelecimento de regras para a aplicação de medidas sanitárias e fitossanitárias aos produtos agrícolas, para proteção da vida ou saúde humana, animal ou vegetal, de modo a não criar barreiras desnecessárias ao comércio internacional. A partir do acordo SPS, três instituições passam a ser fundamentais para o comércio de produtos agrícolas: o Codex Alimentarius (CODEX) para medidas de segurança dos alimentos; a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) no estabelecimento de medidas na área de sanidade animal; e a Convenção Internacional para Proteção Vegetal (IPPC) que estabelece critérios para sanidade vegetal.
O desafio que hora se apresenta ao Ministério da Agricultura, enquanto autoridade sanitária nacional, é o de incluir o quanto antes todos os estados brasileiros com importância na produção e exportação de carne suína, que são basicamente os três estados do sul, São Paulo em Minas Gerais na região sudeste e os estados da região centro-oeste, dentro da área livre de peste suína clássica reconhecida pela OIE. A execução desta empreitada vai implicar na definição de questões como formação de fundos sanitários em estados como São Paulo e Minas Gerais e a reestruturação dos serviços de defesa sanitária de estados como Mato Grosso e São Paulo.
Outro ponto que necessariamente precisará ser enfrentado é a questão do nordeste, região onde a peste suína clássica é endêmica. O desafio aqui é a grande quantidade de animais criados sem nenhum controle sanitário ou zootécnico e a pouca importância econômica da suinocultura industrial para o PIB daqueles estados. A baixa relevância econômica faz com que os estados nordestinos não tenham maiores incentivos na execução de um programa de erradicação da doença, sobretudo porque é justamente nestes estados que o controle da enfermidade será mais dispendioso, seja pela falta de conhecimento do real tamanho da população de suínos, seja pela dispersão geográfica destes animais ou seja pela necessidade de recursos para suportar possíveis indenizações em casos de abates sanitários.
Não é hora de acusações sobre quem foi negligente em relação aos estados tido como livres e que agora veem-se ao largo do reconhecimento internacional, ou do porquê a questão da peste suína clássica não foi solucionada no nordeste depois de tantos programas oficiais de erradicação da doença. O momento é de uma discussão profunda entre a cadeia produtiva, governos estaduais e federal e especialistas no assunto, para colocar em ação um planejamento estratégico que no médio prazo resolva a inserção dos estados produtores de carne suína na área livre e no longo prazo resolva a situação endêmica da peste suína clássica no nordeste.
Fonte:  Blog do Coser
http://www.suinoculturaindustrial.com.br/noticia/peste-suina-classica-oie-muda-regra-e-brasil-pode-perder-espaco-no-mercado-internacional/20140828093123_J_688

The importance of teaching about animal reseach in schools


The importance of teaching about animal reseach in schools
In today’s staff blog post, Education Project Officer Stuart Rogers outlines the importance of teaching about animal research in schools.
Animal Research remains a controversial issue in both modern media and politics. Although around 80% of the British public accept and support the humane use of animals in medical research there is a small minority that demonstrate strong opposition catalysed by the numerous animal rights organisations active in the UK.
A big problem is that most of this opposition to animal research is based on misconceptions and misinformation. The Ipsos-MORI poll conducted in 2012 revealed that around two thirds people believe that animals can still be used in the UK for cosmetic testing despite this being banned in 1998.
If we as a modern cultured society are going to have a reasoned and rational debate on the use of animals in medical research it is vital that we provide the public with the relevant information to make an informed decision on the issue.
We believe presenting the information surrounding the issue to school pupils in a neutral manner is the best way to go about this. I have been involved in the Education Programmefor Understanding Animal Research for a year and have had experience in delivering lessons to a range of year groups and also training people involved in the world of animal research (lab techs and researchers) to go out and deliver lessons to pupils.
Our sessions last around 1 hour and include some historical case studies of the benefits of animal research, how animals are used in medical research today, animal welfare and the session is finished with a Q and A. We also include a practical component where pupils get to dress up as a lab technician and perform a blood draw on Jasper, our prosthetic rat.
UAR demonstrating with a prosthetic rat during a school visit. Credit: Brilliant Images
Giving students a platform to ask questions about this topic and think through ethnical issues surrounding animal research carries enormous learning value for both the students and the animal research professional.
The students have the opportunity to ask a real professional involved in the industry about their day to day work and any other questions they may have and the speakers gain confidence in discussing their field of work openly which is an integral factor in industry transparency.
When educating pupils about a contested issue it is both important and responsible to expose them to both conflicting perspectives, so animal rights organisation have the right to explain their side of the story. These organisations do have education programmes and deliver school talks across the country. However it should be noted that these organisations have a direct vested interest in steering individuals against the use of animals for medical research as they will be able to harvest donations from their supporters and thereby generate revenue.
So organisations that are opposed to animal research should be allowed to present their side of the debate. However animal rights groups are notorious for misrepresenting facts and employing pseudoscience to muster people to their cause. This is very unethical in an educational setting. Everyone should have the opportunity to make up their own mind about the use of animals in medical research; it’s my job to make sure that this decision is based on the facts, not fiction.
http://www.understandinganimalresearch.org.uk/news/2014/08/the-importance-of-teaching-about-animal-reseach-in-schools/?n_id=79&u_id=1863

sábado, 23 de agosto de 2014

Could we eradicate BVD?


The bovine viral diarrhea (BVD) virus, and related viruses in the “pestivirus” classification, cause considerable economic damage through reproductive losses in cow herds and as a contributor to bovine respiratory disease (BRD) in feedyards.

Transmission of the virus, and its introduction into herds, typically is associated with the presence of persistently infected (PI) calves, which are relatively uncommon, preventable and can be identified through diagnostic testing. So could the U.S. beef industry eradicate the disease? A pair of upcoming conference will explore that possibility, along with current science of BVD diagnostics, prevention and control.
On October 13 in Kansas City, the Kansas State Diagnostic Laboratory, Life Technologies and Merck Animal Health will sponsor a conference titled “Bovine Viral Diarrhea Virus Eradication: Reality or Myth?” That conference precedes the 2014 BVDV/ESVV Pestivirus Symposium, titled “Pestiviruses: Old Enemies, New Challenges,” scheduled for October 14 and 15.
While the two conferences will take place consecutively in the same hotel, each has its own registration.
The BVDV eradication conference will feature the following presentations.
  • BVDV Epidemiology and Economic Impact: The science and economics of why we can and need to eradicate BVDV. Dr. John VanLeeuwen, University of Prince Edward Island, Canada
  • BVDV Eradication: Vaccination and Diagnostics, Where do producers start? Dr. Tom Shelton, Merck Animal Health
  • BVDV Diagnostic Options for Practitioners and Producers: How KSVDL offers guidance for using PCR to prevent and control BVDV on US beef operations. Dr. Gregg Hanzlicek, Kansas State Veterinary Diagnostic Laboratory
  • BVDV Regional Eradication Success: Michigan’s Upper Peninsula. Dr. Dan Grooms, Michigan State University
  • Keeping BVDV Out: Proactive detection of HoBi-Like virus with Real-time PCR. Dr. Johnny Callahan, Life Technologies / Simone Silveira – Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Brasil (UFRGS)
  • Beef and dairy operation BVDV bio-security vulnerability points. Dr. Dan Thomson, Kansas State University
Online registration is available for Bovine Viral Diarrhea Virus Eradication: Reality or Myth?
Beginning the next day, the joint 2014 BVDV/ESVV Pestivirus Symposium is a collaboration between a consortium of U.S. researchers organized five BVD symposia held at three-year intervals, and the European Society of Veterinary Virology, which has held a series of eight symposia focusing on characterization and control of pestivirus infections including BVDV. This is the first time that the two groups have joined together to organize a joint symposium.
This joint meeting, to be held will feature talks by researchers from North America, South America, Australia and Europe. It will be divided into three sessions focusing on the latest research in the following areas:
  • Pestiviruses and the Immune System
  • Genetic Variability and Evolution of the Known Pestiviruses
  • "Old" Pestiviruses in New Hosts and the Emergence of New Pestiviruses
The full agenda and registration information are available on the U.S. Animal Health Association website
http://www.bovinevetonline.com/newsletter/bovinevet-wir/Could-we-eradicate-BVD-271907961.html

Tripanossoma vivax: Doença ataca gado e causa a morte de 500 cabeças em Minas


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Pecuaristas da região Central do Estado contabilizam os prejuízos causados pelo surto de Tripanossomose bovina, que nas últimas duas semanas já matou cerca de 500 animais e reduziu a produção leiteira em cerca de 60%, de acordo com estimativa do IMA (Instituto Mineiro de Agropecuária).

A doença, provocada pelo protozoário Tripanossoma vivaz, causa anemia no gado, que deixa de se alimentar após a infecção e morre em até cinco dias.

Os primeiros registros da doença no Brasil ocorreram no Pará, em 1972. Nas décadas seguintes, novos casos surgiram no Amapá, Mato Grosso e, em 2008, houve o primeiro registro em Minas Gerais.

Para Kênia Silva Guimarães, coordenadora regional do IMA, as razões para o aumento de casos da doença têm ligação com procedimentos realizados pelos próprios produtores. “Além do mosquito que transmite a doença, o uso compartilhado de agulhas em vários animais é muito comum, principalmente nas regiões leiteiras. Por isso, é importante observar as orientações da vigilância sanitária dentro das propriedades”, alerta.

Além da preocupação com uma possível expansão do surto para outras regiões, produtores alegam que o enfrentamento à doença se torna mais difícil porque o medicamento eficaz no combate ao protozoário não pode ser comercializado no país.

A droga feita à base de cloreto de isometamidium é fabricada por um laboratório francês e comprada na Venezuela. Porém, por não ser reconhecida pelo Ministério da Agricultura, Agropecuária e Abastecimento, não está disponível no mercado brasileiro.

O remédio disponível atualmente, à base de diminazeno, não tem sido eficaz, de acordo com pecuaristas. “A situação acaba fazendo com que produtores tomem atitudes extremas e procurem o mercado negro para adquirir o medicamento que traz resultados”, afirma Kênia Guimarães.

Para conseguirem autorização para importar o medicamento considerado ideal no combate à doença, os produtores precisam solicitar ao Ministério da Agricultura, em Brasília.

De acordo com Theomar Silva, chefe de Fiscalização de Insumos Pecuários do Ministério da Agricultura em Belo Horizonte, a importação de grandes quantidades do medicamento está limitada a ocasiões específicas, como pesquisas científicas e programas especiais de defesa animal.

“A importação é autorizada em pequenas quantidades para pessoas físicas. No caso dos produtores mineiros, que querem comprar grandes quantidades por meio de cooperativas, é necessário formalizar o pedido junto ao Departamento de Fiscalização de Insumos Pecuários, na Coordenação de Produtos Veterinários, em Brasília”, explica Theomar. “Além disso, não houve, até o momento, pedido de nenhuma empresa para registrar o produto no Brasil”, ressalta.

A notícia é do Hoje em Dia.
http://www.revistaplantar.com.br/doenca-ataca-gado-e-causa-a-morte-de-500-cabecas-em-minas/?utm_source=twitterfeed&utm_medium=twitter

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Fator humano influencia ocorrência de mastite


Pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiros (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba, mostrou que as fazendas com alta prevalência de gado de leite com mastite não se diferem das propriedades com baixa prevalência. "Porém, quando observamos o fator humano, identificamos que os produtores de rebanhos com baixa Contagens de Células Somáticas (CCS) [menos que 200 mil células por ml de leite], apresentam uma atitude mais favorável para o controle da doença do que os produtores de rebanhos com altas contagens", explica o pesquisador Juan Camilo Esguerra.
Créditos: Wikimedia Commons
Clique na imagem para vê-la no seu tamanho original.


"Isso evidencia o melhor comportamento frente à doença que estes produtores adotam. Um exemplo de ação positiva seria o descarte de animais doentes com maior frequência, diferente do que foi identificado nos rebanhos de alta prevalência", completa.

Causada por bactérias encontradas no ambiente onde vivem gado de leite, a mastite (ou mamite), é uma infecção que atinge a glândula mamária do animal. Dados da Embrapa Gado de Leite apontam que, no rebanho brasileiro, a prevalência da doença seja de 20% a 38%, o que representaria uma perda de 12% a 15% da produção. A contaminação pode ocorrer tanto por falta de boas práticas no ambiente, quanto por meio do contato com leite contaminado de outros animais no momento da ordenha.

Esguerra é autor da dissertação de mestrado A influência do homem na mastite de gado leiteiro realizada no Programa de Pós-graduação em Ciência Animal e Pastagens da Esalq, sob orientação do professorPaulo Fernando Machado. O pesquisador avaliou, por meio de questionários, 68 rebanhos comerciais do sudeste brasileiro, concentrados nos estados de São Paulo e Minas Gerais.

Os rebanhos foram divididos em dois grupos. O primeiro com 34 rebanhos, incluía apenas propriedades onde era possível identificar no gado leiteiro baixas Contagens de Células Somáticas (CCS) -- menos que 200 mil células por ml de leite; no segundo, com os 34 rebanhos restantes, o gado produzia leite com alto índice de CCS -- mais do que 700 mil células por ml de leite, o que diagnostica a mastite. "Foram avaliadas as características gerais dos rebanhos, como número de animais em lactação, produção diária do rebanho, raça, entre outros fatores. Porém, o foco da pesquisa foi o ser humano inserido nestes ambientes. Neste caso, avaliamos o pecuarista e o empregado, mais especificamente, o ordenhador", explica.

Foi aplicado um questionário com 180 questões. "Com ele, pudemos avaliar o dono da propriedade e o empregado abordando assuntos como: atitude, autoconfiança, nível de pressão social, habilidades e conhecimentos técnicos, dificuldades gerenciais e o comportamento do produtor frente à mastite. Da mesma forma, foi avaliada a situação dos equipamentos disponíveis para o ordenhador, seu nível de competência, motivação, satisfação de suas necessidades e sua postura ante a mastite."

O homem como fator de maior influência

No caso do ordenhador, Esguerra aponta que os resultados foram semelhantes. Os empregados nas propriedades de baixa CCS também demonstraram ações que remetem à postura de seus empregadores, favoráveis ao controle da doença. "Estes ordenhadores aplicam corretamente o desinfetante pós-ordenha e com maior frequência do que os ordenhadores de rebanhos com alta CCS, entre outras ações".

Mas o pesquisador ressalta que este comportamento depende das ferramentas e equipamentos adequados e de uma atitude positiva do ordenhador frente ao trabalho. "Portanto, se o produtor apresenta a atitude correta, o funcionário da fazenda vai apresentar comportamentos favoráveis para o controle da mastite", afirma. "Se além de não descartar vacas doentes ele não faz a manutenção adequada do equipamento de ordenha, o risco da infecção na glândula mamária do animal aumentará."

Esguerra resume a conclusão do trabalho em relação à interferência do homem e as relações administrativas de uma fazenda pecuarista: "Se o meu chefe não se preocupa com a produção de leite, por que eu me preocuparia?", e aponta que "não importa quantas máquinas existam na fazenda, se o produtor ou o ordenhador não apresentam a atitude e comportamento corretos tanto em relação aos animais quanto aos equipamentos, as situações de risco da mastite estarão sempre presentes", comenta.

Prevenção

Segundo o professor Paulo Fernando Machado, não há como erradicar a doença, mas é possível controlá-la. "Para isso, dispomos de metodologia capaz de atingir este resultado. O Método de Análise e Solução de Problemas de Mastite (MASP Mastite), desenvolvido na Clínica do Leite da Esalq, é composto por procedimentos operacionais, ferramentas e capacitações de técnicos para identificar a doença, bem como suas principais causas nos confinamentos de gado leiteiro", afirma o professor.

Por outro lado, Esguerra indica que, posteriormente, possa ser desenvolvido um questionário que sirva como ferramenta para o diagnóstico da mastite nos rebanhos. "Porém, este primeiro material tinha o propósito de explorar a situação destas variáveis e constituir a base para futuros trabalhos que permitirão sua depuração", conclui.

FONTE

Lucas Jacinto - Jornalista

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Pesquisa detecta bactérias e fungos em 62,5% de passarinhos traficados

Microrganismos encontrados na cloaca de 158 passarinhos silvestres apreendidos do tráfico podem causar doenças em humanos e animais e disseminar resistência a antimicrobianos (foto: A. Saidenberg)

Por Jussara Mangini
Agência FAPESP – As campanhas educativas para desestimular a compra de animais silvestres comercializados ilegalmente ganharam um reforço em seus argumentos com um estudo concluído recentemente na Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ) da Universidade de São Paulo (USP).
A pesquisa “Caracterização da microbiota intestinal bacteriana e fúngica em passeriformes silvestres confiscados do tráfico que serão submetidos a programas de relocação”, desenvolvida com Auxílio à Pesquisa da FAPESP, encontrou microrganismos com potencial patogênico – que podem apresentar risco à saúde humana e animal – em 62,5% de 253 amostras de material coletado na cloaca (órgão por onde as aves eliminam as fezes e a urina e põem os ovos) de 34 espécies de passarinhos silvestres resgatadas do tráfico de animais e encaminhadas ao Departamento de Parques e Áreas Verdes de São Paulo (Depave) para avaliação, reabilitação e relocação no ambiente.
Segundo dados da Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas), as aves são o principal alvo do comércio ilegal de animais. Os passeriformes silvestres (pássaros nativos com pequenas dimensões como sabiás, canários, curiós, entre outros) são os mais traficados, seguidos por papagaios, araras e demais gêneros.
Estima-se que 90% das aves capturadas para tráfico morram antes de chegar ao destino final. Quando resgatadas por órgãos fiscalizadores, muitas já se encontram com a saúde debilitada por causa de condições sanitárias inadequadas na captura, no transporte e na manutenção em cativeiro.
“A pesquisa de alguns microrganismos como Salmonella spp., Cryptococcus spp. e Candida spp. é prevista na lista de exames sanitários recomendados pela Instrução Normativa 179 do Ibama [Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis]”, disse Priscilla Anne Melville, do Departamento de Medicina Veterinária Preventiva e Saúde Animal da FMVZ, responsável pelo estudo. “No entanto, quisemos fazer um estudo mais abrangente para descobrir quais outros patógenos podem ser carreados por esses animais.”
O trabalho contou com a participação dos pesquisadores da FMVZ/USP Nilson Roberti Benites, Paulo Eduardo Brandão, André Becker Simões Saidenberg, Patrícia Braconaro e Eveline Zuniga e das veterinárias do Depave Adriana Joppert da Silva, Thaís Sanches e Ticiana Zwarg.
De acordo com os pesquisadores, o material coletado na cloaca das aves é mais preciso como indicador da microbiota intestinal do que as fezes, já que, em condições normais, os microrganismos presentes ali são oriundos somente do trato intestinal. Já a análise das fezes pode levar a falsos resultados pela contaminação do material por bactérias presentes no ambiente.
Segundo Melville, exames de verificação de ocorrência e frequência de fungos e bactérias mostraram que em 158 (62,5%) das 253 amostras havia presença de microrganismos. Em 123 delas (77,84%) havia somente bactérias; em outras quatro somente fungos; e em 31 fungos e bactérias.
“Foram isolados ao menos 15 gêneros de bactérias, três gêneros de leveduras e quatro gêneros de fungos filamentosos. Alguns deles apresentam potencial zoonótico, ou seja, podem causar doenças em humanos e em animais e alguns desses apresentaram resistência a determinados antimicrobianos”, disse Melville à Agência FAPESP.
Microrganismos mais encontrados
Foram encontradas 13 espécies de Staphylococcus spp. em 38 amostras. O gênero Micrococcusspp. foi localizado em 29 amostras, enquanto Klebsiella spp. e Escherichia coli estavam em 27 amostras, cada.
Em testes de suscetibilidade a diferentes antibióticos e quimioterápicos, essas bactérias apresentaram multirresistência a determinados antimicrobianos. Foram encontradas ainda as bactérias Enterococcus spp. (em 11 amostras); Enterobacter spp. (10); Streptococcus spp. (8) eCitrobacter spp. (7).
“Cada microrganismo tem suas peculiaridades e causa doenças específicas. As bactériasEscherichia coli, por exemplo, podem estar associadas a distúrbios gastrointestinais. Espécies deStaphylococcus podem estar associadas a infecções cutâneas, sinusites, artrites e pneumonias. A transmissão se dá principalmente por meio do contato com as fezes do animal, com posterior ingestão acidental ou mesmo inalação de material contaminado”, afirmou a pesquisadora.
Alguns microrganismos encontrados no estudo ainda não haviam sido mencionados em trabalhos semelhantes. Entre eles, há a Rhodotorula spp. (levedura oportunista que pode causar doença em paciente imunossuprimido), Edwardsiella (bactéria associada a meningites e gastroenterites, entre outras) e Pasteurella multocida (agente associado à cólera aviária).
O estudo confirmou a presença de fungos filamentosos e leveduras encontrados em estudos anteriores, de outros autores, tais como Candida spp. (fungo associado a distúrbios gastrointestinais e respiratórios), Penicillium spp. (fungo associado a doenças como ceratites, endocardites, entre outras), Mucor spp. (fungo que pode acometer pacientes imunossuprimidos, causando infecções no trato respiratório e gastrointestinal, no sistema nervoso ou na pele),Aspergillus spp. (fungo que acomete principalmente o trato respiratório de aves), e Trichosporonspp. (patógenos oportunistas que podem acometer pacientes imunossuprimidos).
A pesquisa revelou ainda que é baixo o risco de transmissão de microrganismos sugeridos para investigação pela Instrução Normativa do Ibama como Salmonella spp., Cryptococcus spp. (ausentes nas amostras) e Candida spp. (baixa ocorrência).
Também é baixo o risco de transmissão para humanos, pelas aves avaliadas, de bactérias E.colicomo a Escherichia coli enteropatogênica (EPEC), Escherichia coli patogênica aviária (APEC) eEscherichia coli uropatogênica (UPEC). Por outro lado, há risco de transmissão intra ou interespécies ou introdução no ambiente de E.coli multirresistentes a antimicrobianos.
Bactérias resistentes
A investigação da microbiota intestinal das aves antes do processo de soltura é importante, pois pode esclarecer sobre possíveis riscos relativos à presença de resistência bacteriana aos antimicrobianos. “Ao serem eliminadas no ambiente, as bactérias multirresistentes a antimicrobianos podem se multiplicar e infectar diferentes hospedeiros, disseminando a resistência antimicrobiana entre as bactérias”, explicou Melville.
“Isso pode levar ao desencadeamento de doenças de difícil tratamento, já que a resistência antimicrobiana reduz as possibilidades terapêuticas. Por outro lado, muitas bactérias podem se tornar resistentes a um antimicrobiano, mesmo sem nunca terem tido contato com o mesmo”, disse a pesquisadora.
O alerta deve ser considerado principalmente quando se leva em conta que grande parte dos indivíduos que adquirem animais traficados mantém as aves como animais de estimação em suas residências.
“As pessoas devem ter ciência que podem ser contaminadas por determinados agentes bacterianos, virais e fúngicos transportados pelos animais traficados, especialmente os grupos de risco – idosos, crianças e pessoas imunossuprimidas ou que são submetidas a algum tratamento imunossupressor”, disse Melville.
Saidenberg esclareceu que, mesmo em liberdade, aves podem hospedar microrganismos com potencial para causar doenças na própria espécie, em outros animais e em humanos. No entanto, em geral, observa-se um equilíbrio entre o microrganismo e o hospedeiro como parte de um processo de coevolução e que também atua sobre o controle populacional.
A presença de determinado microrganismo não representa obrigatoriamente que a doença se manifeste. “No entanto, quando são traficadas, esse equilíbrio pode ser alterado em razão dos elevados níveis de estresse, das péssimas condições de higiene e alimentação inadequada a que são submetidos os animais, o que pode acarretar o desencadeamento de doenças infecciosas causadas por microrganismos com os quais estavam anteriormente em equilíbrio”, disse Saidenberg.
Legislação
Embora a legislação brasileira determine que animais silvestres só possam ser criados se adquiridos de criadores autorizados e que possuam documentação de comprovação de origem, somente em São Paulo, a Polícia Militar Ambiental apreendeu ou resgatou mais de 187 mil animais silvestres do tráfico de animais nos últimos 10 anos.
De 2006 a 2012, 82% dos animais confiscados do tráfico eram aves. Segundo dados do Ibama, a maioria dos pássaros silvestres comercializados ilegalmente vem das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste e os estados com o maior mercado consumidor estão na região Sudeste: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
As espécies apreendidas em maior quantidade no período do estudo foram pixarro (Saltator simillis), canário-da-terra (Sicalis flaveola), galo-de-campina (Paroaria dominicana), coleirinho-paulista (Sporophila caerulescens), azulão (Cyanoloxia brissoni) e pássaro-preto (Gnorimopsar chopi), segundo os pesquisadores. 

http://agencia.fapesp.br/19558

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Frascos de varíola 'esquecidos' são encontrados em caixa de papelão nos EUA

Varíola (Smallpox (EYE OF SCIENCE/SCIENCE PHOTO LIBRARY))
Varíola foi oficialmente declarada erradicada na década de 80
Frascos de varíola esquecidos havia muito tempo foram encontrados dentro de uma caixa de papelão por um cientista do governo americano em um centro de pesquisa perto de Washington, segundo autoridades.
Os vírus, que estariam mortos, foram achados em seis frascos congelados e lacrados, de acordo com o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, sigla em inglês).
Trata-se da primeira vez em que frascos não registrados e "esquecidos" contendo o vírus da varíola são encontrados nos Estados Unidos.
A doença foi oficialmente declarada erradicada na década de 1980.
"Os frascos parecem datar da década de 1950. Após a descoberta, eles foram imediatamente guardados e colocados em segurança", diz um comunicado do órgão.
"Não há nenhuma evidência de que qualquer um dos frascos tenha sido quebrado, e a equipe de biossegurança não identificou risco de exposição infecciosa aos trabalhadores de laboratório ou para o público em geral", acrescentou o comunicado.
As agências governamentais foram notificadas da descoberta no dia 1º de julho, depois que funcionários do Instituto Nacional de Saúde (NIH, na sigla em inglês) descobriram os frascos rotulados com "varíola".
Os frascos foram localizados em uma área não utilizada de um depósito em um campus do NIH em Bethesda.
Eles foram posteriormente transportados para uma área segura em Atlanta, no Estado da Geórgia, no dia 7 de julho.
Testes serão realizados para determinar o estado do material, que será destruído em seguida, disse o CDC.
O vírus pode ter sobrevivido a temperaturas de congelamento.
O CDC também notificou a Organização Mundial da Saúde (OMS) da descoberta. A OMS atualmente supervisiona dois locais que armazenam a varíola: um em Atlanta e outro em Novosibirsk, na Rússia.

Estes não são os primeiros frascos de varíola descobertos de forma inesperada. Vários frascos foram encontrados no fundo de um freezer na Europa Oriental na década de 1990, de acordo com relatos da mídia.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/07/140708_frascos_variola_eua_kb.shtml

Intoxicación por Clostridium botulinum en un perro

Aunque en algunos casos la sintomatología que presenta el paciente es bastante característica, siempre es necesario realizar una anamnesis minuciosa para no descartar posibles causas de enfermedad.
Ana María Martínez Munera, Alessandro Monaldi, Javier Santano Esquiu, Víctor Almagro Carrión
Clínica Veterinaria VetAMMolina de Segura (Murcia)
Imágenes cedidas por los autores

Se expone el caso de un paciente que presentaba síndrome neurológico periférico con parálisis flácida de evolución progresiva. Los datos clínicos y la falta de alteraciones en las pruebas colaterales, junto con una anamnesis meticulosa, despertaron la sospecha de la posible existencia de botulismo. Posteriormente se confirmó con el hallazgo de la toxina botulínica en la sangre.

Reseña y anamnesis
Lula es una perra mestiza de 30 kg de peso esterilizada de tres años de edad. Vive en una zona de Murcia cercana a ganaderías de cerdos, con zonas pantanosas y acequias. El animal se escapó de su finca junto con otro perro, el cual no fue encontrado.
El animal presenta incoordinación, debilidad y caídas. Fue ingresada en un centro veterinario cercano donde se describe con un estado de sopor y parálisis flácida progresiva hasta terminar en un estado de decúbito lateral. Se mantiene atenta en todo momento y presenta midriasis bilateral (figura 1).
Figura 1. Lula presenta mirada atenta.
La primera sospecha, teniendo en cuenta su fuga en el mencionado entorno rural, fue una posible intoxicación. La falta de convulsiones y la progresión de la sintomatología hacia una flacidez generalizada hizo replantear la sospecha del diagnóstico, si se tiene en cuenta que la mayoría de los tóxicos son agentes que provocan convulsiones.

Examen clínico
El animal se mantiene en todo momento en decúbito lateral y presenta flacidez de todas las extremidades, incluyendo cabeza y cuello (figura 2). La respiración es superficial y taquipneica, el color de las mucosas es normal y presenta taquicardia. La condición corporal es óptima, así como su estado de hidratación. Lo que más destaca es su estado mental, que parece normal y con una mirada de auxilio (figura 3). A la total parálisis e impedimento de poder girar la cabeza o cambiar de postura se contrapone la posibilidad de leves movimientos de la cola.
Figura 2. Flacidez generalizada.
Figura 3. Decúbito lateral y administración de fluidoterapia.

Examen neurológico
El estado mental es normal; muestra una mirada de auxilio. Respecto a la postura, el animal está en decúbito lateral y muestra flacidez e hipotonía generalizadas. Su cabeza queda totalmente en ventroflexión y sin tono alguno. La respuesta a la amenaza es de normal a levemente disminuida.
Considerando el tamaño del animal y su total flacidez, es difícil determinar las reacciones posturales, pero están ausentes en los cuatro miembros. La sensibilidad profunda se mantiene (percepción del dolor), pero el reflejo de retirada está ausente.
Respecto a los reflejos craneales, hay midriasis bilateral, con poca respuesta fotomotora; palpebral disminuido; trigémino facial ausente. La deglución es dificultosa, con sialorrea.
Los reflejos espinales están muy disminuídos en las cuatro extremidades; el perineal disminuido y el panicular presente.
También se le practican exámenes complementarios. En la bioquímica sérica los valores de gpt, creatinina y urea son normales; hay un aumento de la creatinquinasa. El hemograma completo es totalmente normal. El estudio radiológico cervical tampoco demuestra alteraciones.

Diagnóstico diferencial
Resulta difícil intuir la etiología de este cuadro, aunque la sintomatología que presenta Lula es muy característica. Nos encontramos frente a un caso de pérdida de los reflejos, con hipotonía generalizada y leve midriasis. La midriasis podría hacer pensar en una posible intoxicación, pero en realidad, la mayoría de los agentes tóxicos causan convulsiones. Un posible traumatismo, que en este caso sería cervical, no encajaría con la flacidez total de las extremidades y del cuello, y un estado de conciencia normal. El diagnóstico diferencial se basa en las posibles causas que pueden producir síndrome de motoneurona inferior, que son:
a)      Polirradiculoneuritis.
b)      Miastenia gravis.
c)      Botulismo.
Si se considera la anamnesis ambiental y reciente del animal (es decir, la fuga en la zona pantanosa) el diagnóstico más probable en este caso podría ser botulismo. Para el diagnóstico definitivo de esta enfermedad hay que aislar la toxina en líquidos biológicos (vómito, diarrea, orina o sangre). Por este motivo se envía al laboratorio de referencia una muestra de sangre obtenida en las primeras fases sintomatológicas, en busca de la toxina botulínica. Mientras tanto, el tratamiento que se plantea es de mantenimiento.
El tratamiento higiénico-sanitario incluye cambio de decúbito y vaciado manual de la vejiga tres veces al día. Se le da apoyo con fluidoterapia: Ringer lactato complementado con glucosa y aminoácidos en función de su peso.
Se empieza una terapia antibiótica con enrofloxacino y se añade terapia hepatoprotectora.

Diagnóstico definitivo
Hay presencia de toxina botulínica en la muestra sanguínea del paciente. De este modo se confirma la toxinfección.

Evolución
Durante los cuatro días siguientes, el animal empezó a recuperar la movilidad de las extremidades y la tonicidad del cuello (figura 4). El cuarto día consiguió sentarse (aunque todavía con ventroflexión del cuello), recuperó la deglución totalmente y se solucionó el ptialismo. El quinto día consiguió dar cuatro o cinco pasos. Actualmente está totalmente recuperada (figura 5).
Figura 4. Decúbito esternal y flacidez del cuello.
Figura 5. Lula durante su recuperación.
A partir del cuarto día, cuando estábamos totalmente seguros de que el animal podía deglutir sin problemas, se empezó a alimentar por sí sola con dieta blanda.

Discusión
El botulismo es una enfermedad neuroparalítica aguda y progresiva. Está causada por la ingestión de la toxina botulínica preformada en alimento o cadáveres en descomposición. La toxina la produce Clostridium botulinum, una bacteria anaerobia grampositiva, formadora de esporas y altamente resistente en el ambiente; la espora resiste temperaturas de 120 °C, mientras que la toxina se inactiva a los 85 °C.
La toxina provoca un proceso paralítico de motoneurona inferior con evolución rápida. Comienza de forma típica con debilidad del tren posterior con progresión craneal y evolución hacia la cuadriplejia, hay 
hiporreflexia y reducción muy marcada del tono muscular (el animal está como anestesiado). Resulta muy característico que se mantenga el nivel de consciencia y la nocicepción. El movimiento del rabo también se mantiene, lo que indica que no hay compromiso de los tramos motores de la médula.

Se presenta discreta midriasis arrefléctica o con poca respuesta fotosensible. Algunos animales presentan disfagia, disfonía y dilatación esofágica. La incapacidad de deglutir desencadena una sialorrea, a veces contrarrestada por la disminución de la producción de saliva (bloqueo parasimpático). En casos graves se puede complicar con neumonía por aspiración.
Los músculos respiratorios también pueden verse afectados y se produce taquipnea. Primero, los intercostales y, por último (afortunadamente) el diafragma, ya que presenta una mayor resistencia a la toxina.
La enfermedad siempre se produce por ingestión de la toxina preformada; solo en medicina humana se describe de forma esporádica la formación de toxina en el tramo intestinal por parte del Clostridium (botulismo infantil) o contaminación de una herida cutánea por la misma bacteria que empieza a producir la toxina.
La incubación tras la ingestión va desde las 12 h hasta los 6 días. La sintomatología varía en función de la cantidad de toxina ingerida y de la sensibilidad de cada paciente: puede ser muy leve y limitarse a producir ligera debilidad motora, o solo afectación de algún nervio craneal con cambio de voz (disfonía) o atonía mandibular.
La toxina es capaz de producir parálisis de motoneurona inferior al evitar la liberación presináptica de acetilcolina en la unión neuromuscular. Si se considera que la acetilcolina es un neurotransmisor a distintos niveles, pueden coexistir signos de disfunción del SNP (musculoesquelético) y autónomo (simpático y parasimpático). La toxina botulínica está formada por una cadena pesada que permite el enganche a la membrana presináptica, y una cadena ligera que entra en el espesor de la membrana e impide la liberación de las vesículas de acetilcolina en el espacio sináptico; por esto se considera una patología presináptica (figura 6).
Figura 6. Modo de actuación de la toxina botulínica en la neurona.
Existen siete serotipos de toxina (A-G) y todas son capaces de bloquear la exocitosis de acetilcolina en el espacio sináptico.

Importancia del diagnóstico diferencial
Entre los diagnósticos diferenciales, hay que considerar que son pocas las enfermedades que pueden producir esta sintomatología. Es muy importante saber interpretar la midriasis y la flacidez muscular en este caso, porque en la mayoría de intoxicaciones por agentes que producen convulsión se presenta la primera de ellas, pero en este caso tenemos una flacidez marcada con hipotonía grave.
Las enfermedades que hay que considerar en el diagnóstico diferencial son:
  1. Parálisis por garrapata. Esta enfermedad no es frecuente en Europa, incluso existen autores que dicen que aquí no existe, pero constituye un peligro en Australia y Norteamérica. La toxina (holociclotoxina) contenida en la saliva de la garrapata produce una unión reversible a la membrana presináptica. La producion de la toxina aumenta en la fase de cría de las garrapatas. El tratamiento consiste en la eliminación del parásito; en Australia se dispone de una antitoxina.
  2. Polirradiculoneuritis aguda y polimiositis, enfermedades ambas que demostrarían hiperestesia. Las polirradiculoneuritis pueden ser primarias (idiopáticas) o secundarias inducidas por parasitosis hemáticas (ricketsiosis, ehrlichiosis, borreliosis, etc.).
  3. Miastenia gravis. En su forma adquirida, la formación de autoanticuerpos contra los receptores posinápticos de la acetilcolina produce un desorden compatible con motoneurona inferior.
  4. Mordedura y envenenaminto por serpiente coral (en Norteamérica).
El diagnóstico anamnésico es lo más importante en el caso de animales que viven libres en zonas rurales con acceso a basura y carroñas o alimentos enterrados que favorecen las condiciones de anaerobiosis para la producción de la toxina. Por la sintomatología podemos sospechar que existe esta enfermedad en caso de parálisis flácidas generalizadas. Los casos leves con simple debilidad, disfagia o afonía se quedan sin diagnosticar, pero afortunadamente no suelen progresar.
El diagnóstico definitivo consiste en el aislamiento de la toxina de vómito, suero, orina y heces, que solo se puede demostrar en las primeras fases de la enfermedad. Estas muestras se tienen que extraer en las primeras fases sintomatológicas y se recomienda no congelarlas (la simple refrigeración no interfiere).
Otra posibilidad es la inoculación intraperitoneal de una muestra del paciente en ratones a la espera del desarrollo de la sintomatología
En la mayoría de los casos los tratamientos disponibles se refieren a cuidados de soporte. Si se tiene en cuenta que la toxina está preformada muchas veces resulta infructuosa la utilización de los antibióticos. Incluso la utilización de antibióticos aminoglucósidos podría estar contraindicada, si se considera que producen una reducción de la liberación de acetilcolina.
La antitoxina es una utopía ya que funcionaría solo en las primeras fases. La única disponible es la antitoxina en comercio para humanos frente a los serotipos A, D y E, y la toxina equina frente a los serotipos A, B y E. Teniendo en cuenta que la toxina canina es el serotipo C, cualquier intento de administración sería inútil.
Otros tipos de tratamientos descritos serían los potenciadores musculares y los tratamientos con anticuerpos solo disponibles en humanos, creados y fabricados en masa por peligro de bioterrorismo.
El pronóstico dependerá en todo momento de la cantidad de ingestión de la toxina.
La neurona queda irreversiblemente dañada pero no hay muerte celular. La irreversibilidad, si el animal sobrevive a la enfermedad, puede ser resuelta por restauración de uniones neuromusculares, consiguiendo así una recuperación total.
Si consideramos que todas las sinapsis cuyo neurotransmisor es la acetilcolina se ven afectadas, se justifica fácilmente la sintomatología que se presentaba en nuestro paciente.
Bibliografia
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Historia de la enfermedad
La palabra botulismo procede del latín: botulus significa “salsa”, pues se sospechaba que la causa de esta enfermedad se encontraba en la salsa de las carnes.
El primer estudio data de 1820, cuando Justinus Kerner detalla las manifestaciones clínicas observadas en grupos de pacientes con esta patología. Ya en 1895, Van Ermengem demostró que el botulismo estaba causado por una toxina de un bacilo anaerobio, el Clostridium botulinum, el cual consiguió aislar por primera vez del bazo de una persona víctima de esta patología tras ingerir unos alimentos en mal estado. Posteriormente reprodujo con éxito los síntomas en animales de laboratorio.
En 1900 se empezó a utilizar la toxina de forma experimental con fines médicos terapéuticos: contra el estrabismo en niños y sucesivamente por distintos neurólogos frente a enfermedades neurológicas como las distonías. Hoy en día es muy conocida en medicina estética y se utiliza como tratamiento de otros trastornos como hiperhidrosis (hipersudoración), bruxismo, sialorrea, temblores y otros problemas.
Epidemiología
Se considera que la toxina botulínica es el veneno más poderoso que existe, 10.000 veces más potente que el cianuro. En España, aun hoy, se describen casos en humana, aunque se trata de una enfermedad poco frecuente. Los casos que se notificaron al Sistema de Vigilancia Epidemiológica fueron 13 en 2009, 8 en 2010 y 91 en 2012. En gatos es poco frecuente posiblemente por la selectividad a la hora de comer y por la propia resistencia.
http://argos.portalveterinaria.com/noticia/10900/Articulos/intoxicacion-clostridium-botulinum-perro.html