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quarta-feira, 2 de março de 2011

Produção brasileira de mel cresce 30% em 2010



País é o quinto maior exportador mundial do produto

A produção brasileira de mel cresceu cerca de 30% em 2010. Conforme dados do ministério da Agricultura, das 38 mil toneladas registradas em 2009, o número saltou para 50 mil toneladas no ano passado, o que coloca o país na 11ª posição no ranking dos países produtores. O Brasil é o quinto maior exportador mundial do produto.

Conforme o ministério da Agricultura, programas de incentivo à produção apícola e capacitação de agricultores envolvidos com a cadeia produtiva são os responsáveis pelo destaque do setor nos últimos anos. Segundo o pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Ricardo Camargo, uma das principais alternativas para o aumento da produção nacional de mel é a parceria entre a apicultura, a fruticultura e a silvicultura.

Estados como Rio Grande do Sul, Espírito Santo e Minas Gerais, têm projetos em andamento. Em Minas, uma das experiências na área é a de uma associação de apicultores que trabalha com silvicultores. Como resultado da parceria, em 2010, houve um aumento no faturamento da associação de produtores e na produção de mel. A produtividade média das colmeias registrada na região foi de 55 a 60kg/colmeias/ano em 2009 e 2010, com valores acima da média nacional, que é de 25Kg/colmeia/ano.

— Graças à união com uma empresa multinacional produtora de celulose, cerca de 46 municípios mineiros estão sendo beneficiados com o sistema de integração apicultura-silvicultura — explica Ricardo Camargo, que atua como consultor técnico da Câmara Setorial da Cadeia Produtiva do Mel e de Produtos Apícolas do ministério da Agricultura.

Atualmente, 58 produtores de mel utilizam áreas reflorestadas e nativas de floresta. Essa participação corresponde a 100 mil ha com 14,6 mil colmeias (todas orgânicas) instaladas em apiários georeferenciados, o que permite a identificação do mel produzido nessas áreas.

Como parte do projeto, a empresa multinacional concedeu áreas para o desenvolvimento do sistema e financiou a aquisição de uma série de equipamentos para a montagem dos armazéns de mel. Os apicultores foram capacitados para combater incêndios e atuam de forma preventiva e na identificação de possíveis focos de incêndios.

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Pesquisa feita no Instituto de Biociências da USP demonstra que algumas espécies de abelhas sem ferrão podem ter rainha de fora da colmeia


Colmeia com rainha forasteira

Colmeia com rainha forasteira

18/11/2010
Por Fábio Reynol
Agência FAPESP – Em uma colmeia, a sucessora da abelha-rainha será uma de suas descendentes. Pelo menos é o que se imaginava. No entanto, uma pesquisa feita com a Melipona scutellaris, uma espécie da tribo Meliponini que compreende as abelhas sem ferrão, mostra que isso pode não ocorrer.
O trabalho fez parte do doutorado da bióloga Denise de Araujo Alves, defendido e aprovado em agosto e publicado em outubro na revista Biology Letters.
Denise contou com Bolsa de Doutorado Direto da FAPESP e seu estudo esteve inserido no Projeto Temático “Biodiversidade e uso sustentável de polinizadores”, que se realizou no âmbito do Programa Biota-FAPESP e foi coordenado por Vera Lúcia Imperatriz Fonseca, professora titular em Ecologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (IB-USP).
“O resultado foi surpreendente. Verificamos que, nas colônias nas quais houve substituição natural de rainhas fecundadas, as rainhas substitutas, em alguns casos, não eram oriundas daquela colônia”, disse Vera Lúcia àAgência FAPESP.
A pesquisa trouxe as primeiras evidências de um parasitismo social intraespecífico para colônias de abelhas Meliponini. O primeiro a sugerir a ideia foi o pesquisador holandês Marinus Sommeijer. Em experimentos na Costa Rica e em Trinidad Tobago, chamou-lhe a atenção o elevado número de abelhas-rainhas que nasciam em uma colônia, o que o levou a lançar a hipótese de que algumas poderiam assumir um ninho órfão (sem rainha).
Mas Sommeijer, após um estudo baseado em observações que rainhas saiam vivas das colônias, não levou adiante a investigação e a hipótese ficou sem comprovação.
Denise começou seu trabalho em São Simão (SP), com abelhas do experimento do professor Paulo Nogueira Neto, também do IB-USP. Nessa fase, ela coletou pupas de favos dos ninhos amostrados em diferentes épocas do ano.
Esse material foi submetido a uma análise molecular na Bélgica pelo professor Tom Wenseleers, da Universidade de Leuven. Nos resultados, foram detectadas evidências da existência de rainhas oriundas de outras colmeias.
“Acreditava-se que uma rainha que não assumisse o ninho em que nasceu seria morta logo ao emergir ou sairia com parte das operárias para fundar um novo ninho. Mas o experimento apontou outra possibilidade: ela poderia assumir um ninho órfão”, disse Denise, destacando que a descoberta derrubou também a crença de que a abelha-rainha teria de ser uma descendente de sua antecessora.
Para dar suporte biológico à nova tese, a bióloga aprofundou a investigação. Retirou as rainhas de alguns ninhos mantidos no Laboratório de Abelhas da USP, em São Paulo, e observou-os para ver quem seria a nova rainha.
Primeiro, foi determinado o genótipo parental das pupas da colônia original por meio da técnica de marcadores moleculares de microssatélites. A seguir, após a fecundação da nova rainha, parte de sua asa foi retirada. O material foi submetido à análise de genótipos parentais para indicar o ninho de origem do inseto. Depois, a cria da nova rainha também foi genotipada.
O resultado foi que, em cerca de 25% das substituições das rainhas-mãe, o genótipo das novas crias não coincidiu com o das pupas originais da colmeia, confirmando o parasitismo social intraespecífico.
“Como esse fato foi observado em duas localidades diferentes, São Simão e São Paulo, acreditamos que se trata de um fenômeno comum a esse grupo”, disse Denise.
“No Brasil, relatos de criadores de abelhas sem ferrão também se referem a rainhas virgens andando nas proximidades dos meliponários, mas a sua importância para as colônias órfãs era desconhecida”, afirmou.
Parasitismo intraespecífico
Uma das consequências da descoberta atinge os criadores de abelhas sem ferrão. O protocolo atual de melhoramento genético não considera a possibilidade de uma interferência genética externa por meio da introdução de uma rainha estranha ao ninho.
“Descobrimos que não há como garantir que a linhagem obtida no melhoramento permanecerá constante ao longo das gerações”, observou Denise. Com isso, se um produtor adquiriu uma colmeia com uma linhagem de alta produção de mel, não há garantias de que esses resultados continuarão, pois a colônia está sujeita a receber uma rainha com genótipo diferente.
“Esse estudo abre uma nova linha de pesquisa acadêmica, a de parasitismo intraespecífico, e terá aplicações práticas na genética de populações”, disse Vera Lúcia. Segundo ela, as análises moleculares serão cada vez mais aplicadas na resolução de problemas comportamentais.
“Nossos próximos passos serão no sentido de verificar se esse fenômeno ocorre em todas as abelhas do gênero Melipona”, disse. As abelhas da tribo Meliponini, foco do Projeto Temático coordenado por Vera Lúcia, possuem o ferrão atrofiado. Apenas na região neotropical, que nas Américas vai do México até a Argentina, elas se dividem em mais de 400 espécies já descritas, mas se estima que o número seja bem maior.
“Além disso, essas abelhas são agentes polinizadores muito importantes tanto de espécies vegetais de áreas conservadas como de culturas agrícolas de interesse econômico”, disse. 

domingo, 14 de novembro de 2010

População de abelhas diminui drasticamente na Europa


Há quem diga que "com as abelhas nunca se sabe" mas uma coisa é certa: a população de abelhas está a diminuir drasticamente na Europa. Será possível imaginar um mundo sem tomates ou cerejas? Entre 60% a 70% da nossa alimentação provém de plantas polinizadas pelas abelhas e se continuarem a desaparecer a este ritmo, a maioria dos nossos frutos e vegetais preferidos, assim como a maioria das plantas do planeta, estarão ameaçados.
A comissão parlamentar da agricultura aprovou recentemente uma proposta de resolução que pretende inverter a situação alarmante em que se encontra o sector da apicultura na Europa.
A resolução exorta a Comissão a estabelecer um plano de acção para combater a mortalidade das abelhas que inclua a integração de práticas agrícolas sustentáveis e amigas dos polinizadores, apela a mais financiamento para o sector e solicita à Comissão que inclua na política veterinária europeia as doenças que afectam as abelhas.
O texto parlamentar refere igualmente a importância de melhorar os dados estatísticos em relação às previsões de produção e apela a uma rotulagem clara sobre o mel comercializado na Europa, designadamente no que se refere à sua origem e conteúdo.
É urgente agir
Ao longo dos últimos anos, a população de abelhas em algumas regiões europeias sofreu uma mortalidade de 80%, quando a média deveria situar-se em 5%.
De acordo com o eurodeputado esloveno Alojz Peterle (PPE), ex-presidente da Associação de Apicultores da Eslovénia, a medida mais eficaz para combater a mortalidade das abelhas é a melhoria da qualidade ambiental. "As abelhas estão a ficar cada vez menos resistentes por causa da poluição", sublinha. "Não é suficiente obter melhores medicamentos, aquilo de que realmente necessitamos é de diminuir a utilização de pesticidas e produtos biocidas, e garantir que o sector agrícola – que deveria ser o principal aliado das abelhas – age de forma muito mais responsável na sua utilização", acrescentou.
Astrid Lulling, eurodeputada luxemburguesa (PPE) autora da resolução parlamentar, informou que "a Comissão Europeia vai apresentar, até ao final do ano, a sua comunicação sobre o futuro da PAC após 2013. Nesse sentido, é necessário garantir que os programas de apoio ao sector da apicultura, que já são utilizados a mais de 90% nos 27 Estados-Membros, também tenham lugar na PAC após 2013. Estes programas de apoio são úteis e necessários, e devem ser reforçados. Os 32 milhões de euros que vamos consagrar em 2011 ao sector são verdadeiros amendoins, quando comparados com a riqueza agrícola directamente dependente da actividade polinizadora das abelhas".
Para o eurodeputado italiano Paolo de Castro (S&D), presidente da comissão da Agricultura e Desenvolvimento Rural, que apresentou a resolução em nome da comissão parlamentar, os programas nacionais revelaram-se produtivos e eficazes. No entanto, sublinhou, "o aumento da mortalidade das abelhas exige medidas e acções urgentes, designadamente através do reforço das políticas desenvolvidas no sector, no âmbito da PAC após 2013".
Fonte:  PE

terça-feira, 9 de novembro de 2010

A alimentação energética para abelhas na entressafra


A apicultura é uma atividade rentável que exige manejo diferenciado entre o período produtivo e a entressafra. Se na época de produção de mel e pólen o apicultor precisa ter cuidado para evitar que suas abelhas coletem alimentos industriais, como o açúcar, a rapadura e os refrigerantes; durante a entressafra falta alimento no campo e o fornecimento de alimentação é necessário para garantir a manutenção das colônias.



Existe, ainda, em algumas ocasiões especiais, a necessidade de alimentar as colônias durante o período de florada. Como exemplo pode ser citado o período de florescimento do cipó uva (Serjania sp.) na região do Crato, Ceará, pois o teor de pólen produzido na região nesta época não é suficiente para manutenção das crias. Nesse período, mesmo na presença abundante de néctar, se não houver uma suplementação protéica a produção de mel é comprometida devido ao enfraquecimento das famílias.

Outros exemplos em que é necessário fornecer alimento às colônias em pleno período de florada é durante o florescimento de plantas tóxicas para as abelhas, com o objetivo de desviá-las dessa fonte de alimento; em serviços de polinização de algumas culturas; para produção de rainhas, entre outras atividades apícolas.

As colônias devem ser alimentadas tão logo seja identificado o enfraquecimento das mesmas, não existindo uma época certa para a alimentação, uma vez que este período varia de acordo com a região e o objetivo da criação. A quantidade de cria, o estado geral da colônia, a quantidade e qualidade de néctar e pólen coletados pelas abelhas determinam a necessidade de fornecimento da alimentação suplementar.

Para suprir a deficiência nutricional das abelhas no período de escassez de alimento pode ser fornecido alimento energético, protéico ou energético-protéico. A decisão vai depender dos recursos disponíveis em cada região e época do ano.

Os alimentos energéticos mais utilizados são o xarope de água e açúcar e o xarope invertido. Para a fabricação desse primeiro xarope, é necessário misturar água e açúcar na mesma quantidade, colocar a mistura no fogo e mexer até o açúcar se dissolver por completo. Para evitar que se estrague, o seu fornecimento deve ser feito no mesmo dia que for produzido, tendo-se o cuidado de retirar das colônias o alimento que não for consumido pelas abelhas em 24 horas. Após este período, inicia-se a fermentação e o alimento restante deve ser descartado. 

Para manutenção das colônias pode ser fornecido 0,5 litro/semana/colônia, contudo, quanto maior a quantidade fornecida, maior a população e a resistência das colônias. Colônias muito fracas não conseguem consumir esta quantidade de alimento no prazo necessário, nesse caso, deve-se fornecer uma quantidade menor de alimento, evitando prejuízo tanto às abelhas, quanto ao produtor pela possibilidade de perdas de enxames e de desperdício de alimento.

Outra receita de alimento energético difundida é o xarope invertido. Produzido com 5 quilos de açúcar, 1,7 litros de água e 5 gramas de ácido tartárico ou ácido cítrico, esse xarope permanece no fogo por 40 a 50 minutos. O ácido inverte a sacarose em glicose e frutose, pré-digerindo o xarope e facilitando a absorção do alimento pelas abelhas, mas também aumenta o teor de hidroximetilfurfural (HMF), podendo tornar o xarope tóxico. Sendo assim, alguns pesquisadores recomendam que o xarope seja fervido somente por 3 minutos.

O HMF é uma substância naturalmente presente no mel e no xarope de açúcar invertido e pesquisas realizadas nos Estados Unidos demonstram que pode ser prejudicial à saúde das abelhas a partir de uma concentração de 150 mg/L. Pesquisas realizadas na Embrapaindicam que o tempo ideal para inversão do açúcar no xarope ocorre com 63 minutos de fervura. Entretanto, durante esse processo, o HMF passou da concentração de 49,37±0,62 mg/Kg após 30 minutos de fervura, para 125,84±0,46 mg/Kg aos 45 minutos. Desta forma, apesar de nesse período não haver inversão suficiente do açúcar, o tempo de fervura não deve ser superior aos 30 minutos devido ao teor HMF formado. 

Para conciliar a inversão da sacarose, baixo teor de HMF e baixo custo de produção, a Embrapa recomenda a produção do xarope invertido com 5kg de açúcar, 5 litros de água e 5 gramas de ácido. A mistura deve permanecer no fogo por 15 a 25 minutos após a fervura. Fornecer 500 mililitros uma ou duas vezes por semana para cada colônia.

Em algumas regiões os apicultores possuem dificuldade em encontrar o ácido cítrico ou tartárico para produção do xarope invertido. Estes ácidos podem ser substituídos pelo suco de limão. Nesse caso, após o início da fervura de 5 kg de açúcar diluído em 5 L de água , deve-se adicionar o suco de quatro limões e deixar a mistura permanecer no fogo por 30 minutos. Com esse tempo de fervura ocorre a inversão de 36% da sacarose e a formação de somente 18,49 mg/Kg de HMF. Caso o produtor deseje uma maior inversão do açúcar poderá ferver o xarope até os 45 minutos, obtendo 50% de inversão da sacarose e a formação 47,94 mg/Kg de HMF. A utilização de suco de limão é vantajosa porque ocorre menor formação do HMF, quando comparado à utilização do ácido cítrico.

A substituição do ácido cítrico ou tartárico pelo ácido acético (vinagre), também foi pesquisada. Contudo, além de não haver inversão do açúcar, o xarope fica com sabor e odor de vinagre, demonstrando que essa não é uma opção viável.

O enriquecimento do xarope com aminoácidos tem sido usado por alguns apicultores. Contudo, muitos produtores adquirem esse complemento em forma de pó, nesse caso, para evitar a precipitação, a quantidade colocada no xarope é pequena. Pesquisas realizadas naEmbrapa Meio-Norte não demonstram diferença entre o desenvolvimento das colônias de Apis mellifera alimentadas com xarope, xarope invertido e xarope enriquecido com formulação de aminoácidos em pó. O xarope com complemento do aminoácido possui um odor forte e estraga rapidamente, devendo ser usado com cautela.

O fornecimento de alimento nos períodos críticos reduz o abandono das colônias no apiário e pode aumentar a produção em até quatro vezes. Entretanto, a alimentação não pode ser usada como única forma de manejo para evitar o enfraquecimento e abandono. É preciso ficar atento para a falta de água e de sombreamento, idade das rainhas, ataque de inimigos naturais, mortandade das abelhas e, principalmente, na flora apícola da região.

AUTORIA

Pesquisadora da Embrapa Meio-Norte 

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

4º Seminário de Meliponicultura em Matinhos


03/Nov/2010
Acontece nos dias 12, 13 e 14 de novembro o 4° Seminário de Meliponicultura - Caminhos para Práticas Sustentáveis. O evento, a ser realizado pela UFPR Litoral, em Matinhos, contará com palestras, oficinas e visitas técnicas.
 
Para mais informações, acesse: www.meliponario.ufpr.br/projetos/meliponario
 
 
Fonte: Assessoria de Comunicação

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Programa de georreferenciamento vai mapear produção nacional de mel



Saber a origem dos produtos consumidos, identificando onde e por quem são fabricados. Seguindo tendência mundial, cada vez mais o consumidor brasileiro busca respostas para esses questionamentos, fazendo crescer as exigências de controle e segurança sobre os produtos e os apiários. Preocupada com isso, a Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), órgão maior do setor no País, tem trabalhado para implantação do Programa Nacional de Georreferenciamento e Cadastro de Apicultores (PNGEO).



"O Georreferenciamento e a rastreabilidade são assuntos imperativos para todos que querem se estabelecer de forma consistente e competitiva no mercado", observou o veterinário e coordenador doPrograma Nacional de Georreferenciamento Apícola da Confederação Brasileira de Apicultura, Ricardo Lustosa Brito, no dia 12 de outubro de 2010, durante o 10º Congresso Iberolatinoamericano de Apicultura. O evento acontece até hoje (14/10/10), no Centro de Convenções de Natal, no Rio Grande do Norte.

Segundo Lustosa, a CBA tem procurado estabelecer uma agenda estratégica para este tema, desenvolvendo parcerias que tornarão possível a consolidação de um avançado sistema de produção apícola no Brasil. Esta agenda tem como principal foco de atenção a implantação do PNGEO, cujo objetivo principal é promover o georreferenciamento, a rastreabilidade e a modernização da produção apícola no Brasil por meio de ações de mapeamento, diagnóstico, capacitação e regulamentação das atividades em todos os elos da cadeia.

REVITALIZAÇÃO

O Programa faz parte de um conjunto de cinco focos de ação estratégica da CBA, como normatização de insumos apícolas, sanidade apícola e sistema de rastreabilidade. O PNGEO já está sendo trabalhado no Maranhão, em Santa Luzia do Paruá, município que o programa previu como ponto de partida para o levantamento de campo na metodologia. O censo identificou quem e quantos são os apicultores, onde se localizam geograficamente seus apiários e o grau de desenvolvimento da atividade, considerando aspectos técnicos, econômicos e sociais.

Para revitalizar a apicultura maranhense, potencializando a economia local, o programa implantado teve início com o processo de pesquisa, coleta e condensação com base nos dados existentes na região junto a instituições de fomento e pesquisa estaduais e federais. Após esta coleta foi feito o nivelamento e acompanhamento na implementação das ferramentas metodológicas para realização do diagnóstico SIG-PNGEO/Piloto junto a parceiros executores regionais. Na segunda etapa, ocorreu a elaboração de estrutura em banco de dados geográficos, piloto PNGEO do estado do Maranhão.

FONTE

Regina Xeyla - Jornalista
Telefone: (61) 2107-9106

domingo, 3 de outubro de 2010

Mel de Abelhas


A orientação para o apicultor que quiser manter suas colméias protegidas nessa época de inverno é deixar uma boa reverva de mel e também não abrir a caixa enuanto for frio.

quarta-feira, 29 de setembro de 2010

Brasileiro consome 128 gramas de mel por ano contra 1,5 quilo na Europa e EUA




Importante fonte de energia e com alto valor nutricional, o mel ainda não faz parte da dieta alimentar da grande maioria dos brasileiros. De acordo com a Confederação Brasileira de Apicultura (CBA), a média de consumo por habitante no país é de apenas 128 gramas por ano, enquanto nos Estados Unidos e na Europa o consumo per capita gira em torno de 1,5 quilo a cada 12 meses.

Diante deste cenário, os produtores brasileiros miram o mercado externo como forma de aproveitar a capacidade instalada nacional, estimada pela CBA em condições de processar quatro vezes mais mel que a atual produção, em torno de 50 mil toneladas anuais. Mas para crescer no comércio internacional, os apiários precisam adequar seus processos produtivos às exigências do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

Atento a esta questão, o Sebrae tem desenvolvido programas com as principais cooperativas de produtores do Estado e do país, com o objetivo de ajudar as empresas a implantarem medidas de controle sanitário mais rígidas. Em Minas Gerais, são quase 150 produtores beneficiados. Uma das associações que contam com este suporte é aAapivale, do Vale do Aço, que congrega 78 produtores. "A Aapivaleestá readequando seu entreposto, que é o local onde o mel é processado, para voltar a exportar para a Europa", informa a analista do Sebrae em Minas Gerais Danielle Fantini.

Segundo ela, o embargo europeu à Aapivale não é um caso isolado. "É tão comum que o Ministério da Agricultura passou a exigir que os entrepostos em todo o País façam modificações na estrutura física e nos processos de produção para que eles possam se habilitar novamente a exportar para a União Europeia", acrescenta.

Para auxiliar os apicultores da Aapivale a se adequarem às novas exigências e garantirem o controle de todo o processo, o Sebrae se baseia no Programa de Alimento Seguro (PAS-Mel), no qual são trabalhadas duas metodologias: Boas Práticas de Fabricação (BPF) e Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC), ambas desenvolvidas em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).

De acordo com Danielle Fantini, o PAS-Mel atua tanto no campo quanto no entreposto. "No campo, ele foca a colmeia e a casa de mel, local onde o produto é preparado para ser envasado.A casa de mel, por exemplo, deve ser azulejada, possuir pia com sabonete líquido e piso diferenciado. E os baldes que transportam o mel da colmeia devem estar sempre limpos e não podem ser utilizados para outro fim", explica.

Segundo a analista do Sebrae em Minas Gerais, o processo é lento porque requer investimentos dos apicultores. "Poucos tinham casa de mel, com o processamento sendo feito na própria cozinha. Para contornar o problema, muitos produtores têm feito parcerias entre si para construírem estas unidades em conjunto", relata Danielle.

Ela conta que a Aapivale está em fase final de readequação das suas instalações e que, em breve, será submetida a nova avaliação do Ministério da Agricultura. Caso consiga a aprovação, a associação poderá voltar a exportar para os países do velho continente. Detentora de uma certificação de mel orgânico de uma instituição alemã, aAapivale está confiante de que conseguirá também a autorização do governo brasileiro.

Com isso, a associação poderá diversificar sua carteira de exportação, atualmente concentrada nos Estados Unidos. A expectativa é destinar 300 das 500 toneladas produzidas anualmente para o mercado externo.

NOVA LIMA

Outra associação que tem se beneficiado do programa PAS-Mel é aCooperativa Nacional de Apicultura (Conap), de Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte. De acordo com o presidente da cooperativa, Irone Martins Sampaio, a parceria com o Sebrae em Minas começou em 2008 e tem sido muito profícua. Dos 200 produtores ligados à cooperativa, 40 estão seguindo os preceitos do PAS-Mel. 

"O trabalho desenvolvido pelo Sebrae em MInas, principalmente no que diz respeito à implantação da casa de mel e à adoção de boas práticas no entreposto, tem sido fundamental para que a Conap possa vislumbrar sua entrada no mercado europeu", afirma Sampaio.

Segundo ele, a certificação, necessária para que a cooperativa se habilite a exportar para a Europa, poderá ser conseguida já em setembro próximo, quando uma equipe do Ministério da Agricultura irá a Nova Lima auditar os produtos e processos da associação.

Atualmente a Conap é a maior produtora de própolis do país, com 12 toneladas anuais, o equivalente a 31,5% do total produzido no território nacional. A associação já exporta para Japão, China, Coreia do Sul e Estados Unidos.

PRÊMIO NACIONAL

Uma das empresas da Aapivale que implantou o PAS-Mel com o suporte do Sebrae-MG foi a Apiários Casagrande, localizada no município de Dom Silvério, no Vale do Aço. Com 17 funcionários, a empresa, de propriedade de Geraldo Martins Rôla e Juliana Maria Costa Gomes, produz 12 toneladas de mel por ano, podendo beneficiar até 30 toneladas, captadas junto a apicultores parceiros, associações e cooperativas da região.

De acordo com Juliana Gomes, a implantação dos procedimentos do programa na empresa foi fundamental para garantir a qualidade higiênico-sanitária dos seus produtos e matérias-primas e contribuiu para que a Apiários Casagrande conquistasse o prêmio Destaque Nacional da Apicultura no congresso brasileiro realizado pelaConfederação Brasileira de Apicultura (CBA), em maio passado, em Cuiabá (MT). 

"O controle é feito desde a entrada da matéria-prima na empresa até que o produto chegue ao comércio. Os lotes são registrados com o nome do produtor, data da colheita e de validade. Desta forma, conseguimos rastrear e acompanhar todo o processo de colheita e armazenagem do mel, do própolis e da cera", explica.

Para a entrada da matéria-prima no entreposto, são necessários vários procedimentos, todos devidamente monitorados e registrados: a qualidade da água; o controle de insetos e pragas; a limpeza do entreposto de modo geral; os procedimentos na manipulação e fabricação dos produtos e os cuidados na armazenagem da matéria-prima e embalagens; entre outros. Os funcionários passam por treinamentos contínuos, que incluem técnicas sobre contaminação e manipulação dos alimentos.

O mérito maior do PAS-Mel, segundo Juliana Gomes, é ajudar prevenir o erro, diminuindo o custo para a empresa e aumentando a segurança do consumidor. "São ações necessárias que asseguram que nenhum alimento com risco possa chegar ao mercado", afirma.

MAIS INFORMAÇÕES

Sebrae em Minas Gerais
Telefone: (31) 3379-9270

Central de Relacionamento Sebrae
Telefone: 0800 570 0800

FONTE

Agência Sebrae de Notícias

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Mel com atestado de qualidade

28/06/2010 - 00:00 
Luciana Cristo 

O município de Ortigueira, na região central do Paraná, tenta voltar a ocupar uma posição de destaque entre os maiores produtores de mel no País. A estratégia é caracterizar o mel produzido no local, dando um "atestado de qualidade" ao produto, a partir de um projeto em parceria com o Sebrae-PR, Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), que deve se desenrolar pelos próximos dois anos. 

Se o trabalho conseguir mostrar a especificidade do mel de Ortigueira, pode agregar valor ao produto. "Hoje temos características que nos remetem que o mel seja exclusivo daquela localidade", aponta o consultor do Sebrae-PR que atua no projeto, Fabrício Pires Bianchi. Um dos objetivos do projeto de identificação do mel é verificar a viabilidade futura de se pleitear ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) um atestado da indicação de procedência do mel produzido no município de Ortigueira. 

O gerente da regional norte do Sebrae-PR, Heverson Feliciano, lembra que a adição de valor ocorre por meio da diferenciação de um produto ou processo. "O processo de identificação é necessário para que se parta para outras possibilidades como a indicação de procedência, por exemplo. Experiências como essa de identificação de alimentos têm gerado mais valorização para os produtos, abertura de novos mercados e melhoria do preço de venda", afirma. 

De 2004 a 2007, Ortigueira foi o maior produtor individual de mel no Brasil. No ano seguinte, a cidade não estava nem entre os 20 maiores produtores, de acordo com estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo Bianchi, diminuiu o número de produtores no setor. "Pessoas que estavam antes na apicultura acabaram se desligando, buscando outras atividades e, em função disso, diminuiu a produção", conta. 

Hoje, são cerca de 175 apicultores na cidade, sendo que 45 fazem parte da Associação de Produtores de Mel de Ortigueira (Apomel), responsáveis por 6,5% de toda a produção paranaense do produto, que em 2008 (último ano em que os dados estão disponíveis até o momento) foi de 4,6 mil toneladas, 2º lugar entre os estados produtores de mel. 

Além do distanciamento de vários apicultores da atividade, Bianchi cita que nos últimos anos nada se fez para melhorar as técnicas a serem aplicadas para se ganhar em qualidade e em produção. "Se não há troca genética, em uma população de abelhas com pouca diversidade surgem doenças e defeitos genéticos, o que diminui a produção e, consequentemente, a qualidade", aponta o consultor. 

Os apicultores de Ortigueira se preparam para a retirada do mel pela florada do arbusto assa-peixe, que acontece agora em julho e agosto e é um dos tipos de mel predominantes no município, assim como o mel de eucalipto. Além do mel, os apicultores investem em produtos como pólen, própolis e geléia real. 

Neste ano, os apicultores prometem começar a voltar com o máximo que conseguirem na produção. "Precisamos ir a campo e ajudar o pequeno apicultor. O mel de Ortigueira é uma delícia, é o melhor, mas ainda não tem uma identidade para o produto. Já fomos primeiro lugar em produção no Brasil e queremos voltar a ocupar esse posto", diz a presidente da Apomel, Ana Mozuski Kutz, apicultora há três décadas. 

O mel de Ortigueira é exportado para a União Europeia e para os Estados Unidos e a Apomel pensa em reestruturar a exportação, que hoje é feita por meio de entrepostos e diminui o lucro do produtor. "Nossa produção vai quase toda para fora do País, porque o brasileiro não põe o mel na mesa", lamenta Ana.

Paraná online